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IMAGEM: DANILO VERPA/FOLHAPRESS

 

Após resistir a benefício de R$ 600, reduzir a R$ 300 e decretar fim do auxílio emergencial, governo levará economia a mais desemprego e castigará informais

O desemprego tem batido recordes e já atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Segundo dados do IBGE, de maio a novembro houve um acréscimo no número de desempregados na ordem de 4 milhões. E o legado de 2020 será muito negativo, apontando para um triste cenário nas condições do mercado trabalho, particularmente no desemprego.

“A gente olhando os dados do IBGE nota que a partir de setembro piora a taxa de desemprego e aumenta, portanto, a desocupação. E isso deve permanecer em 2021”, alerta o diretor-adjunto do Dieese, José Silvestre. Segundo ele, dois aspectos fundamentais devem influir nessa questão. Um, a perspectiva do fim do auxílio emergencial; e outro o afrouxamento do isolamento social, que faz com que as pessoas voltem a procurar emprego.

A taxa de desemprego manteve-se estável até por volta de agosto, setembro também em razão disso: as pessoas não tinham perspectiva, e enfrentavam restrições para sair e para procurar emprego. “À medida que tem esse afrouxamento do isolamento social, as pessoas voltam a procurar, e evidentemente com muitas dificuldades para encontrar”, diz Silvestre, em entrevista à Rádio Brasil Atual. “Então, esses dois aspectos – fim do auxílio e aumento da procura – contribuem em muito para o aumento do desemprego. E os indicadores e projeções de crescimento da economia para 2021 apontam para uma insuficiência na capacidade do país de criar empregos na magnitude necessária para amenizar a situação, sobretudo das pessoas que estão no mercado informal.”

Fim do auxílio emergencial e endividamento

A situação de informalidade é estrutural do mercado de trabalho brasileiro, se agravou após a “reforma” trabalhista de 2017 e, como mostram os dados do IBGE, ficou escancarada com o crescimento maior do desemprego entre os trabalhadores informais. “Quando ela (reforma) entra em vigor, em novembro de 2017, a gente observa uma piora das condições de trabalho e uma precarização do mercado de trabalho, que vai se aprofundando com a crise da pandemia a partir de março, quando a gente vê uma evolução informalidade”, diz o técnico do Dieese, observando que o home office é um recurso restrito essencialmente aos trabalhadores do mercado formal com ocupações que permitem o trabalho remoto.

Para Silvestre, é provável que o fim do auxílio emergencial agrave o endividamento das famílias. “Isso certamente vai afetar a rendimento das famílias, e o consumo. Assim, deve aumentar o endividamento dessas pessoas, porque elas não têm perspectivas. Com o fim do auxílio emergencial, e sem emprego, há uma situação crítica. Vai também aumentar também a desigualdade, vai aumentar a miséria. Não há dúvida que o auxílio emergencial teve contribuição importante inclusive para que a queda na economia não fosse tão acentuada. Porque esses recursos foram fundamentalmente destinados ao consumo. As pessoas precisam comer. Certamente vamos assistir a uma piora da miséria e da pobreza, como já está sendo projetado.”

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Frasco da vacina russ

Anúncio foi feito em encontro virtual do presidente Alberto Fernández com governadores. Províncias receberão “de forma proporcional e equitativa” as primeiras 300 mil doses da vacina Sputnik V

No sábado (26), o presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou oficialmente que a vacinação contra a covid-19 no país terá início na próxima terça-feira (29). Na madrugada de ontem, chegaram as primeiras doses da vacina russa Sputnik V.

No anúncio, feito em encontro virtual de Fernández com governadores, o presidente afirmou que as províncias receberão “de forma proporcional e equitativa” as primeiras 300 mil doses para começar a aplicá-las simultaneamente em todo o país. A campanha de vacinação terá como primeiro grupo os trabalhadores de saúde mais expostos ao risco de contágio.

Mesmo com o início próximo da vacinação, Fernández voltou a ressaltar a necessidade de a população manter os cuidados em relação à disseminação do vírus. “A ideia é que quando chegar o outono teremos o maior número de pessoas em risco vacinadas, esse é o meu objetivo. Enquanto isso, cuidem de nós mesmos e que nossos compatriotas entendam que o risco é latente e que é necessário evitar aglomerações como as dos últimos dias ”, destacou.

 A campanha de vacinação na Argentina será realizada de forma coordenada entre as lideranças provinciais e o governo federal. O presidente comemorou que “tivemos uma possibilidade enorme de acesso como ninguém no mundo da periferia acessou”. “Devemos continuar trabalhando juntos porque a única preocupação que temos é garantir a saúde dos argentinos e nisso não temos partido político”, disse aos governadores.

Vacinação contra a covid-19 na América Latina

Nesta quinta-feira (24), teve início a vacinação contra a covid-19 no México e no Chile. Os dois países adquiriram doses do imunizante produzido pela Pfizer.

A enfermeira María Irene Ramírez, de 59 anos, foi a primeira pessoa da América Latina a receber a vacina. “É o melhor presente que poderia ter recebido em 2020”, disse ela, que é chefe de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Rubén Leñero, na Cidade do México.

No Chile, a auxiliar de enfermagem Zulema Riquelme, do Hospital Sótero del Río, foi a primeira pessoa a ser imunizada pela vacina da Pfizer no país e ressaltou que os cuidados com a prevenção devem continuar.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

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IMAGEM: MGIORA

 

Lançado em abril, o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), programa que permitia a redução de salário ou suspensão de contratos de trabalho durante a pandemia, chega ao fim nesta quinta-feira (31).

De acordo com advogados trabalhistas ouvidos pelo G1, as empresas terão que voltar à jornada normal a partir do dia 1º de janeiro, a não ser que o programa seja prorrogado novamente pelo governo federal.

Os especialistas destacam que os empregados que tiveram o contrato suspenso ou o salário reduzido têm direito à estabilidade no emprego pelo mesmo período em que tiveram o contrato suspenso ou a redução de salário. A regra só não será aplicada para quem for demitido por justa causa.

A medida previa uma redução de jornada e salário em 25%, 50% ou 70%, e o governo pagando um benefício emergencial ao trabalhador para repor parte da redução salarial.

As empresas podiam optar ainda por pagar mais uma ajuda compensatória mensal a seus funcionários que tiveram o salário reduzido.

FONTES: ESTADÃO/ISTOÉDINHEIRO

Getty Images

Imagem: Getty Images

 

Nações em desenvolvimento devem ficar para trás na corrida da recuperação econômica depois que Europa e EUA compraram maior parte das vacinas

O abismo econômico entre os países ficou ainda mais evidente diante da distribuição das vacinas contra a covid-19: enquanto Europa e EUA compraram boa parte dos estoques, nações em desenvolvimento (e lar de maior parte do planeta) devem ficar para trás na imunização de seus cidadãos.

 

Tudo indica que essa distribuição pode piorar aquilo que já existe: o avanço da desigualdade entre países. Os países mais pobres seguem contabilizando vítimas fatais, além de verem suas dívidas com credores nos Estados Unidos, Europa e China subindo ainda mais.

Diversas organizações de ajuda, países ricos e filantropos se uniram para tentar garantir tudo o que for necessário para os países pobres combaterem a pandemia, mas não conseguiram escorar suas garantias com recursos suficientes.

Além disso, o lobby de farmacêuticas (que exerce grande influência dentro dos países ricos) impediu a quebra de patentes de medicamentos, uma proposta apresentada por países em desenvolvimento capitaneada por África do Sul e Índia, que tinha por objetivo aumentar a quantidade de doses disponíveis por meio da fabricação própria, com o apoio das empresas farmacêuticas.

Enquanto isso, os países avançados estão por encerrar a concessão de auxílio à suas economias, e a suspensão das restrições pode afetar favoravelmente suas economias a partir de março ou abril de 2021 – contudo, não se sabe ao certo quando a rotina será normalizada, por conta da potência do vírus em países como França, Alemanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos. 

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

 

IMAGEM: ARQUIVO PETROBRAS

 

Brasilcom pede que as vendas somente prossigam "quando forem estabelecidas regras de transição com medidas que salvaguardem a boa e saudável concorrência"

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 28, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom), que representa 46 distribuidoras de combustíveis, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a suspensão temporária do programa de privatização das refinarias da Petrobras.

A Brasilcom pede ao órgão que as vendas somente prossigam “quando forem estabelecidas regras de transição com medidas que salvaguardem a boa e saudável concorrência, e que protejam o mercado de distribuição de práticas anticoncorrenciais com seus nefastos impactos no bolso dos consumidores de combustíveis”.

No ofício enviado ao Cade, a Brasilcom explica que o parque de refino brasileiro foi construído, pela Petrobras, na década de 1970 seguindo uma política de desenvolvimento da indústria de base, fruto do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), como resposta à crise mundial resultante do choque do preço do petróleo.

“Neste sentido, esse foi construído ainda dentro de uma lógica de desenvolvimento regional, desconcentrando nosso parque industrial em capitais de vários estados brasileiros, para além do Sudeste. Assim, para que aconteça realmente uma maior concorrência no mercado de derivados será preciso construir novas refinarias e não apenas a substituição do seu proprietário”, diz o texto do comunicado.

FONTE: AGÊNCIA ESTADO

Montagem: Linton Publio

 

Dezenas de estudos comprovam que a queda da representação sindical é uma das principais causas do aumento brutal das desigualdades nos Estados Unidos. Um projeto que vem de longe

Este é um gráfico que nunca chama a atenção o suficiente: a porcentagem de trabalhadores em empresas privadas nos Estados Unidos que pertencem a um sindicato .

A evolução do sindicalismo e do movimento operário nos Estados Unidos é uma daquelas histórias nascidas em parte ao acaso e que tiveram um enorme impacto na estrutura econômica do país nos últimos 80 anos. Vamos ver por que. A lei oficializou o princípio norteador básico das relações sindicais  e empresariais, o contrato, produto final de uma negociação entre os dois agentes que produz um documento de pleno valor jurídico. Ela também formalizou algo que seria um componente constante do movimento trabalhista americano e que se tornaria seu calcanhar de Aquiles: os contratos são válidos para empresas ou cobrem determinada categoria profissional dentro de uma empresa. Eles não são setoriais.

Durante os anos em que a legislação esteve em vigor, porém, esse detalhe não foi muito importante. A massiva mobilização da Segunda Guerra Mundial deu aos trabalhadores um tremendo poder de barganha. Isso, combinado com uma administração claramente do lado dos empregados, contribuiu para uma expansão massiva do sindicalismo no país.

Em 1945 e 1946, isso também causou uma grande onda de greves e distúrbios trabalhistas. Quando os republicanos reconquistaram o Congresso em 1946, decidiram que as coisas estavam saindo do controle e que o comunismo era iminente, então empurraram a Lei Taft-Harley para perfurar aquele balão.

Taft-Harley: Combatentes Comunistas

Taft-Harley é uma daquelas leis que aparentemente não são muito agressivas, mas que sua implementação e desenvolvimento jurídico acabam tornando-as cruciais. Em princípio, tudo o que TH faz é proibir várias “práticas sindicais injustas”, como greves de solidariedade, greves selvagens (uma das minhas expressões favoritas) e piquetes em massa. Ele também baniu os chamados closed shops, contratos sindicais que tornavam obrigatória a sindicalização para trabalhar em uma empresa.

As duas mudanças mais significativas, no entanto, foram mais sutis: proibição de doações diretas para campanhas políticas federais e permissão aos estados para que aprovassem leis de “direito ao trabalho”. A primeira parte é significativa porque elimina a possibilidade de os sindicatos se articularem com candidatos em algo como um partido trabalhista. Embora tenham continuado (e continuem) a intervir na política, têm de fazê-lo com comitês de ação política independentes, não endossando candidatos oficialmente.

A segunda parte concentra-se em um detalhe importante. Até 1947, os sindicatos podiam negociar contratos que incluíam uma cláusula que exigia que todos os empregados incluídos no contrato pagassem uma taxa sindical, independentemente de serem ou não membros. A Taft-Harley permite que os estados possam banir esse tipo de cláusula, permitindo que os funcionários optem por não pagar, mas ainda assim receber os benefícios da negociação coletiva. Isso cria situações em que um sindicato em teoria pode tentar representar os trabalhadores, mas não tem recursos para cobrir os custos de uma negociação que os empregadores inevitavelmente tentam fazer que seja a mais cara possível, fragilizando seu poder de barganha.

As leis de direito ao trabalho se espalharam rapidamente, especialmente nos estados do Sul. A ideia de que trabalhadores negros e brancos pudessem compartilhar um sindicato era algo que parecia tão repreensível para muitos que preferiam acabar com o sindicalismo antes de misturar raças.

O impacto Taft-Harley, no entanto, não foi imediato. Durante a década de 1950, o ápice do poder imperial americano, a taxa de desemprego era tão minúscula que os trabalhadores ainda tinham considerável poder de barganha. Em um mundo onde o poderio industrial da América era inquestionável, as empresas podiam se dar ao luxo de ser paternalistas. Além disso, os reguladores ainda eram novos negociadores  , de modo que o NLRB continuou a não ser muito hostil. Houve alguma queda no número de membros, especialmente no Sul, mas o poder do movimento sindical permaneceu.

Nixon, de novo

A mudança veio, como em tantas outras coisas, devido a um velho conhecido: Richard Milhous Nixon. A crise do petróleo interrompeu a sequência ininterrupta de décadas de pleno emprego nos Estados Unidos, exatamente quando a indústria nacional começava a ter que competir com alemães e japoneses. Devido ao acidente histórico do seguro saúde empresarial de que falamos uma vez, os custos do trabalho por trabalhador, especialmente em empresas com sindicatos fortes, eram mais elevados do que em países com Estados de bem-estar social. O ativismo social da década de 1960 também tornou os sindicatos mais militantes, expandindo suas bases para incluir mulheres, latinos e negros.

Nixon não mudou uma vírgula na Taft-Harley. O que fez foi nomear cinco reacionários para o NLRB, permitindo que as empresas agissem de forma muito mais agressiva  contra qualquer tentativa de formar um sindicato.

Por exemplo, uma das provisões de TH permite que os empregadores montem campanhas de propaganda anti-sindical quando alguém está tentando organizar uma na empresa. Nas semanas que antecedem a votação pela sindicalização, um empregador pode forçar os trabalhadores a comparecerem a briefings sobre os horrores do sindicalismo e como, se votarem mal, podem ter que fechar a fábrica e ir para a China. Mudanças na jurisprudência de facto eliminaram o método tradicional de coleta de assinaturas (cheque de cartão) para sindicalizar, obrigando a votação com urnas, onde o empregador pode pressionar muito mais.

Mais significativamente, o governo federal simplesmente parou de penalizar as empresas que violavam os direitos sindicais. Em teoria, é totalmente ilegal demitir um trabalhador que está tentando formar um sindicato, o que regulamenta o tipo de “educação anti-sindical” que empresas podem promover. Na prática, o governo federal aprovou tudo e, quando agiu, as penalidades por violação desses direitos foram e são ridículas. A NLRA era, originalmente, uma agência que tinha que defender os direitos dos trabalhadores em disputas trabalhistas, quando uma empresa fazia algo atroz, era a NLRA que representava o trabalhador. Nixon primeiro, e Reagan depois, simplesmente atrofiou a agência ao ponto de ficar inoperante.

As empresas foram rápidas em perceber essas mudanças. Como mostra este ótimo artigo do EPI,  do qual obtive muito do que você está lendo, nos Estados Unidos existe uma indústria de consultores, advogados e MBAs que ganham a vida ajudando empresas a reprimir qualquer tentativa de sindicalização. Eles são pessoas que conhecem as táticas, estratégias e limites legais em detalhes e os aplicam com energia. Se você quiser vê-los em ação, o fantástico documentário  American Factory  (Netflix) tem um exemplo perfeito de uma dessas batalhas jurídicas.

Oportunidade e desigualdade

Aqui estamos hoje, em um país onde os trabalhadores do setor privado têm pouca ou nenhuma capacidade de negociar qualquer coisa com as empresas em pé de igualdade. Sabemos (porque existem dezenas de estudos que o comprovam) que a queda da representação sindical  é uma das principais causas do aumento brutal das desigualdades nos Estados Unidos. Essa mudança regulatória da era Nixon e sua continuação sob Reagan era virtualmente invisível e não exigia nenhuma lei no Congresso. Seus efeitos, entretanto, foram enormes.

Vale ressaltar, como nota final, quão acidental  tem sido a evolução do movimento sindical americano. A tradição europeia de negociação e acordos setoriais não existe nos Estados Unidos não por uma decisão política, mas por uma decisão judicial. O National Industrial Recovery Act  de 1933 , o antecessor do NLRA, incluiu algo semelhante a essa estrutura, mas o Supremo declarou-a inconstitucional em 1935 e Roosevelt mudou de curso.

Uma parte significativa das enormes desigualdades econômicas nos Estados Unidos, portanto, é o resultado de uma decisão judicial sobre um assunto adjacente à representação sindical e cinco reguladores nomeados por Richard Nixon. Para que depois digam que a política não importa.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Porquinho, dinheiro e calculadora

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Desemprego recorde, inflação pressionada, dívida pública crescente, incerteza política para aprovação das reformas, aumento de casos da pandemia e isolamento internacional.

Após um ano difícil como 2020, o brasileiro sonha com um 2021 melhor. Mas, na economia, são muitas as pedras no caminho para que o ano que vem seja mais fácil do que o atual.

A BBC News Brasil ouviu um time de especialistas — Daniel Duque (Ibre-FGV), Julia Passabom e Fernando Gonçalves (Itaú), Daniel Couri (IFI), Alessandra Ribeiro (Tendências Consultoria) e Christopher Garman (Eurasia) — para saber o que esperar do ano que se inicia.

Nem tudo são más notícias, no entanto: a elevada disponibilidade de recursos no exterior, o dólar mais estável e a possibilidade de Bolsonaro eleger um aliado para a presidência da Câmara podem jogar a favor do governo no ano que vem. A questão é saber, nesse jogo de forças negativas e positivas, quais delas vão prevalecer.

1) Desemprego recorde e fim do auxílio emergencial

A taxa de desemprego chegou a 14,6% no terceiro trimestre de 2020, a maior já registrada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na série histórica com início em 2012.

Ao fim de setembro, o país somava 14,1 milhões de desempregados. E a má notícia é que esses números tendem a continuar a crescer nos próximos meses.

Serão batidos recordes em cima de recordes no desemprego, projetam os economistas. Isso mesmo em um cenário favorável ao crescimento de abertura de vagas.

"O mercado de trabalho em 2021 vai ser marcado por uma recuperação da população ocupada, junto a uma alta da taxa de desemprego, devido ao aumento da participação na força de trabalho", diz Daniel Duque, pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

"Em 2020, houve uma grande parcela da população que perdeu a ocupação, mas não procurou emprego. Eles devem voltar a procurar ocupação em 2021", explica o economista. Com isso, a taxa de desemprego tende a subir, já que o IBGE só considera como desempregadas pessoas que estão efetivamente em busca por trabalho.

O Ibre-FGV projeta uma taxa de desemprego média de 13,6% para 2020 e de 15,6% em 2021, com as maiores taxas sendo registradas entre o segundo e o terceiro trimestres do ano que vem.

Com o fim do auxílio emergencial, Duque estima que a pobreza extrema (famílias com renda mensal de até R$ 155 por pessoa) pode atingir entre 10% a 15% da população em janeiro. Já a pobreza (famílias com renda per capita mensal até R$ 425) deve abarcar entre 25% e 30% dos brasileiros no início do ano.

Durante 2020, com o auxílio ainda em R$ 600, esses índices chegaram a 2,4% e 18,3% respectivamente, os menores da história. Antes da pandemia, eram de 6,5% e 24,5%. Ou seja, no início do próximo ano, a situação estará pior até mesmo do que no pré-pandemia.

"Ano que vem, teremos uma perda de massa de renda muito alta com o fim do auxílio emergencial e parte da poupança da classe média já terá sido gasta. Então certamente o que veremos será o consumo das famílias perdendo um pouco de espaço", diz Duque.

2. Inflação em alta e subida da taxa de juros

Outro fator que deve jogar contra o consumo das famílias no início de 2021 é a inflação.

Embora a mediana do mercado aponte para um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechando em alta de 4,39% este ano e desacelerando para 3,37% ao fim de 2021, segundo o boletim Focus do Banco Central de 21/12, a taxa acumulada em 12 meses deve ficar acima dos 5% durante boa parte do próximo ano, só perdendo força nos últimos meses.

Com isso, deve haver pressão para que o BC volte a subir a taxa básica de juros, que está atualmente em 2%, mas o mercado já vê a 3% ao fim de 2021 e a 4,5% em 2022.

Julia Passabom, analista de inflação do Itaú, espera que os alimentos, que devem fechar 2020 com uma alta de preços perto de 18%, desacelerem para alta entre 3,5% a 4% em 2021, devido ao aumento de safras e acomodação do preço das commodities e do câmbio no mercado internacional.

Por outro lado, a inflação de serviços deve ganhar força com a retomada da atividade, com peso, por exemplo, do reajuste das mensalidades escolares, que pouco subiram e até sofreram descontos este ano.

Também os preços administrados — planos de saúde, medicamentos, transporte público, energia elétrica e combustíveis — devem pesar no bolso em 2021, já que muitos reajustes foram represados em 2020 devido à pandemia.

"A inflação acumulada em 12 meses vai ficar muito tempo rodando alta. Do final do segundo trimestre ao terceiro, vai rodar acima dos 5%. Para nós, ela bate o pico em 5,8% em maio, acima do teto da meta", diz Passabom. A meta da inflação para 2021 é de 3,75%, podendo chegar a 5,25% no intervalo de tolerância. "Será um cenário desconfortável."

Nesse cenário, o Itaú espera que a Selic permaneça no patamar atual até agosto. Mas, em setembro, o Banco Central deve dar início a um novo ciclo de alta da taxa. Para o Itaú, a Selic deve fechar o próximo ano em 3,5%.

Segundo Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do banco, mesmo a 3% ou 3,5%, a taxa de juros seguirá estimulando a economia através do canal do crédito.

"Certamente, é menos estimulativo do que níveis mais baixos. Então, na margem, haverá um aperto das condições financeiras, mas o Banco Central só deverá fazer esse aperto num cenário em que esteja havendo uma retomada da economia", diz Gonçalves.

3. Desequilíbrio das contas públicas

"O cenário fiscal já era desafiador antes da pandemia e ela colocou um desafio adicional, que é lidar com esses gastos, isso tudo tendo que ser compatibilizado com nossas regras fiscais. Esse será o desafio para 2021", diz Daniel Couri, diretor da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado Federal).

Em seu cenário básico, a IFI avalia que a dívida bruta do governo não deve explodir, mas também não deve parar de crescer até 2030. Ela deve ir de 93% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2019, para 96,2% esse ano, subindo ano a ano, até superar os 100% do PIB em 2024.

Já o resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar gastos com juros da dívida) deve ser deficitário até 2030, no cálculo da instituição.

E o teto de gastos, regra que impede que a despesa do governo cresça acima da inflação, tem risco alto de não ser cumprido no próximo ano, na avaliação da equipe da IFI.

"Esse quadro coloca um cenário de desconfiança em relação à capacidade do governo de manter uma trajetória fiscal sustentável nos próximos anos", diz Couri. "Essa desconfiança tende a se traduzir numa dificuldade maior do governo de se financiar. Então essa dívida que está se aproximando dos 100% do PIB tende a se encurtar e ficar mais cara."

Outros possíveis efeitos, caso o governo não consiga apresentar uma estratégia crível de reequilíbrio das contas públicas, são uma fuga ainda maior de investidores, possível rebaixamento da nota de crédito do país pelas agências de risco e maior desvalorização do real. "Seria exacerbar o cenário que já estamos vendo hoje", diz o economista.

4. Incerteza política para aprovação das reformas

Antes da pandemia, o plano do governo para apresentar essa "estratégia crível" de reequilíbrio fiscal estava baseado na aprovação de uma série de reformas.

Entre elas, estavam a reforma administrativa (que reorganizaria o funcionalismo público); a reforma tributária; a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) Emergencial, com o acionamento de uma série de gatilhos que reduziram despesas para permitir a manutenção do teto de gastos; e a PEC do Pacto Federativo (que reorganizaria a arrecadação e os campos de atuação de União, Estados e municípios).

Mas, afora a reforma da Previdência, que já vinha engatilhada desde o governo Michel Temer (MDB), quase nada andou.

E a perspectiva dos economistas é pouco otimista para maiores avanços em 2021, mesmo em um cenário em que Arthur Lira (Progressistas-AL), aliado de Bolsonaro, seja eleito presidente da Câmara, sucedendo Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Para Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de análise macroeconômica da Tendências Consultoria, a expectativa é de que apenas a PEC Emergencial seja aprovada no médio prazo, além de reformas microeconômicas, como a nova lei do gás e a autonomia do Banco Central, que já estão caminhando.

"Não consideramos reformas mais parrudas no nosso cenário base, porque elas dependeriam de coalização do governo, da liderança do Planalto e do presidente, então há menor probabilidade de aprovação", diz Ribeiro.

5. Aumento de casos e de mortes na pandemia

Apesar de Bolsonaro andar dizendo que estamos em "um finzinho de pandemia" e que o Brasil está em situação de "quase normalidade", não é isso que mostram os números crescentes de casos e mortes por covid-19.

Essa nova piora da pandemia, antes mesmo que houvesse uma melhora significativa, será mais um dos desafios para a economia em 2021.

Segundo Alessandra Ribeiro, da Tendências, são dois os caminhos que podem levar essa segunda onda a afetar o desempenho da atividade no próximo ano.

Um deles é se governos locais voltarem a adotar restrições à circulação, o que afetaria principalmente a atividade de serviços, limitando a reação desse segmento. O segundo ponto é a cautela dos consumidores e empresas em meio à piora da crise sanitária, que tende a inibir a demanda por serviços e manter os níveis de poupança elevados.

Os mais afetados, como na primeira onda, serão os brasileiros mais pobres.

"A crise pandêmica é bastante regressiva, ou seja, ela afeta muito mais o trabalhador informal, que é menos escolarizado e tem salário médio menor", diz Ribeiro.

"Mesmo que as medidas adotadas agora não sejam tão drásticas quanto aquelas do segundo trimestre de 2020, qualquer tipo de ação deve pegar mais o setor de serviços — alimentação fora do domicílio, bares, entretenimento, alojamento —, tudo isso afeta muito esse tipo de trabalhador."

6. Isolamento internacional

Não bastassem todos os problemas internos ao país, o governo brasileiro entra em 2021 com relações estremecidas com Estados Unidos, China, Argentina e União Europeia. Os quatro destinos responderam juntos por 61% das exportações brasileiras em 2020.

"Certamente o maior ponto de atrito hoje, olhando as relações com Estados Unidos e Europa, se encontra na pauta ambiental", avalia Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, principal consultoria de risco político do mundo.

Os EUA têm agora um presidente eleito, Joe Biden, que terá um compromisso doméstico e internacional com essa pauta", diz Garman. "Governos da Europa têm priorizado a agenda climática e ser visto internacionalmente como um vilão nesse tema é um 'calcanhar de Aquiles' para o acordo entre União Europeia e Mercosul e para a relação entre Brasil e EUA."

Para o cientista política, no entanto, Biden deve adotar uma postura pragmática em relação a Bolsonaro, por entender o papel estratégico do Brasil na América do Sul, no contexto de avanço da influência chinesa.

Assim, segundo Garman, tudo vai depender no próximo ano do andamento da questão ambiental no país, com destaque para o índice de desmatamento na Amazônia e a reação do governo Bolsonaro às críticas externas.

Já com relação à China, apesar dos atritos envolvendo a participação da Huawei no leilão da tecnologia 5G, o analista avalia que Pequim também tem interesse em aprofundar a relação com o Brasil, no contexto do estremecimento da relação com os Estados Unidos.

Quanto a possíveis retaliações econômicas, Garman avalia que a pauta ambiental pode ter repercussões maiores, como aumento de tarifas para exportações brasileiras ou boicotes de consumidores a produtos nacionais.

Já com relação à China, o especialista avalia que há sim um esforço do país asiático de reduzir sua dependência de exportações brasileiras, mas que isso é parte de um movimento mais amplo de redução de dependências externas e não do estremecimento da relação entre os dois países.

"Eu diria que, se o Brasil excluir a Huawei do 5G, pode ter sim alguma retaliação dos chineses, mas a tendência não é essa", diz Garman, avaliando que, apesar dos atritos, o governo brasileiro deve permitir à empresa chinesa participar da disputa em 2021.

O que joga a favor da economia no próximo ano

Nem tudo são trevas na perspectiva para a economia brasileira em 2021.

Além da perspectiva de retomada do crescimento do PIB — o mercado projeta alta de 3,46% do produto no ano que vem, após uma queda estimada de 4,40% este ano, segundo o boletim Focus —, ao menos quatro outros fatores jogam a favor da atividade ou do governo em 2021.

Segundo Ribeiro, da Tendências, um primeiro fator é a taxa de juros ainda baixa, que deve dar um bom suporte para a atividade através do canal do crédito, mesmo com a consultoria prevendo uma Selic a 3,5% no final do próximo ano.

Um segundo fator é a perspectiva favorável para a recuperação da economia mundial, com o avanço da vacinação.

"A recuperação mais significativa das principais economias — China, Estados Unidos e União Europeia, num ritmo menor — é importante pelo canal do comércio exterior e pelo canal financeiro", diz Ribeiro. "Se sustentarmos o pilar fiscal, há espaço para nos apropriarmos da liquidez internacional, seja através de investimentos financeiros ou produtivos."

Um terceiro fator é a esperada estabilização do dólar, ainda que a um patamar elevado. Com o real ainda desvalorizado em relação à moeda americana, as exportações brasileiras devem continuar aquecidas. E a menor variação do câmbio tende a reduzir a pressão por reajustes de preços de produtos com custos na moeda americana, ajudando a controlar a inflação.

Por fim, um fator que pode ajudar o governo no próximo ano é a possível mudança na presidência da Câmara dos Deputados.

"A eleição das Casas tem um efeito super importante pra a agenda econômica dessa segunda metade do governo Bolsonaro", diz Ribeiro. "O melhor mundo para Bolsonaro é a eleição de Arthur Lira, um homem do Planalto, que facilitaria o andamento da agenda. Um nome mais ligado a Maia não seria tão cooperativo, para não cacifar Bolsonaro para 2022."

FONTE: BBC

 

País cria mais de 400 mil vagas formais de empregos

 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

 

Desocupados e trabalhadores de baixa renda somam mais de 30 milhões de pessoas no Brasil. Em 2021, país terá de criar, ao menos, 18 milhões de vagas para evitar explosão da pobreza após o fim do auxílio. Boa parte vai se abrigar no setor informal, apostam especialistas 

O maior desafio do Brasil, em 2021, será lidar com o desemprego. Mais de 30 milhões de brasileiros ganham menos do que precisam para viver com dignidade ou estão desempregados. Para evitar a explosão da pobreza, sobretudo após o fim do auxílio emergencial, o país terá de criar, pelo menos, 18 milhões de vagas. Isso porque cerca de 15 milhões de pessoas, que vinham sobrevivendo com o benefício, voltarão a buscar trabalho. Além disso, há a entrada natural de três milhões de novos profissionais por ano no mercado de trabalho.

A pandemia de covid-19 levou mais de 11 milhões de pessoas a perderem seus empregos, tanto formais quanto informais, segundo dados da Pnad Contínua do terceiro trimestre de 2020, na comparação com igual período de 2019. No entanto, a taxa de desemprego não disparou na mesma proporção porque 10 milhões de pessoas deixaram de procurar trabalho. No trabalho formal, houve recuperação de empregos com carteira assinada após o auge da pandemia. Em novembro, foram 414.556 postos, segundo a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

No entanto, os especialistas explicam que isso é uma recomposição das perdas acumuladas dos empregos com carteira assinada, não só durante a pandemia, mas, também, nos anos de recessão da economia, entre 2015 e 2016. O desemprego segue em alta e atinge 14 milhões de brasileiros, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avalia todo o mercado de trabalho, inclusive o informal e por conta própria. E as perspectivas para 2021 não são boas, como reconhece o peixeiro Paulo Júnior Ferreira, desempregado.

Paulo pensa em voltar para o Rio de Janeiro, terra natal, porque sua situação no Distrito Federal piorou com a pandemia. “Perdi o emprego e estou em situação de morador de rua. O dinheiro que eu recebi da empresa foi para suprir as necessidades, mas acabou e o dono do imóvel onde morava me despejou”, lamenta. Atualmente vendendo balas nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto e, também, procurando emprego, Paulo acredita que 2021 não vai ser fácil. “Acho que vai ficar mais difícil achar emprego, com mais gente procurando”.

Informalidade
O professor do Insper Sergio Firpo confirma o temor de Paulo. “O que vai ocorrer, em 2021, é que a taxa de desemprego vai aumentar muito, porque pessoas fora da força de trabalho vão ingressar na busca por uma ocupação. E, apesar de haver uma retomada, vai ser insuficiente para garantir emprego para todo mundo”, avalia. Uma boa parte dessas pessoas vai se abrigar no setor informal.

“Também veremos um número grande de pessoas trabalhando por conta própria. As empresas encaram a contratação formal como um custo e só vão contratar quando as incertezas acabarem. Enquanto isso, todo mundo precisa sobreviver de alguma forma”, diz. Ele destaca, ainda, que, na hora de incorporar pessoas desempregadas, o mercado de trabalho deve reduzir a renda. “Elas vão aceitar empregos por salários menores ou vão se sujeitar a receber menos em ocupações informais. Então, a renda terá uma pequena queda no ano que vem”, estima.

O economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Rodolpho Tobler ressalta que é preciso avaliar o histórico do emprego para fazer uma projeção. “Quando a pandemia chegou, o impacto foi mais forte justamente para os informais pela necessidade de não circulação”, assinala.

O isolamento também reduziu a taxa de desemprego, porque as pessoas não tinham como procurar trabalho, lembra Tobler. “O auxílio emergencial foi importante para atenuar os efeitos e tivemos até redução da extrema pobreza neste período. Mas, a taxa deve aumentar em 2021, porque, sem o benefício, uma nova renda será urgente”, afirma. Para o especialista, a expectativa é negativa porque 2021 colocará um grupo considerável de pessoas na pobreza e extrema pobreza. “A recuperação econômica não será forte o suficiente para abarcar todo mundo.”

No entender de Renan Pieri, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp/FGV), 2020 foi o pior ano da história e atingiu em cheio o comércio e serviços, setores que mais geram emprego. “Algumas medidas diminuíram o impacto. O auxílio emergencial, que gerou fluxo de demanda e garantiu melhoria de indicadores de desigualdade, e o programa que permitiu redução de jornada e salário”, sustenta. “Só não disparou mais o desemprego por conta desse programa”, diz.

A reboque da vacinação

Na opinião do professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga, a recuperação do mercado de trabalho vai estar a reboque do avanço do novo coronavírus. “Quanto mais rápido houver solução mundial e brasileira para a pandemia, maiores as chances de reversão e geração de empregos no mercado interno”, analisa. A incerteza atual, segundo o especialista, retarda as decisões de investimento, a recuperação da economia e a geração de empregos. “Vai depender de um plano de vacinação”, sentencia. Em um cenário otimista, Braga acredita que pode haver uma reação do emprego a partir do segundo trimestre de 2021.

As relações de trabalho foram testadas na pandemia, na avaliação de Camilo Onoda Caldas, advogado trabalhista e diretor do Instituto Luiz Gama. “Não fossem os programas emergenciais e o sistema público de saúde, o Brasil teria sido devastado. Mas o gerenciamento de crise também serviu para desenvolver outros caminhos para nossa sociedade”, ressalta.

Mas, nem tudo são espinhos. Algumas áreas tornaram-se promissoras durante a pandemia, lembra Caldas. “O comércio digital desenvolveu-se muito nesse período e as atividades ligadas ao e-commerce, informática, telecomunicações e logística”.

Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp/FGV), Renan Pieri concorda e destaca alguns setores que evoluíram com a pandemia e passaram a empregar mais. “A saúde, porque já estava com uma demanda represada e foi ainda mais pressionada. A parte de tecnologia, que já vinha tendo crescimento, as compras on-line, os aplicativos que intermediam as relações entre comprador e vendedor, tudo isso mudou de patamar e esses setores passaram a contratar”, pontua. (SK e JRS)

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

 

IMAGEM: SÉRGIO LIMA/PODER360 

 

Em novembro deste ano, a taxa de desemprego no país atingiu um número histórico, chegando a 14,4%. A porcentagem, mais alta registrada pela série Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios covid-19 (Pnad covid-19), representa os 14 milhões de brasileiros que estão sem emprego.

A Pnad Covid-19, que tem sido realizada desde maio, mostra que a taxa de desemprego aumentou consideravelmente entre o início da pesquisa e novembro. O crescimento foi de 38,6% no número de desempregados no país entre maio e novembro. Na segunda quinzena de agosto, 33,5% das empresas que mantiveram as atividades relataram que a pandemia causou impactos negativos no funcionamento.


No mesmo período, 40,3% das instituições apontaram ter dificuldade para realizar pagamentos de rotina e 46,8 % indicaram problemas para conseguir fornecedores de insumos, matérias-primas ou mercadorias. 8,1% das empresas relataram que houve redução do número de funcionários.

Como tentativa de evitar demissões, 20,1 % das empresas anteciparam as férias dos funcionários. 25,7% adotaram o trabalho remoto, regime de home office, para os empregados. Somente 11% conseguiram linha de crédito especial para fazer o pagamento dos trabalhadores.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

Pandemia aumentou muito a quantidade de pessoas com 60 anos ou mais que deixaram a força de trabalho — Foto: Getty Images/ BBC

Foto: Getty Images/ BBC

Cerca de 93 milhões de brasileiros, ou 53% da população em idade de trabalhar, ficaram inativos ou desempregados em 2020

O mercado de trabalho do Brasil chegou ao fundo do poço em 2020. Com a pandemia, que interrompeu o comércioparalisou a produção industrial e brecou o setor de serviços, o país viu um fenômeno inédito: quase metade da população em idade de trabalhar literalmente parou.

Pela primeira vez, o número de brasileiros inativos, ou seja, sem emprego e sem buscar algum, ultrapassou a marca de 40%. O maior índice foi nos trimestres encerrados em julho e agosto, quando o indicador chegou a 45,3% —a média histórica é de 38,9%.

Os dados são de um estudo feito pelo professor sênior da FEA/USP e coordenador do Projeto Salariômetro, da Fipe, Hélio Zylberstajn. Ele utilizou dados de todas as pesquisas Pnad Contínua, do IBGE, para chegar aos parâmetros.

 Somando-se a esse contingente os brasileiros desempregados (aqueles em busca de trabalho, segundo o critério do IBGE), a quantidade de pessoas sem ocupação chegou a 53,2%, um recorde.

Entre eles está Claudenice Sousa, 48. Desempregada desde o início da pandemia, quando a escola em que fazia faxina fechou as portas, ela não conseguiu se cadastrar para receber a caixa de alimentos distribuída a 1.000 famílias pela associação de moradores da Brasilândia, zona norte de São Paulo.

 “Estou só fazendo bicos, mas é pouco. Recebo R$ 50 por cada dia de limpeza”, diz. Seu filho, que trabalhava em um lava-jato, também foi demitido. Nos últimos meses, sobrevivem graças a auxílios como esse.

Apesar da perspectiva de retorno às aulas no ano que vem, a empresa de limpeza terceirizada para a qual Claudenice trabalhava não deu sinais de voltar a contratar, e com o aumento do número de casos de Covid-19 na cidade, ela prevê um 2021 incerto.

A história se repete entre as pessoas que se aglomeraram na manhã de segunda (21) em frente a um galpão da Brasilândia, esperando receber arroz, feijão, óleo, macarrão e um frango —adicional de Natal à entrega das cestas.

“A pandemia acabou com geral”, diz o pedreiro Ivan Lopes, 53, que também viu os serviços pararem nos últimos meses e tem vivido de pequenos bicos. Com cinco filhos pequenos em casa, os alimentos da cesta duram uma semana. “Estou esperando essa vacina para ver se clareia, porque estamos meio no escuro.”

Também desempregada, Valdirene Souza dos Santos, 47, segurou as pontas nos últimos meses com o auxílio emergencial, e agora se preocupa em conseguir um emprego. “Já estou correndo atrás, não dá para ficar esperando.” Segundo ela, a cesta básica dura um mês em sua casa, onde vive com três netas e quatro filhas. Apenas uma está trabalhando.

Segundo Zylberstajn, da USP, quando a pandemia chegou ao Brasil, entre março e abril, o mercado de trabalho sofreu um enorme baque, sobretudo os trabalhadores informais que, dadas as medidas restritivas de circulação, ficaram impedidos de desempenhar suas atividades.

“Imagina um vendedor nos cruzamentos em semáforo, ou quem vende bolo, sanduíche, na porta do metrô? As ruas ficaram desertas. O transporte público ficou às moscas. O pessoal não tinha o que fazer, ficou sem ocupação.”

Com o passar do tempo, os formais foram também atingidos, mas com intensidade menor. Isso porque uma medida provisória permitiu que empresas suspendessem contratos ou reduzissem a jornada e o salário de funcionários, que receberam um complemento de renda do governo.

“Isso manteve essas pessoas fora dessa categoria não ocupadas. E não foi pouca gente. Essa quantidade de pessoas cujo emprego foi preservado deve beirar os 12 milhões”, disse o professor.

A taxa de não ocupação, que considera os brasileiros fora da força de trabalho mais os desocupados, demonstra como o mercado do trabalho chegou ao fundo do poço.

Em dezembro de 2019, o indicador estava em 44,9%. Na época, os brasileiros desocupados eram 6,8% do total de pessoas em idade para trabalhar, enquanto os inativos —que estavam desempregados e não buscavam emprego— somavam 38,1%. Os dois indicadores subiram a 8% e 44,9%, respectivamente, no trimestre encerrado em setembro.

De acordo com Rodolpho Tobler, economista do FGV-Ibre, os números do mercado de trabalho em 2020 mostram que a pandemia afetou diretamente os trabalhadores, que ficaram sem emprego e sem possibilidade de procurar uma nova vaga.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Mar de Barrents, no norte da Rússia

Mar de Barrents, no norte da RússiaFoto: Jacek W/ Google Maps

 

Um navio pesqueiro afundou no Mar de Barents, no norte da Rússia, nesta segunda-feira (28), disse o ministério de emergências do país. Segundo o órgão, 17 pessoas podem ter morrido na costa do arquipélago Novaya Zemlya por conta do incidente.

Embarcações de resgate procuravam sobreviventes na região, mas apenas duas pessoas foram resgatadas de uma tripulação de 19 pessoas, disse o ministério.

As autoridades disseram que um acúmulo de gelo na embarcação fez com que ela afundasse.

Uma fonte disse à agência Interfax que membros da tripulação foram levados pelo convés do barco durante uma tempestade. A TASS citou uma fonte dizendo que a tripulação desaparecida estava supostamente morta.

 

FONTE: CNN

Nova variante da covid-19 foi identificada no Reino Unido, mas cientistas afirmam que isso não altera eficácia da vacina - Getty Images

Imagem: Getty Images

 

5 delas têm eficácia divulgada

3 têm autorização definitiva

 

Na corrida contra o coronavírus, há 18 vacinas em desenvolvimento no mundo que estão na 3ª fase de testes clínicos. Destas, 8 foram liberadas para uso emergencial e limitado em diversos países, e 3 obtiveram o registro para o uso definitivo. Os dados são do Rastreador de Vacinas de Coronavírus, desenvolvido pelo jornal The New York Times.

Levantamento do Poder360 mostra que 16 países já começaram a vacinação, sendo que outros 4 aprovaram o uso emergencial ou definitivo e ainda não deram início ao processo de imunização.

Já é possível dizer que a vacina contra a covid-19 é o imunizante desenvolvido em menor tempo em toda a história. Antes, o recorde era do imunizante produzido para evitar a caxumba –demorou 4 anos e parou de ser usado nos anos 1970, porque a imunidade tinha curta duração.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), há 61 vacinas sendo testadas em humanos no mundo e 172 em fases pré-clínicas, ou seja, sendo testadas em animais.

Cinco farmacêuticas divulgaram resultados sobre a eficácia de seus imunizantes depois de análises dos testes clínicos.

O Poder360 compilou os dados para o que o leitor tenha acesso aos documentos e comunicados dos estudos divulgados até agora:

COVID-19 NO MUNDO

Atualmente, de acordo com o monitor do site Worldometers, o mundo registra mais de 78 milhões de casos de coronavírus. São mais de 1,7 milhões de mortes por causa da doença.

A maior preocupação dos países hoje é com o avanço da 2ª onda da pandemia de covid-19. Desde outubro, é identificada a alta constante no número de caso de covid-19. Na Europa, o número de casos disparou. A maioria dos países europeus voltaram a adotar medidas que restringiam a circulação de pessoas.

Além disso, uma nova variante do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19, foi identificada. De acordo com a OMS, há confirmação no Reino Unido, na Dinamarca, Holanda e Austrália.

Na Europa, França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Bulgária suspenderam voos procedentes do Reino Unido ou que tenham o país como destino. Países da América Latina também decidiram fechar suas fronteiras para viajantes procedentes do país.

 

FONTE: PODER 360