BR Distribuidora BRDT3

Imagem: Money Times/Vitória Fernandes

 

A Petrobras reiterou que venderá sua participação de 37,5% na BR Distribuidora por meio de oferta secundária de ações (follow on). A decisão havia sido tomada pelo conselho de administração da empresa em agosto do ano passado, ainda na gestão do ex-presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco.

Havia dúvidas, no entanto, se seria mantida na gestão do general Joaquim Silva e Luna, no cargo desde abril.

Em comunicado, a Petrobras confirmou nesta quinta-feira, 10, que a participação remanescente na BR será oferecida ao mercado financeiro por meio de oferta secundária de ações. “O montante a ser arrecadado dependerá do resultado da precificação da transação”, informou a empresa.

A empresa acrescentou ainda que a oferta estará sujeita às condições de mercado, à aprovação dos órgãos internos da Petrobras quanto ao preço, e à análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e demais órgãos reguladores.

A privatização da BR aconteceu, na verdade, em 2019, quando a estatal se desfez do controle da distribuidora, com a venda da participação de 30% por R$ 9,6 bilhões. A abertura do capital ocorreu em 2017.

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

 

Bandeira da China

GETTY IMAGES

 

Projeto validada no Congresso

Dá base legal para retaliações

A China aprovou nesta 5ª feira (10.jun.2021) uma lei anti-sanções. O projeto original passou por mudanças em abril e foi aprovado pelo NPC (Congresso Nacional do Povo) depois de uma nova revisão.

Os detalhes ainda não foram divulgados. Mas, segundo a emissora estatal CCTV, o texto tem como objetivo fornecer bases legais para que a China responda à medidas estrangeiras.

A China emitiu contra-sanções em resposta às medidas adotadas contra ela por Estados Unidos, União Europeia, Grã-Bretanha e Canadá por causa da repressão política de Pequim em Hong Kong e do tratamento das minorias étnicas em Xinjiang.

A nova lei faz parte de um esforço de Pequim para combater interferências externas. Em janeiro, o Ministério do Comércio do país anunciou a introdução de regras para “combater a aplicação extra-territorial injustificada” das leis estrangeiras. Entre elas, punir companhias que cumpram as sanções internacionais.

Mesmo antes da aprovação da lei, o país já contra-atacava quando era sancionado.

Em março, por exemplo, a China anunciou que o país iria impor sanções a 3 pessoas e uma entidade do Canadá e dos Estados Unidos em resposta às represálias dispensadas ao país asiático por conta do tratamento dado aos uigures, minoria étnica da Ásia.

FONTE: PODER 360

Mercado de Trabalho: Indicador Antecedente de Emprego registra segunda melhora consecutiva

IMAGEM: FGV

O Indicador Antecedente de Emprego no Brasil apontou continuidade da retomada no mercado de trabalho em maio, embora a Fundação Getulio Vargas (FGV) tenha alertado nesta sexta-feira para riscos a esse movimento.

O IAEmp, que antecipa os rumos do mercado de trabalho no Brasil, teve alta de 4,7 pontos em maio e chegou a 83,4 pontos.

“A melhora nas expectativas para o mercado de trabalho tem sido influenciada pela flexibilização das medidas restritivas e do avanço do programa de vacinação”, explicou o economista da FGV Ibre Rodolpho Tobler em nota.

“O cenário para os próximos meses parece ser de continuidade dessa retomada, mas ainda de maneira gradual e com alguns riscos, em especial, o de novas ondas da pandemia”, alertou ele.

Os dados mostram ainda que, dos sete componentes do IAEmp, seis deram contribuição positiva para o resultado do mês.

A principal veio do indicador de Situação Atual dos Serviços, de 2,2 pontos, ou 47%, para a alta do indicador agregado.

No mês de maio, apenas o indicador de Tendência de Negócios da Indústria contribuiu de forma negativa para o resultado.

FONTE: REUTERS

 

IMAGEM: OfficeInn

A pandemia modifica os hábitos de trabalho colaborativo e abre novos caminhos de negócios para espaços compartilhados

Como muitos trabalhadores deixaram seus computadores debaixo do braço no ano passado para continuar suas atividades de trabalho em casa , a crise da saúde redefiniu muitos aspectos da relação clássica entre trabalho e escritório. Alguns ainda não voltaram a ele e outros não. Ou pelo menos não como antes. Para o coworking , espaços partilhados onde o empreendedorismo floresce, esta situação abriu novos e promissores caminhos para o futuro, que passam, entre outros aspectos, pela alteração do perfil do cliente, pela convivência com o teletrabalho em sistemas híbridos ou pela contribuição para o bem-estar dos do utilizador.

Quando alguns trabalhos deixaram de ser um lugar para ir para algo que pode ser feito de diferentes lugares e a atividade individual deu lugar à cooperação, o coworking começou a surgir . “Mesmo dentro das próprias empresas”, diz Matías Rodríguez, diretor do Studio Banana, uma empresa multidisciplinar que projeta e desenvolve espaços de trabalho colaborativos para outras empresas. “E acelerou muito como resultado da pandemia”, continua ele . "Com uma grande nuance: agora eles vão ter que servir a novos públicos.

Os mais numerosos utilizadores destes centros de trabalho, como empresários ou freelancers, juntaram-se recentemente a outras empresas de média dimensão. É o que afirma María Calvo, diretora de negócios da Impact Hub, uma rede internacional de coworking com impacto social, com presença em Madrid, Barcelona e Saragoça, entre outras cidades. São empresas “com mais de 50 ou 100 trabalhadores que procuram sair do seu escritório tradicional ou conceber um modelo híbrido que lhes permita usufruir do melhor dos espaços físicos e do teletrabalho”.

Esse nao é um caso isolado. No The Shed, em Madrid, também reconhecem uma mudança de cliente e um interesse crescente pelo modelo híbrido que, acreditam, veio para ficar. “Financeiramente, eles verão que ter uma despesa fixa em um ativo fixo em um espaço é algo que não faz muito sentido”, afirma Carlos Llerena, gerente do espaço. "E do ponto de vista da performance, estes tipos de espaços, a actividade, a energia, o ambiente, as características ... são mais agradáveis ​​do que num gabinete frio convencional."

No novo caminho que a pandemia abriu, Rodríguez acredita que esses espaços serão uma espécie de pesqueiro para clientes corporativos. “Alguns já estão sendo concebidos pensando que seus maiores ocupantes serão corporativos e, portanto, entendem que pode haver algumas necessidades diferentes das do usuário tradicional”, afirma. A capacidade de transformação e o fortalecimento dos aspectos relacionados à tecnologia e seu uso serão pontos fundamentais.

“O espaço tem que ser como um vazio que preenchemos de acordo com as necessidades”, afirma José Molina Talavera, gerente da Be Working, localizada em Málaga. Antes da crise da saúde, seu principal ramo de atuação eram os cargos de coworking e agora eles veem como a utilização de salas de treinamento aumenta e como os serviços de escritório virtual, cuja demanda era quase inexistente, estão ganhando espaço.

Uma corrente que também notaram na Vortex, em Valência. “São empresas que neste momento optaram por sair do escritório físico e precisam de um endereço comercial e postal e de um espaço de referência onde possam realizar as suas reuniões de equipa ou clientes”, afirma Cristina Trilles, fundadora e gestora. Nesse espaço, eles também viram como o usuário estrangeiro, que respondia por 75% das solicitações, deu lugar ao nacional.

A flexibilização de associados é um fenômeno que tem sido visto principalmente em grandes espaços e cidades. Taxas mensais coexistem com taxas diárias ou horárias, posições fixas com variáveis ​​e novas dinâmicas foram abertas, como a possibilidade de alternância entre diferentes membros de uma equipe. “Para isso tivemos que contar muito com a tecnologia. Promoveu a flexibilidade da oferta, a transformação digital e a melhoria da experiência visual ”, afirma Calvo.

Para os menores, fora de Madrid ou Barcelona, ​​a tendência parece apontar na direção oposta e os clientes estáveis ​​ganham peso. “95% dos nossos cargos são permanentes. Foi muito útil para nós prevenir surtos e fazer com que as pessoas se sentissem seguras ”, afirma Iago Barreiro, fundador, juntamente com Tobias Lipp, da Modular Multiespazo, em Santiago de Compostela.

A maioria, porém, concorda que não estabelece vínculos ou compromissos de longo prazo, o que deixa muito espaço para resposta e adaptação aos usuários. “Não temos contrato de permanência, a única exigência é um mês de antecedência. Você pode ter três trabalhadores aqui e no mês seguinte não tê-los ”, pontua Sandra Regueira, supervisora ​​do The Roof, em A Coruña.

Em geral, nesses espaços o bem-estar de seus ocupantes sempre foi levado em consideração, mas agora esse aspecto se apresenta como algo cada vez mais importante. “Coisas como nutrição ou preparo físico ou mesmo bem-estar psicológico entram em jogo ...”, diz Rodríguez. “E de repente tem muita operadora que já tem restaurantes que oferecem determinados tipos de alimentos, ou têm convênios com academias ou existem academias nesses mesmos espaços ...”, completa. “Estamos indo em uma direção de coworking para coliving . Queremos criar um ecossistema entre as pessoas, que se ajudem ”, diz Lipp,“ organizamos aulas de ioga, na sexta-feira tomamos um pouco de vinho, temos projetos em comum ... ”.

Diante dos espaços que poderiam ser definidos como generalistas, surge outra variante que busca um posicionamento mais nicho. É o caso, por exemplo, de Nolich, de Valência, que nasceu como um projeto que pretendia reativar a indústria audiovisual do território e que virou após a pandemia. “Chegamos à conclusão de que, com a digitalização, um fator chave para nossa comunidade seria a criação de um pólo de talentos criativos digitais, indo além do setor audiovisual”, afirmou Hernán Pérez, CEO, por e-mail.

Apesar de muitos desses espaços terem sido esvaziados por causa do Covid-19 e alguns terem ficado no esquecimento, as previsões são otimistas. Além disso, o teletrabalho é visto como uma oportunidade e não como uma ameaça. “Quando se trabalha em casa há sempre distrações, sejam crianças ou tarefas a cumprir. Chegar a um coworking ajuda a se desconectar de tudo isso para poder se conectar melhor com o seu trabalho e com os colegas para recuperar a motivação que se perdeu, em muitos casos, durante o confinamento ”, afirma Pérez.

FONTE: EL PAÍS

Foi realizada a troca de tripulação do navio panameño Srakane na manhã deste domingo (26).

IMAGEM: DIVULGAÇÃO

 

Deixar tripulação a bordo de navio em situação de abandono e com seus contratos de trabalho expirados viola a Convenção sobre Trabalho Marítimo (Decreto 10.671/21).

Assim entendeu a 1ª Vara do Trabalho do Guarujá (SP) para deferir tutela de urgência, determinando que três empresas do setor de transporte marítimo promovam o desembarque e a repatriação de 15 trabalhadores do leste europeu que estão a bordo do navio Srakane.

Segundo relatório de inspeção, a embarcação está em situação de abandono no porto de Santos e os tripulantes permanecem em condições precárias de higiene e segurança, agravadas pelo não recebimento de salários há meses.

De acordo com os autos, constatou-se que o navio no qual os trabalhadores se encontram deve ficar sem iluminação e que os 15 tripulantes não terão condições de preparar alimentos e nem de tomar cuidados básicos.

Diante desse cenário, o juiz Marcos Vinicius de Paula Santos determinou que as três empresas responsáveis pela embarcação efetuem o pagamento de salários vencidos e vincendos; promovam o desembarque e repatriação dos tripulantes, arcando com todos os custos de transporte, alimentação e assistência médica sob pena de multa diária de R$ 100 mil e testar todos os marinheiros para Covid-19.

A decisão determina também que as empresas se abstenham de abandonar a embarcação no porto de Santos e que contratem novos marinheiros para rearmar o navio em até 30 dias.

FONTE: CONJUR

imagem-1-A-ECONOMIA-BRASILEIRA-TERA-UMA-FORTE-RECUPERACAO-EM-2021

IMAGEM: SINAPRO/MINAS GERAIS

 

Apesar da pandemia do coronavírus, a economia brasileira “está surpreendentemente robusta”, inclusive com o Produto Interno Bruto (PIB) voltando ao nível anterior ao registrado ao surgimento da covid-19, mas o desemprego alto é um problema que depende do avanço da vacinação e do controle da doença, diz Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atualmente professor da Universidade Harvard, em entrevista exclusiva para o Estadão/Broadcast. A entrevista, a seguir, foi concedida na véspera da participação de Rogoff como palestrante no evento Bradesco BBI, na 12.ª London Conference para investidores internacionais, que neste ano ocorre de forma virtual.

O Brasil está tendo muitos dos problemas que todos os outros países registraram com a pandemia. Há um grande aumento da desigualdade social, gerando agitação política etc. No entanto, a economia está surpreendentemente robusta. O País já registrou a volta do PIB para o mesmo nível anterior ao surgimento da covid-19, o que é notável. Os mercados de dívida continuam incrivelmente resilientes. O Brasil fez muitas mudanças, foi capaz de lidar muito bem com a crise e está muito melhor do que eu poderia estimar no passado recente.

A vacinação virá, talvez com um atraso de um ano em comparação com economias avançadas. Há um temor de que, se a retomada não for longa o suficiente, poderá não ser somente um ano, mas uma década perdida na economia, como manifestam meus amigos no Brasil que estão preocupados. Porém, a trajetória até o momento sugere, particularmente, para um forte mercado emergente como o Brasil, que terá uma boa recuperação. É difícil saber. Há recuperações bem divergentes. Os países ricos estão indo muito bem, as nações com baixa renda têm uma situação terrível e os mercados emergentes estão em algum lugar na metade desses dois caminhos e poderão ir para uma direção ou a outra.

A taxa de desemprego no Brasil passou de 14%. O sr. considera que ela poderá baixar neste ano ou no próximo?

Eu penso que será difícil corrigi-la até que o programa de vacinação (avance) e o que a doença esteja sob controle.

Como o sr. avalia a tendência da inflação nos EUA?

A recuperação está ocorrendo bem mais rápida e forte do que qualquer um imaginava, em grande parte por causa das vacinas, mas também pelo enorme apoio de gastos do governo prevenindo uma longa duração dos efeitos da pandemia. Ao mesmo tempo, há uma imensa variedade de gargalos na economia global, entre eles no fornecimento de microprocessadores. Claro que a inflação vai subir neste ano. Eu tenho visto a secretária do Tesouro, Janet Yellen, dizer que pode chegar a 3% em 2021, mas é uma estimativa baixa. Os EUA crescerão acima de 7% neste ano e 4% em 2022. A verdadeira questão é se a inflação subirá muito a ponto de levar o Federal Reserve a aumentar os juros bem mais cedo do que avalia. Pelo ponto de vista dos países emergentes, como o Brasil, a preocupação é se a inflação explodirá, o que forçaria o Fed a elevar os juros por questões domésticas, o que seria muito doloroso para os mercados internacionais. Não é o cenário mais provável, mas é certamente o maior risco no momento.

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

 

O Departamento Cultural do Abrigo do Marinheiro (DCAMN), em parceria com a Marinha do Brasil, e o Departamento do Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RJ) anunciaram nesta segunda-feira o Concurso de Projeto de Arquitetura para o Museu Marítimo do Brasil.

O museu será construído no Espaço Cultural da Marinha, localizado na área central do Rio, próximo à Praça XV. O concurso, em nível de Estudo Preliminar, é destinado a arquitetos e urbanistas habilitados para o exercício da profissão, sendo exigida a formação de equipes multidisciplinares para a submissão das propostas. As inscrições estarão abertas a partir de quinta-feira (10) e vão até o dia 23 de julho, em um portal exclusivo a ser divulgado pelo IAB/RJ.

A criação do Museu Marítimo do Brasil vai estimular o conhecimento sobre a história marítima que está intrinsecamente ligada à formação do país, sendo este um dos seus conceitos definidores e tendo a brasilidade como objeto fundamental para diferenciá-lo de outros museus marítimos ao redor do mundo. Outra finalidade conceitual diz respeito ao mar e aos rios como instâncias culturais, simbólicas e míticas, na convergência de uma sociedade marítima brasileira que carrega diversas origens. A localização do museu, na orla do Rio, enfatiza aspectos relevantes da formação da vocação marítima nacional.

O espaço fará parte de um complexo de museus e centros culturais existentes no Centro do Rio, como o Museu Histórico Nacional, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã, o Centro Cultural do Banco do Brasil e a Casa França-Brasil. Por meio do Concurso de Projeto, pretende-se obter uma proposta arquitetônica inovadora, que afirme a excelência da arquitetura contemporânea brasileira e agregue valor tanto à instituição quanto ao entorno urbano onde ela estará inserida. Além do museu propriamente dito, haverá, também, um auditório, um restaurante e uma cafeteria, disponíveis para visitantes e para a população em geral.

Para o arquiteto Luiz Fernando Janot, coordenador geral do concurso lançado pelo DCAMN e pelo IAB/RJ, a oportunidade para arquitetos de todo o Brasil submeterem seus projetos está associada ao marco simbólico desse museu:

 Ao abrirmos a possibilidade de termos centenas de arquitetos pensando no tema, com um júri de alta competência para avaliar as ideias, estamos valorizando não apenas um museu com um significado importante, mas também um local de importância histórica para a cidade. Estamos ansiosos para ver como os participantes vão atuar diante das diretrizes do concurso. Certamente, será um espaço de qualidade, que pode se tornar mais uma obra paradigmática na cidade do Rio de Janeiro.

O RIO DE JANEIRO DE VOLTA PARA O MAR

Não por acaso, o Museu Marítimo do Brasil será construído na Orla Central do Rio, que passou recentemente por um processo de revitalização, após a demolição do Elevado da Perimetral e a criação de uma alameda beirando as águas da Baía de Guanabara. Um dos objetivos do DCAMN e do IAB/RJ é inserir o museu no novo ciclo de desenvolvimento arquitetônico e cultural da cidade.

O espaço está localizado entre a Praça XV e a Praça Mauá, onde existiu, no século XIX, a Doca da Alfândega. O píer do Espaço Cultural da Marinha, sobre o qual o Museu Marítimo será erguido, passou por restaurações estruturais entre 2017 e 2020. A edificação atual, inaugurada em 1996, funcionou como museu por cerca de duas décadas, tendo sido desfigurada internamente devido às obras de recuperação do píer. O local está pronto para receber um novo prédio, que atenda às exigências de um museu no século XXI.

– O Rio de Janeiro terá uma nova joia, com o Museu Marítimo do Brasil vindo a complementar o corredor cultural existente no centro da cidade. E, evidentemente, o mar é a figura mais importante do seu entorno, de modo que uma das exigências é que, a partir do prédio do museu, você tenha uma plataforma para olhar o mar. Vamos nos voltar para o mar novamente, desenvolver a consciência marítima que caracteriza a nossa história – enfatiza o Vice-Almirante José Carlos Mathias, que está à frente da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM).

No ano do centenário do Instituto de Arquitetos do Brasil, o IAB/RJ pretende, por meio de mais um dos seus concursos, estimular a reflexão sobre qual deve ser a cidade do futuro, especialmente numa área com tantas transformações, como explica o arquiteto Igor de Vetyemy, copresidente do IAB/RJ:

– A relação da cidade com a sua frente marítima fala muito sobre a própria sociedade, e precisamos reatar esse laço. Os arquitetos que inscreverem seus projetos têm uma tarefa delicada, porque precisam considerar a integração entre o ambiente construído, a natureza e o museu a compor este cenário. A construção vai impactar tanto quem estiver dentro do próprio prédio quanto aqueles que estiverem no seu entorno. Esse museu será um estímulo para o encontro e para a contemplação da cultura marítima brasileira.

FERRAMENTA PARA ESCOLHA DE PROJETO

Em 2017, a Marinha do Brasil, em parceria com o DCAMN e por meio de patrocínio privado e direto, tornou público o desejo de criar o Museu Marítimo do Brasil. Foi apresentado à sociedade um projeto conceitual elaborado pelos arquitetos Bernardo e Paulo Jacobsen, a fim de dar materialidade à ideia de museu há muito desejado pela comunidade marítima carioca e nacional.

– Hoje, o projeto está sendo desenvolvido por meio de patrocínios viabilizados pela Lei de Apoio à Cultura do Governo Federal, sendo o proponente o Departamento Cultural do Abrigo do Marinheiro (DCAMN). Está incluso agora a formulação de um concurso nacional organizado pelo IAB/RJ, a fim de cumprir os propósitos de um estudo preliminar e com financiamento por meio da lei de incentivo fiscal. Além de trazer visibilidade e transparência à sociedade civil, é possível buscar mais patrocinadores para as próximas fases do projeto – comenta o Vice-Almirante Mathias.

Um importante estímulo à realização deste concurso foi a experiência bem-sucedida entre a Marinha do Brasil e o IAB-RJ no Concurso Estação Antártica Comandante Ferraz, em 2013, que contou com 74 trabalhos entregues. O projeto de arquitetura do escritório Estúdio 41 foi o vencedor, e a base na Antártida foi inaugurada em 2020.

– O concurso é a ferramenta mais democrática que existe para construirmos novos espaços na cidade e promovermos o debate público. Estamos felizes por trabalhar com a Marinha do Brasil novamente, desta vez com o concurso do Departamento Cultural do Abrigo do Marinheiro. Os arquitetos que demonstrarem suas reflexões projetuais vão falar com o mundo inteiro através desse museu – complementa Igor de Vetyemy.

 

 

 

 

estados unidos

IMAGEM: Brendan Mcdermid/Reuters

 

Cerca de 3,3 mil profissionais buscaram visto preferencial para os EUA em 2020, maior número em dez anos

O médico paranaense Guilherme Agnoletto nunca planejou se mudar para os Estados Unidos. Após fazer residência em neurocirurgia, ele recebeu ofertas de especialização no exterior. Ao visitar o país e ver de perto a estrutura do centro de pesquisas, resolveu não voltar ao Brasil.

Ele hoje mora com a esposa, Marjorie, e a filha, Isabella, que nasceu nos EUA, em Salt Lake City (Utah). “Não é fácil resolver as questões burocráticas, a gente se forma no Brasil e tem de passar por provas de aptidão e fazer outra residência, mas aqui eles fazem de tudo para reter talentos e tornar o profissional mais produtivo. Ainda não deu tempo de sentir saudades.”

A família de Guilherme não é um caso isolado. O número de pedidos de trabalhadores brasileiros considerados prioritários e de alta qualificação —como cientistas, atletas ou altos executivos— por um visto de trabalho nos Estados Unidos chegou a 3.387 no ano passado, um aumento de 10,5% em relação a 2019 e o maior patamar em ao menos dez anos.

Segundo dados do Departamento de Imigração norte-americano, compilados por consultorias especializadas do setor, o novo movimento de fuga de cérebros do Brasil ficou mais intenso nos dois primeiros anos de governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

Em 2019 e 2020, a busca pelo visto permanente dos tipos EB1 e EB2 aumentou 40%, na comparação com os anos de 2017 e 2018, e 135% quando se compara com 2015 e 2016, quando o país estava em recessão.

No ano passado, apesar do número crescente de solicitações, houve uma queda nas aprovações por conta da pandemia. Um terço dos pedidos ficou pendente naquele ano fiscal, encerrado em setembro.

Na comparação com o resto do mundo, enquanto os pedidos de entrada no mercado de trabalho norte-americano feito por brasileiros cresceram em 2020, a soma de solicitações feitas por todas as nacionalidades teve uma queda de 13%.

Segundo Leonardo Freitas, diretor-executivo da empresa de advocacia de imigração Hayman-Woodward, desde 2018 já era possível perceber um movimento maior de brasileiros que passaram a buscar o caminho do aeroporto como forma de mudar de vida. “Não são apenas profissionais de saúde. São cientistas, engenheiros e economistas que saem em busca de oportunidades.”

O governo do ex-presidente Donald Trump queria rever as regras de elegibilidade, mas segundo as consultorias, não era tão difícil para o trabalhador altamente qualificado conseguir um visto na época e deve ficar mais fácil no governo atual, de Joe Biden.

Pessimista em relação às crises econômica e política que o país tem enfrentado nos últimos anos, o empresário Geraldo Neto, 56, se mudou com a família para uma cidade na Flórida em 2017. O plano inicial era que apenas a filha mais velha deixasse o Brasil, para fazer faculdade.

“A gente olhava para os filhos recém-formados dos nossos amigos, sem emprego ou grandes perspectivas e ficava com receio de que o mesmo acontecesse com a nossa filha.”

Com medo da violência no Rio, Geraldo, a mulher e as duas filhas resolveram ir juntos para o exterior. Hoje, a mais velha estuda design na Pensilvânia, e a família pretende continuar morando fora ao menos até que a mais nova conclua a graduação.

“Antes da mudança, eu já era um investidor-anjo [que aporta recursos em startups]. Aqui, continuo fazendo o mesmo, investindo em empresas nos Estados Unidos, na Europa e também no Brasil”, conta. Ele, que diz ter se adaptado ao novo país, pondera que, apesar dos problemas, ainda acredita em uma virada da economia brasileira nos próximos anos.

As preocupações com a violência, as crises políticas e econômicas e a falta de crença em uma solução no curto prazo são apontadas principalmente pelas famílias com filhos, avalia Jorge Botrel, sócio da consultoria JBJ Parterns. “O Brasil passa, sem dúvida, por uma nova rodada de fuga de cérebros.”

“Há cada vez mais médicos, empresários, altos executivos de empresas e profissionais de tecnologia que sonham em morar no exterior. Sendo que mais da metade deles acaba buscando os EUA”, diz Botrel.

Em seguida, Portugal, Canadá e Inglaterra aparecem como os destinos de preferência. Mas enquanto os Estados Unidos e o Canadá costumam atrair profissionais mais jovens e em início de carreira, quem vai para Portugal geralmente tem mais renda. Nos últimos anos, as empresas também têm ajudado em mais processos de expatriação para a China e os Emirados Árabes.

Uma exceção é o médico pernambucano Daniel Kitner. Mesmo com uma carreira consolidada, ele se mudou com a mulher e os três filhos para os EUA. Após 20 anos de carreira, o geriatra teve de recomeçar praticamente do zero para conseguir exercer a profissão.

“Viemos em busca de qualidade de vida e foi como começar do zero, gastar muitas horas de estudo, viajar carregando livros e fazendo anotações. Mas compensou, a família se adaptou muito bem. Para o Brasil, no entanto, é sempre ruim perder profissionais qualificados”, diz o médico.

O caminho favorito dos profissionais qualificados é buscar o complemento de estudos no exterior por meio de um MBA ou solicitar a expatriação enquanto é funcionário de uma multinacional com filial no Brasil.

“Os EUA abriram uma porta para quem quer empreender e estão com alguma disponibilidade sem precisar fazer investimentos milionários", diz Freitas.

“Alguns deles costumam voltar depois e veem o movimento como uma forma de ganhar experiência e de crescer em uma empresa do Brasil mais tarde”, diz Maitée Camargo, associada sênior da Egon Zehnder, consultoria de gestão de executivos. Ela acrescenta que um diretor de multinacional no Brasil raramente vira presidente sem passar por outros postos no exterior.

Ela lembra que o movimento contrário, de vinda de executivos estrangeiros para o Brasil, teve um boom em 2008, com a crise internacional, e durou até 2012. Agora, esse fluxo se inverteu novamente.

Quem também optou por uma carreira no exterior foi a executiva Camila Finzi, 48. Ela, que ocupava um posto de chefia em uma multinacional farmacêutica no Brasil, onde já trabalhava há 11 anos, esperou as filhas crescerem para aceitar um posto nos Estados Unidos. Após mudar de país com o marido e as duas filhas, ela recebeu uma oferta de outra empresa, no Texas, onde vive hoje.

Ganhamos em qualidade de vida, apesar de as pessoas não serem tão abertas. Sair do Brasil abriu muitas possibilidades na carreira e, se quiser voltar, vou levar essa experiência extra”, diz a executiva.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

 

IMAGEM: DEFESA AÉREA & NAVAL

 

Dono de extensa costa marítima, o Brasil conta com cerca de 95% do comércio exterior movimentado por hidrovias. Além de rotas comerciais estratégicas, jazidas minerais altamente valiosas estão localizadas em territórios marítimos.

Segundo o almirante de esquadra Almir Garnier, comandante da Marinha, o patrulhamento e a defesa das fronteiras aquáticas brasileiras estão prestes a receber o reforço de quatro novos submarinos e de fragatas classe Tamandaré.

Segundo o comandante, o primeiro submarino será recebido pela esquadra brasileira até o final deste ano, enquanto as três outras embarcações serão finalizadas no decorrer de 2022. A construção de submarinos é tida como indústria estratégica pelo governo brasileiro, já que impulsiona o desenvolvimento industrial e tecnológico, além de prover treinamento e patrulhamento ostensivo na imensa costa brasileira.

“Esse é o sistema de gerenciamento da Amazônia Azul. Todo esse patrimônio brasileiro precisa de um sistema de gerenciamento e coordenação que enxergue tudo do alto, de lado, de baixo”, afirmou o comandante da Marinha em entrevista hoje (8) ao programa A Voz do Brasil.

Almir Garnier informou que um dos papéis da Marinha é definir as fronteiras marítimas brasileiras pela presença de navios e contingente em vigília constante, que monitoram e defendem interesses nacionais de acordo com a legislação vigente.

Forças Armadas na pandemia

Sobre o trabalho da Marinha durante a pandemia, Garnier ressaltou o apoio logístico à distribuição de medicamentos, alimentos, roupas, vacinas e insumos para famílias em locais isolados do território nacional. “Estamos envolvidos completamente nisso [combate à pandemia]. O nosso centro tecnológico, juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu e produziu respiradores, que no início da pandemia eram muito críticos. Fizemos desinfecções de lugares públicos com a nossa equipe de capacidade de guerra bacteriológica, fizemos atividades de vacinação em todo o país, onde é mais difícil o acesso”, afirmou.

O almirante de esquadra lembrou ainda que a Marinha atuou na distribuição de alimentos para caminhoneiros no início da pandemia, quando a maior parte dos estabelecimentos comerciais de rodovias federais foram fechados.

Navios da esperança

Sobre a ação dos chamados navios da esperança – embarcações da Marinha que levam ações sociais a comunidades remotas -, Garnier informou que um dos papéis da Marinha é levar cidadania e assistência social à população.

“Muitas vezes essas famílias remotas, em localidades muito longínquas do nosso território, o único médico, o único dentista que eles veem na vida inteira é um médico da Marinha, possivelmente.”

Segundo o militar, os navios da esperança fazem 35 mil atendimentos ao ano, em cerca de 600 comunidades. “Indígenas, brasileiros de várias descendências – todos são atendidos com o mesmo carinho”, complementou.

Batalha de Riachuelo 

O comandante lembrou, ainda, da chamada data magna da Marinha do Brasil, 11 de junho, dia da Batalha Naval de Riachuelo. Travada em Corrientes, no Paraguai, a batalha foi um dos conflitos decisivos da A Guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre 1864 e 1870. 

“É importante que se diga que não celebramos a batalha em si, que é sempre dolorosa. Perdemos muitas vidas. O que celebramos são os valores morais que surgem nos momentos de adversidade. São os heróis que cultuamos: o almirante Barroso, o marinheiro Marcílio Dias, o guarda-marinha Greenhalgh. Jovens cheios de sonhos que deixaram suas vidas para defender a nossa bandeira, a nossa soberania”, afirmou o almirante de esquadra Garnier.

“Esses valores morais que aqueles brasileiros patriotas emprestaram para nós estão presentes até os dias de hoje. São marinheiros que, em momentos de adversidade, se superam e vão adiante. É isso que celebramos, são esses exemplos que não queremos que morram nos nossos marinheiros e no povo brasileiro”, concluiu.

FONTE: Agência Brasil

Navio está em quarentena desde sexta-feira (4) — Foto: SVS/Divulgação

Navio está em quarentena desde sexta-feira (4) — Foto: SVS/Divulgação

Foram 19 casos confirmados e dois ainda aguardam resultado. SVS e Anvisa acompanham a situação da embarcação que entrou de quarentena na sexta-feira (4).

Um navio brasileiro fundeado próximo à Macapá, no Rio Amazonas, entrou em quarentena depois que quase toda a tripulação foi infectada com o novo coronavírus. O governo do Amapá confirmou nesta terça-feira (8) que 19 pessoas a bordo testaram positivo para a Covid-19. Três delas precisaram ser internadas em um hospital da cidade.

Não é a primeira vez que um navio precisa ficar em quarentena na região em meio à pandemia. Em março, um tripulante de um porta-contêiner faleceu com Covid-19, e outros também ficaram infectados e precisaram de atendimento médico em Macapá.

A embarcação em quarentena desde sexta-feira (4) é especializada no transporte de mercadorias a granel, de bandeira brasileira e havia zarpado de um porto do estado do Maranhão antes de parar em águas amapaenses.

Ao todo, são 23 tripulantes monitorados – só dois ainda não receberam resultado dos exames. O grupo passou por testes e foi avaliado por equipes da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o governo, foi aberta investigação para identificar qual a cepa das infecções. As amostras serão enviadas para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, para que sejam feitos os sequenciamentos genéticos.

“É um monitoramento diário para que a gente não só assegure a eles a vida, mas também diminua qualquer possibilidade de risco de uma cepa nova pegar a gente de surpresa no Amapá”, comentou o governador Waldez Góes (PDT).

O gestor reforçou a necessidade de manter as medidas de prevenção de contágio.

“A cobertura vacinal no Brasil é baixa. Esta preocupação, enquanto não tiver una cobertura vacinal mais intensa, a gente precisa redobrar os cuidados. Mesmo vacinadas, as pessoas não podem deixar de usar máscara, fazer a higiene pessoal, porque a pessoa pode pegar. Vacinado dificulta o agravamento”, pontuou.

FONTE: G1

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Marcello Casal Jr./Agência Brasil

IMAGEM: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

STF julga processo sobre o recálculo; se revisão for autorizada, custo aos cofres públicos seria de R$ 46 bi em 10 anos

Em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), a revisão de aposentadorias considerando inclusive os salários do trabalhador anteriores ao Plano Real atrasaria a concessão de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), segundo o Ministério da Economia.

De acordo com nota técnica do governo, é "praticamente impossível automatizar cálculos" caso a decisão seja por autorizar a contagem com base em todas contribuições previdenciárias, incluindo as anteriores a julho de 1994.

A tese a favor do recálculo da aposentadoria, mais conhecida como revisão da vida toda por causa dessa maior abrangência temporal, pode gerar um custo adicional aos cofres públicos de R$ 46,4 bilhões em dez anos, segundo estimativa da equipe econômica.

Até esta quarta-feira (9), o placar estava quatro a três contra o recalculo. Os ministros Kassio Nunes Marques, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Dias Toffoli votaram contra a mudança no valor da aposentadoria, enquanto Marco Aurélio, Edson Fachin e Cármen Lúcia foram favoráveis. 

O julgamento ocorre no plenário virtual e os outros ministros têm até sexta-feira (11) para incluírem seus votos no sistema.

Num parecer, o Ministério da Economia diz que há ausência de informações no sistema interno do INSS e prevê que, se derrotado no STF, haverá considerável aumento dos atendimentos na agência da Previdência Social, já que caberá ao segurado comprovar as contribuições pagas antes do Plano Real.

"Dessa forma, a tendência seria haver um grave efeito negativo sobre a celeridade na concessão de benefícios com prejuízos relevantes para todos os segurados do INSS", concluiu a pasta.

Uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) permite o recálculo das aposentadorias. A União questiona esse entendimento e aguarda a decisão do plenário do STF.

O IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário) considera justa a revisão. "O segurado vai receber nada além do que ele contribuiu", disse a presidente do IBDP, Adriane Bramante.

Bramante afirmou que nem todos podem se beneficiar com o recálculo levando em consideração as contribuições anteriores ao Plano Real. Por isso, o custo operacional do INSS não seria tão elevado.

"Isso [não ter dados no sistema] não é desculpa para deixar de dar o direito da pessoa", afirmou.

Segurados que tinham altas contribuições antes do Plano Real podem se beneficiar dessa revisão. Para isso, precisam acionar a Justiça.

Tribunais começaram a aplicar a decisão do STJ, concedendo acréscimo no valor da aposentadoria ou pensão com base em todas as contribuições pagas, mesmo as anteriores a julho de 1994.

No ano passado, porém, o STF aplicou repercussão geral à discussão, o que significa que a decisão valerá para todos os processos sobre o tema, e suspendeu a tramitação de todas as ações do país que tratam do tema.

O desfecho final desse caso depende do resultado do STF, que analisa um recurso da AGU (Advocacia-Geral da União) contra a decisão do STJ.

Ministério da Economia pede que o entendimento do STJ seja derrubado e não seja permitido o aumento nos valores da aposentadoria gerado pela revisão da vida toda.

"Por conta de questões específicas burocráticas, questões específicas formais, questões específicas de Justiça previdenciária, criamos um marco legal em julho de 1994, momento em que houve estabilização da nossa moeda. Isso é uma lei, uma regra", disse o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, em debate virtual nesta quarta.

O custo imediato estimado pelo governo é de R$ 20 bilhões, considerando o pagamento de parcelas passadas.

Para os próximos dez anos, a conta é que R$ 26,4 bilhões seriam desembolsados para elevar benefícios que podem ser atendidos pela revisão.

Até a reforma da Previdência (novembro de 2019), o valor da aposentadoria era calculado com base nos 80% maiores salários a partir de julho de 1994. Uma decisão do STJ amplia essa base e tem potencial de aumentar o benefício de quem recebia altos salários.

"Agora se busca avaliar o período pretérito, anterior a 1994, que tem uma estabilidade abissal, enorme", disse Bianco.

Segurados que querem se beneficiar da revisão da vida toda devem ficar atentos a alguns pontos. Há um prazo para pedir o novo cálculo à Justiça.

Esse limite é de dez anos contados a partir da data de recebimento da primeira aposentadoria.

Além disso, a legislação permite que o pagamento retroativo seja de apenas cinco anos. Isso significa que, mesmo em caso de decisão favorável no processo judicial, o INSS irá pagar o adicional referente aos últimos cinco anos.

O primeiro a votar sobre o tema no STF foi Marco Aurélio, relator do caso. Ele afirmou que não é correto falar em majoração de benefício sem contrapartida, muito menos em ofensa ao equilíbrio financeiro ao Regime Geral da Previdência.

"Ao contrário, o enfoque prestigia a realidade dos fatos, uma vez que o afastamento da limitação temporal, considerada a regra definitiva, permite alcançar recolhimentos efetivamente realizados", afirmou.

O ministro argumentou, ainda, que a jurisprudência atual do Supremo concede ao segurado o direito ao cálculo mais vantajoso.

Kassio Nunes Marques, porém, inaugurou a divergência e foi acompanhado por três colegas.

O magistrado afirmou que a mudança no cálculo foi uma opção legítima do Congresso a fim de facilitar o cômputo de contribuições à Previdência anteriores à alteração da moeda vigente no país.

REVISÃO DE APOSENTADORIAS

O STF (Supremo Tribunal Federal) iniciou o julgamento da revisão da vida toda. Confira abaixo o que é essa revisão e quem pode ser beneficiado por ela:

Mudança na lei é base para a revisão

Ao fazer a reforma da Previdência em 1999, o governo criou duas fórmulas de cálculos para a média salarial:

  1. Para quem já era segurado do INSS até 26 de novembro de 1999
    A média salarial é calculada sobre 80% das maiores contribuições feitas a partir de julho de 1994
  2. Para quem começou a contribuir com o INSS a partir de 27 de novembro de 1999
    A média é calculada sobre 80% dos mais altos recolhimentos desde o início das contribuições (sem definir a data de início das contribuições)

O que os aposentados pedem:

Trabalhadores que começaram a contribuir com a Previdência até 26 de novembro de 1999 pedem para que seja aplicada a eles a mesma regra do grupo que começou a recolher a partir de 27 de novembro daquele ano, ou seja, a inclusão de todas as suas contribuições no cálculo da aposentadoria.

Para usar um termo técnico, esses aposentados pedem à Justiça revisão do seu PBC (Período Básico de Cálculo), para incluir os salários recebidos antes da criação do real no cálculo da aposentadoria.

Período a ser revisado

O governo aprovou uma nova reforma da Previdência em 13 de novembro de 2019 e modificou novamente o cálculo da média salarial.

A nova regra diz que, para todos que atingem condições de se aposentar a partir do dia 13 de novembro de 2019, a média salarial é calculada com todas as contribuições a partir de julho de 1994.

Ou seja, a nova regra é clara quanto ao período das contribuições que entram no cálculo dos benefícios previdenciários pagos pelo INSS.

Por isso, a revisão da vida toda só pode ser aplicada para quem completou os requisitos para se aposentar até 13 de novembro de 2019.

Quem pode ter direito

Para ter a possibilidade de recorrer à Justiça para exigir o direito à revisão da vida toda o segurado precisa preencher os seguintes requisitos:

  1. Ter feito contribuições ao INSS ou trabalhado com carteira profissional assinada antes de julho de 1994
  2. Aposentou-se depois de 27 de novembro de 1999 e antes de 13 de novembro de 2019
  3. Recebeu o primeiro pagamento da aposentadoria há menos de dez anos e, por isso, ainda está dentro do prazo que antecede a decadência do direito de revisar o benefício

E para quem vale a pena?

A revisão da vida toda só valerá a pena se as contribuições feitas antes de julho de 1994 foram realizadas sobre valores que, em média, eram mais altos do que as realizadas após essa data.

Pode ser, por exemplo, o caso de um trabalhador da indústria que teve bons salários na década de 1980 e início dos anos 1990, mas foi demitido e passou a trabalhar em atividades que pagaram salários mais baixos após julho de 1994. Mas essa revisão não trará vantagem para quem, por exemplo, só atingiu o auge da carreira e recebeu os maiores salários da vida profissional após julho de 1994

Só com cálculos

Antes de pedir a revisão, é fundamental consultar escritórios de advocacia ou contadores especializados em cálculos previdenciários.

O cálculo da revisão da vida toda é dos mais complexos, pois envolve contribuições feitas em outras moedas, anteriores ao real.

Somente após a atualização dos valores das contribuições antigas será possível avaliar se valerá a pena iniciar a ação judicial.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Profissional de saúde segura frasco de vacina contra Covid-19 CoronaVac em Kiev, na Ucrânia

 IMAGEM: (Valentyn Ogirenko/Reuters)

 

As internações em terapia intensiva e mortes por Covid-19 foram reduzidas em mais de 90% na população geral do Uruguai que tomou as duas doses das vacinas CoronaVac e Pfizer, indicou um relatório divulgado pelo governo nesta terça-feira.

O país, que tem 3,5 milhões de habitantes, tem conduzido uma bem sucedida campanha de vacinação, que o coloca junto ao Chile na vanguarda na América do Sul.

Ainda assim, os uruguaios atravessam uma forte onda de contágios, que situam o país entre os primeiros do mundo em número de mortes por milhão de habitantes.

 Segundo dados do Ministério da Saúde Pública, quase 52% da população recebeu uma dose da vacina contra a Covid-19 e 29% foi imunizada com as duas doses do imunizante até o dia 1 de junho.

Os resultados do relatório incluem as pessoas vacinadas com ambas as doses, depois de mais de 14 dias após a aplicação da última.

Sobre a vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, o estudo mostrou que “em todos os subgrupos analisados a porcentagem de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 61%; a redução de entrada nas unidades de terapia intensiva (UTIs) é acima de 92%, e a de redução de mortes pela doença passa de 95%”.

Os subgrupos para a CoronaVac correspondem às populações entre 18 e 49 anos de idade, e entre 50 e 69 anos.

Em relação à vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, o documento acrescenta que “a porcentagem de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 78%, em reduzir admissões na UTI passa de 94% e de evitar mortes supera os 94%”.

O imunizante da Pflzer foi destinado a pessoas com 80 anos ou mais, e aos profissionais de saúde.

FONTE: REUTERS