O Ever Liberal perdeu 36 conteineres ao largo do Japão, devido aos fortes ventos e ondulação, anunciou a Evergreen.

O Ever Liberal, um porta-conteneires de 9 466 TEU, perdeu os conteineres, de 40″, a 20 milhas ao largo da ilha japonesa de Kyushu. Outros 21 conteineres da mesma dimensão caíram sobre o convés do navio, informou ainda a Evergreen.

O navio, que fazia a ligação entre Busan e Los Angeles, desviou-se para o porto de Taipei para descarregar os conteineres danificados e repor as cargas na devida ordem.

O Ever Liberal soma-se, assim, à lista dos navios que perderam cargas por causa das difíceis condições climatéricas. O caso mais mediático, nos tempos recentes, foi o do ONE Apus, que perdeu cerca de 2 500 conteneires, a maioria de 40″.

 

FONTE: TRANSPORTES&NEGÓCIOS

 

Canal do Panamá

GETTY IMAGES

A queda nas economias latino-americanas em 2020 foi tão forte, em meio à pandemia de coronavírus, que recuperações históricas são esperadas para 2021.

Mas cuidado: isso não significa um grande crescimento econômico que indica um período de vacas gordas pela frente.

Na verdade, trata-se de um esperado "efeito rebote" — ou seja, um forte aumento do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países da região, que compensará parcialmente o cenário atual. É uma recuperação econômica parcial em relação a um resultado muito negativo do ano anterior.

A economia do Peru, por exemplo, fechará este ano com uma queda brutal da ordem de 13%, e em 2021 crescerá cerca de 9%, de acordo com as últimas projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Isso significa que mesmo com um aparente aumento espetacular da atividade econômica, o país ainda estará longe de retornar ao nível pré-crise, uma história que se repetirá na maioria dos países da região.

"A recuperação estará sujeita a muitas incertezas, como a dinâmica da pandemia, a disponibilidade de vacinas, a capacidade dos países em manter políticas de apoio e o que acontecerá com a economia mundial", diz Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Para este ano, a Cepal projeta uma queda histórica da economia regional de 7,7%, enquanto para 2021 espera um crescimento de 3,7%.

Se não houver grandes mudanças no horizonte, pode-se dizer que a América Latina atingiu o fundo do poço e agora inicia um lento processo de recuperação.

Durante essa recuperação, os três países que terão o maior crescimento econômico no próximo ano, segundo as projeções da Cepal, serão: Peru (9%), Panamá (5,5%) e Bolívia (5,1%).

Um ano eleitoral no Peru

Apesar do impacto econômico devastador da pandemia no Peru, o ministro de Economia e Finanças, Waldo Mendoza, disse que o país está apresentando uma recuperação "muito mais rápida" que o resto dos países da região.

Entre os motivos, ele citou a redução no avanço da pandemia e os efeitos dos pacotes de estímulo para conter a crise econômica.

"Temos uma situação um pouco mais administrável, que nos permite abrir atividades econômicas com um pouco mais de confiança e menos risco", disse Mendoza, membro do gabinete do governo de Francisco Sagasti, que assumiu a presidência do Peru em meio a uma profunda crise política, em meados de novembro.

Se a economia do Peru crescer 9% em 2021, conforme projeta a Cepal, será o país com maior crescimento econômico na região, depois de ter ficado no topo do ranking de pior desempenho regional (atrás apenas da Venezuela) em 2020.

Um efeito rebote da economia não está condicionado exclusivamente à evolução da pandemia, mas também às condições políticas.

"Há incerteza por motivos de saúde e por motivos políticos", explica Diego Macera, gerente do Instituto Peruano de Economia (IPE), à BBC.

"Se houver investimento privado, empregos são criados e isso impulsiona a recuperação econômica, mas se o Congresso que será eleito no próximo ano for como o que temos agora, o golpe para a confiança será grande", diz ele.

As eleições presidenciais e parlamentares estão convocadas para 11 de abril e o segundo turno, se necessário, está previsto para junho.

No plano econômico, um dos sinais animadores para o próximo ano é que os especialistas esperam melhores resultados no setor de mineração, especialmente em produtos como o cobre.

No entanto, uma das principais preocupações é o que acontecerá com o emprego e o subemprego e como o país conseguirá obter as doses das vacinas necessárias para manter o vírus sob controle.

A recuperação do Panamá

"A recuperação depende de dissipar a névoa da pandemia", disse Samuel Moreno, presidente do Colégio de Economistas do Panamá, à BBC.

Se for gerada mais confiança na população, diz ele, o consumo interno vai aumentar e a expectativa de fazer negócios no país vai melhorar.

O Panamá é o segundo país, depois do Peru, com a maior taxa de crescimento do PIB projetada para 2021, segundo a Cepal.

A atividade econômica deve crescer 5,5% em 2021, após experimentar uma das maiores desacelerações econômicas regionais neste ano, com queda próxima a 11%, segundo a Cepal.

"Tenho uma visão positiva", diz Moreno, argumentando que no último trimestre deste ano houve indícios de uma reativação, como, por exemplo, a retomada das operações da companhia aérea Copay e de atividades comerciais e financeiras.

Apesar dos problemas causados ​​pela pandemia, o Panamá mantém uma boa classificação de risco nas agências internacionais, acrescenta o economista, o que contribui para a velocidade da recuperação.

Peça essencial da economia, o Canal do Panamá também começa a dar bons sinais.

"Esperamos que o comércio mundial se recupere em 2021 e que isso continue influenciando positivamente a reativação dos fluxos comerciais nas atividades do canal", explica Titelman, da Cepal.

"Esperamos também aumento do comércio interno, principalmente de construção e serviços financeiros", acrescenta.

Um dos maiores desafios para o próximo ano, concordam os especialistas, é a geração de empregos em um país com altos níveis de desigualdade, onde o acesso aos serviços básicos não é garantido nas áreas rurais habitadas principalmente por populações indígenas e comunidades de descendência africana.

O Banco Mundial afirmou que uma de suas preocupações é que os níveis profundos de desigualdade que existem no país aumentem como consequência da pandemia, causando alta da insegurança alimentar e da desnutrição infantil.

A preocupação é compartilhada por Gersán Joseph Garzón, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Panamá.

"Essa pandemia revelou a grande desigualdade que existe no país", afirma.

Um dos motores essenciais para a reativação, defende o economista, é que o gasto público aumente para gerar novas fontes de trabalho.

"Grande parte do emprego depende de projetos de infraestrutura promovidos pelo governo. Isso ajudaria muito."

Os desafios da Bolívia

A Bolívia ocupa o terceiro lugar entre os países latino-americanos que podem apresentar maior crescimento, com uma projeção de alta de 5,1% em 2021, após uma queda profunda de 8% em 2020, segundo a Cepal.

O governo de Luís Arce, que iniciou seu mandato em 8 de novembro após um longo período de instabilidade política no país, está promovendo uma série de medidas que incluem aumento do investimento público, crédito a juros baixos aos produtores. e a criação de um imposto permanente sobre grandes fortunas.

E o orçamento do país para o próximo ano reflete um forte aumento do endividamento e dos gastos públicos para sustentar o crescimento econômico.

"Esperamos que as políticas de transferência de renda que estão sendo realizadas na Bolívia possibilitem o acionamento da demanda interna", disse Titelman, acrescentando que o programa de recuperação produtiva que o governo está implementando também pode gerar mais dinamismo econômico.

No que diz respeito às exportações, uma fonte essencial de recursos para a Bolívia é a venda de gás natural para os países do Cone Sul. É por isso que "a evolução do Brasil e da Argentina influenciará significativamente a recuperação da Bolívia no próximo ano", diz Titelman.

Os planos de recuperação da economia boliviana, como ocorre com o restante dos países, estão sujeitos à grande incógnita sobre o controle do vírus.

"Não sabemos o que acontecerá com a pandemia. A recuperação dependerá se serão necessárias medidas que restrinjam a atividade econômica e a mobilidade das pessoas", afirmou Juan Antonio Morales, ex-presidente do Banco Central e professor da Universidade Católica Boliviana.

Outros fatores como a evolução do contexto econômico internacional e os preços dos recursos naturais também vão influenciar, segundo ele. Nessa frente, existem alguns sinais de esperança.

"Os preços das commodities tiveram uma recuperação considerável", o que favorece a mineração local, afirma o economista.

Ele também destaca que houve aumento no preço de alguns alimentos, fenômeno que pode ser "uma boa notícia para os exportadores desses alimentos, mas uma má notícia para os preços internos".

São tantos os elementos que entram em jogo na análise das perspectivas econômicas para a América Latina em 2021 que qualquer mudança no cenário pode transformar as projeções.

Se há algo em que há um pouco mais de certeza, é que faltam vários anos para a região recuperar o crescimento econômico que tinha antes da pandemia, e mais ainda para melhorar os indicadores sociais.

E o Brasil?

Apesar de não estar entre as economias na América Latina que mais vão cair em 2020, o Brasil deve apresentar contração de 5,3% em seu PIB neste ano, de acordo com a Cepal. Para 2021, a previsão é de crescimento de 3,2%.

"Em 2020, a pandemia da doença coronavírus (COVID-19) marcou negativamente a evolução da economia brasileira e um elevado número de vidas", disse a entidade.

O plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

 Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

 

335 foram formadas na legislatura

Número deverá ser recorde em breve

111 deputados assinaram mais de 200

Poucas dessas organizações têm poder

 

O número de frentes parlamentares registradas na Câmara dos Deputados está aumentando tão rápido que a Casa deve bater o recorde de criação desses grupos em uma mesma legislatura nos próximos meses. Legislatura é o período entre uma eleição e outra. A atual termina só no fim de 2022.

Da posse dos congressistas, em 2019, até 21 de dezembro (data em que o Poder360 baixou os dados do site da Câmara) eram 335 dessas frentes. Em todo o período de 2015 a 2018 foram apenas 10 a mais, 345.

O grosso das frentes é registrado no 1º ano da legislatura, mas costuma haver um repique depois de eleições da Mesa Diretora. O pleito está marcado para 1º de fevereiro de 2021.

A deputada Soraya Santos (PL-RJ), por exemplo, tem pedido apoio de colegas para formar a Frente Parlamentar Mista em Defesa das Instituições Educacionais, Comunitárias, Confessionais ou Filantrópicas.

O tema motivou forte disputa na Câmara durante a votação da regulamentação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). O lado defendido por Soraya foi derrotado. Ela queria o repasse de verbas do fundo para essas instituições.

Além disso, a atual legislatura já deixou a última para trás com folga se comparar apenas as frentes registradas nos primeiros 2 anos. Foram 267 no período 2015-2016, ante 335 de 2019-2020.

Frentes parlamentares, no papel, são grupos de congressistas que se organizam para defender os interesses de algum setor da sociedade. Ou, nas palavras do Ato da Mesa que os regulamentou:

“Considera-se Frente Parlamentar a associação suprapartidária de pelo menos 1/3 de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre determinado setor da sociedade.”

Esses grupos já existiam antes. Os arquivos da Câmara têm os primeiros registros em 2003.

Um terço do Poder Legislativo equivale a 198 assinaturas de deputados ou senadores. Somados, Câmara e Senado têm 594 integrantes.

Os dados baixados na página da Câmara mostram 31 frentes da atual legislatura com número menor de integrantes. É porque contam apenas deputados. Os senadores não estão computados nos dados usados pelo Poder360.

PROFUSÃO DE ASSINATURAS

A proliferação de frentes é possível graças à disposição dos congressistas em assinar as criações de literalmente centenas desses grupos. Dos 513 deputados, 111 assinaram a criação de pelo menos 200 conjuntos.

“Alguns são solidários [e assinam criação de frentes por pedido de colegas], mas a maioria é oportunismo mesmo. Frentes parlamentares são criadas em profusão muito para que representantes de determinados setores deem uma satisfação para sua base dizendo que estão fazendo algo. Mas, no fundo, é uma mera propaganda. Dizem que estão fazendo algo mas efetivamente não estão”, disse ao Poder360 o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

Ele coordena o levantamento “Cabeças do Congresso“, que aponta os congressistas tidos pelo Diap como mais influentes.

Queiroz ressalva frentes como as da Agropecuária e da Educação. “Todas aquelas que contam com uma estrutura externa à Câmara são efetivas”, declara. “Agronegócio tem associações e empresas que bancam uma estrutura, têm corpo técnico, gente encarregada de coordenar, etc”.

A Câmara não fornece recursos diretamente às frentes. Apenas espaço físico para promover audiências públicas e outros eventos. As frentes que dispõe de dinheiro são capazes de encomendar de profissionais renomados pareceres sobre projetos em discussão, por exemplo.

QUEM ASSINA MAIS

O deputado Caros Henrique Gaguim (DEM-TO) apoiou a criação de 289. Ou seja, 86,3% das frentes criadas na legislatura até agora têm sua assinatura.

O deputado Márcio Alvino (PL-SP) apoiou 128 até agora, menos da metade dos líderes do ranking. Mas é quem coordena mais grupos. São 10 no total.

O Poder360 procurou Alvino e Gaguim para comentar os números, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.

 

FONTE: PODER 360

IMAGEM: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

 

INSS aceita tempo do Seguro Desemprego? Na hora da aposentadoria, um ano, um mês ou até mesmo um dia de contribuição pode fazer uma grande diferença.

Ao longo da vida profissional o trabalhador pode perder o emprego e para isso existe uma proteção social: o seguro-desemprego.

É SÓ O DESEMPREGADO QUE PODE RECEBER O SEGURO DESEMPREGO?

Não. Além do trabalhador demitido sem justa causa, também pode receber este benefício:

  • aqueles cujo contrato de trabalho foi suspenso em virtude de participação em curso ou programa de qualificação oferecido pelo empregador;
  • pescadores profissionais durante o período em que a pesca é proibida devido à procriação das espécies;
  • trabalhadores resgatados da condição análoga à de escravidão.

O TEMPO EM QUE O DESEMPREGADO RECEBE O SEGURO, CONTA PARA FINS DE APOSENTADORIA?

Não conta para nada. Nem para fins de aposentadoria, nem como carência para obtenção de outros benefícios, mas durante período de recebimento o trabalhador desempregado mantém a qualidade de segurado.

Isso significa que, enquanto o trabalhador estiver recebendo o seguro, ele continua segurado da Previdência Social sem precisar pagar nada.

CASO O DESEMPREGADO QUEIRA CONTRIBUIR PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL, ESTE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO SERÁ COMPUTADO NA APOSENTADORIA?

Quando o trabalhador está desempregado, recebendo ou não o seguro-desemprego, ele pode contribuir para o INSS como segurado facultativo.

O próprio nome diz: facultativo. Ele não é obrigado, mas pode contribuir se quiser.

Quem não está inscrito na Previdência Social pode se inscrever e pagar.

MAS, SE PAGAR O INSS ELE PERDE O DIREITO DE RECEBER O SEGURO-DESEMPREGO?

Não. Só perde o benefício do seguro-desemprego o contribuinte que pagar como segurado obrigatório.

O trabalhador tem que ficar atento para o código da contribuição.

O PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO COMO SEGURADO FACULTATIVO (DESEMPREGADO) GARANTE O ACESSO A TODOS OS TIPOS DE BENEFÍCIOS DO INSS?

Também tem que ter cuidado com isso.

Se a ideia é aposentar com tempo de contribuição a alíquota tem que ser 20% e o código de contribuição é o 1406.

No código 1473 a alíquota de contribuição é de 11%, mas neste caso o segurado não tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição e o valor da futura aposentadoria será de um salário mínimo.

COMO A PESSOA QUE QUER TER UMA APOSENTADORIA COM VALOR MAIOR QUE O SALÁRIO MÍNIMO, PODE FICAR SABENDO O VALOR QUE TEM QUE CONTRIBUIR?

Ninguém pode pagar menos que o salário mínimo, nem mais que o valor teto definido pelo INSS.

Para não jogar dinheiro no lixo, nem perder todas as vantagens que a lei permite que o trabalhador possa ter, o ideal é fazer uma simulação da renda futura do benefício para definir o valor exato da contribuição.

COMO O CONTRIBUINTE PODE FAZER ESTA SIMULAÇÃO?

Primeiro é preciso planilhar todas as contribuições do passado, desde julho de 1994 e encontrar a média atual.

Depois, com o valor desta média, o contribuinte deve simular qual seria o valor futuro do benefício em três situações: mantendo esta média, aumentando a contribuição ou reduzindo ao salário mínimo.

Com certeza, depois disso, saberá exatamente o qual será o valor correto da contribuição.

 

FONTE: MIX VALE

IMAGEM: SINTRINAL

 

OAKLAND (CALIFÓRNIA) | THE NEW YORK TIMES

 

 

Mais de 225 engenheiros e outros trabalhadores do Google formaram um sindicato, anunciou a organização na segunda-feira (4), coroando anos de ativismo em uma das maiores companhias do mundo e abrindo uma rara porta para organização de trabalhadores no Vale do Silício, que se opõe fortemente à sindicalização.

A criação de um sindicato é coisa rara no setor de tecnologia, que há muito tempo resiste aos esforços para organizar sua força de trabalho, que em geral ocupa postos de colarinho branco. A decisão segue a crescente demanda cada vez mais firmes de trabalhadores do Google por reformas nas normas da empresa quanto a remuneração, assédio, e ética, e deve gerar tensões mais intensas com a direção da companhia.

O novo sindicato, chamado de União dos Trabalhadores da Alphabet, por conta do nome da empresa controladora do grupo, Alphabet, foi organizado em segredo durante quase um ano, e elegeu sua liderança no mês passado. A organização se afiliou ao sindicato CWA (Communication Workers of America), que representa trabalhadores de telecomunicações e mídia nos Estados Unidos e no Canadá.

Mas diferentemente de um sindicato tradicional, que exige que os empregadores negociem contratos coletivos de trabalho, a nova organização é uma “união minoritária”, que representa apenas uma fração dos 260 mil empregados e prestadores de serviços de tempo integral na companhia. Os trabalhadores disseram que a criação do sindicato representava primordialmente um esforço para dar estrutura e longevidade ao ativismo no Google, e não uma campanha de negociação por um contrato coletivo.

Chewy Shaw, engenheiro do Google em San Francisco e vice-presidente do conselho de liderança do sindicato, disse que a organização era um instrumento necessário a fim de pressionar os gestores, para que os trabalhadores possam forçar mudanças nas práticas trabalhistas.

“Nossos objetivos vão além de questões como a da remuneração. Temos causas muito mais amplas”, ele disse. “E vivemos um momento em que um sindicato é a resposta a esses problemas”.

Em resposta, Kara Silverstein, diretora de operações de pessoal do Google, disse que “sempre trabalhamos com afinco para criar um ambiente de trabalho positivo e compensador para nossa força de trabalho. E nossos trabalhadores evidentemente têm direitos trabalhistas que apoiamos. Mas, como sempre fizemos, continuaremos a nos engajar diretamente com todos os nossos empregados”.

O novo sindicato é a mais clara indicação da grande penetração que o ativismo trabalhista conseguiu no Vale do Silício nos últimos anos. No passado, os engenheiros de software e outros profissionais em geral se mantinham silenciosos sobre questões sociais e políticas, mas agora, trabalhadores da Amazon, Salesforce, Pinterest e outros passaram a se pronunciar mais sobre assuntos como diversidade, discriminação salarial e assédio sexual.

E em nenhuma outra companhia essas vozes se fizeram ouvir com mais clareza do que no Google. Em 2018, mais de 20 mil trabalhadores realizaram uma paralisação a fim de protestar contra as normas da empresa sobre assédio sexual. Outros se opuseram a decisões de negócios que consideravam antiéticas, como a de desenvolver sistemas de inteligência artificial para o Departamento da Defesa e tecnologia para uso pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.

Mesmo assim, sindicatos não conseguiram ganhar empuxo anteriormente no Vale do Silício. Muitos trabalhadores da tecnologia os rejeitavam, afirmando que as organizações trabalhistas se concentram em questões como os salários –que não são uma grande preocupação no setor de tecnologia– e não estão equipados para lidar com as preocupações deles sobre ética e o papel da tecnologia na sociedade. Os organizadores trabalhistas também encontraram obstáculos para unificar as imensas forças de trabalho das empresas de tecnologia, espalhadas por todo o planeta.

Apenas alguns pequenos esforços de sindicalização conseguiram sucesso no setor de tecnologia. Os empregados do site de crowdfunding Kickstarter e da plataforma de desenvolvimento de apps Glitch se sindicalizaram no ano passado, e um pequeno grupo de prestadores de serviços em um escritório do Google em Pittsburgh formou um sindicato em 2019. Milhares de trabalhadores de um armazém da Amazon no Alabama devem votar sobre a sindicalização da unidade, dentro de alguns meses.

“Há quem queira acreditar que criar uma organização trabalhista no setor de tecnologia é completamente impossível”, disse Sara Steffens, tesoureira do CWA. “Se não tivermos sindicatos no setor de tecnologia, o que isso diz sobre nosso país? Esse é um dos motivos para que, do ponto de vista do CWA, consideremos essa tarefa como prioridade”.

Veena Dubal, professora de Direito no Hastings College of Law, Universidade da Califórnia, disse que o sindicato do Google era “uma experiência poderosa” porque levava a sindicalização a uma grande empresa de tecnologia e superava as barreiras que até agora haviam impedido esse tipo de organização.

“Caso o sindicato cresça –o que o Google fará todo o possível para impedir–, isso pode ter imenso impacto não só para os trabalhadores mas sobre questões mais amplas em que todos estamos pensando, como o poder dos setor de tecnologia na sociedade”, ela disse.

O sindicato deve criar tensões entre os engenheiros do Google, que trabalham no desenvolvimento de carros autoguiados, inteligência artificial e sistemas de buscas na internet, e a direção da companhia.

Sundar Pinchai, o presidente-executivo do Google, e outros dirigentes da empresa tentaram se adaptar a uma força de trabalho cada vez mais ativista –mas tomaram diversas decisões dúbias.

No mês passado, representantes do governo federal determinaram que o Google demitiu dois trabalhadores sem justa causa por eles protestarem contra a colaboração entre a empresa e as autoridades de imigração, em 2019. Timnit Gebru, uma mulher negra que é uma pesquisadora respeitada no campo da inteligência artificial, também declarou no mês passado que o Google a demitiu por ela ter criticado a postura da companhia com relação à contratação de minorias, e os vieses incorporados aos seus sistemas de inteligência artificial. A saída de Gebru gerou uma tempestade de críticas sobre o tratamento do Google aos empregados minoritários.

“Essas companhias não se conformam que exista mesmo que um grupo pequeno de pessoas dispostas a dizer que trabalham no Google mas defendem um ponto de vista diferente”, disse Nelson Lichtenstein, diretor do Centro do Estudo do Trabalho, Força de Trabalho e Democracia na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. “O Google é bem capaz de encontrar sucesso em seus esforços para dizimar qualquer organização que emerja”.

A União dos Trabalhadores da Alphabet, que representa empregados radicados no Vale do Silício e em cidades como Cambridge (Massachusetts) e Seattle, oferece proteção e recursos aos trabalhadores que aderirem. Aqueles que optarem por se tornar membros contribuirão com 1% de sua remuneração ao sindicato, para bancar seus esforços.

Ao longo dos últimos 12 meses, o CWA pressionou pela sindicalização dos empregados de colarinho branco do setor de tecnologia. (O NewsGuild, sindicato que é parte do CWA, representa empregados do The New York Times.) A campanha se concentrou inicialmente nos trabalhadores de empresas de videogames, que têm jornadas de trabalho excessivas, em muitos casos, e estão expostos a demissões frequentes.

No final de 2019, organizadores do CWA começaram a se reunir com empregados do Google a fim de discutir uma campanha de sindicalização, revelaram trabalhadores que participaram das reuniões. Alguns empregados do Google foram receptivos e assinaram termos de adesão ao sindicato na metade do ano passado. Em dezembro, a União dos Trabalhadores da Alphabet realizou eleições para formar um conselho executivo de sete integrantes.

Mas diversos trabalhadores do Google que criaram petições e organizaram protestos na empresa objetaram à abordagem do CWA. Eles disseram ter se recusado a aderir porque consideravam que o esforço desconsiderou diversos organizadores experientes e minimizava os riscos de adesão, ao procurar recrutar integrantes.

Amr Gaber, engenheiro de software do Google que ajudou a organizar a paralisação realizada em 2018 como protesto, disse que os dirigentes do CWA expressaram desdém por outras organizações trabalhistas que apoiaram os trabalhadores do Google, em uma conversa telefônica com ele e outras pessoas da empresa em 2019.

“Eles se preocupavam mais com conquistar uma posição do que com as necessidades dos trabalhadores que participaram daquela conversa”, disse Gaber. “Como organizador trabalhista veterano e homem não branco, esse não é o tipo de sindicato que desejo construir”.

O CWA disse ter sido selecionado pelos trabalhadores do Google para ajudar a organizar o sindicato, e que não forçou a entrada. “São de fato os trabalhadores que escolhem”, disse Steffens, do CWA.

Os sindicatos tradicionais tipicamente buscam atrair a maioria dos trabalhadores de uma empresa, e em seguida solicitam que uma organização trabalhista estadual ou federal, como o Conselho Nacional de Relações do Trabalho, organize uma votação. Caso a sindicalização seja aprovada, o sindicato passa a representar os trabalhadores em negociações de contrato coletivo de trabalho. Uma união minoritária permite que os trabalhadores se organizem sem passar por essa votação formal.

O CWA usou esse modelo a fim de sindicalizar trabalhadores em estados nos quais as leis trabalhistas são desfavoráveis, como a União dos Funcionários Estaduais do Texas e os Trabalhadores Universitários Unidos do Tennessee.

A estrutura também oferece aos sindicatos incluir prestadores de serviço ao Google, presentes em número maior que o de empregados diretos e que não poderiam ser admitidos por um sindicato tradicional. Alguns empregados do Google vinham considerando há diversos anos a possibilidade de estabelecer uma união minoritária ou solidária, e os motoristas de empresas de serviços de carros formaram diversas organizações desse tipo.

Embora não tenha o poder de negociar contratos coletivos de trabalho, a União dos Trabalhadores da Alphabet pode usar outras táticas a fim de pressionar o Google a mudar suas normas, disseram especialistas em questões trabalhistas. As uniões minoritárias muitas vezes realizam campanhas de pressão e fazem lobby junto a órgãos legislativos ou regulatórios a fim de influenciar os empregadores.

“Vamos usar todas as ferramentas que pudermos, para empregar a ação coletiva a fim de proteger pessoas que que em nossa opinião estejam sendo discriminadas ou estejam sofrendo retaliações”, disse Shaw.

Membros da união mencionaram a decisão federal sobre a demissão dos dois trabalhadores ativistas, em 2019, e a saída da respeitada pesquisadora Gebru como motivos para ampliar os quadros do sindicato e reforçar suas ações públicas.

“O Google está deixando bem claro por que precisamos disso agora”, disse Auni Ahsan, engenheiro de software do Google e membro do conselho executivo do sindicato. “Às vezes o patrão é o melhor recurso do recrutador sindical”.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

IMAGEM: ALEXSANDER FERRAZ

São Paulo liderou todos os estados em número de processos, chegando a 672 demandas

Quase 1.900 ações trabalhistas citando questões raciais foram protocoladas na Justiça em 2020. A maior parte dos registros ocorreu em São Paulo, com 672 processos. Em seguida vêm Rio Grande do Sul (237) e Minas Gerais (141), de acordo com levantamento da Data Lawyer, empresa de jurimetria e inteligência artificial. O valor total das causas chega a R$ 402 milhões, e os setores que tiveram mais ações foram call center e restaurantes. O aumento foi de 11% em relação a 2019.

O crescimento de processos é resultado de uma maior conscientização da população negra, segundo Margareth Goldenberg, sócia da consultoria que leva seu sobrenome e que implementou o trainee exclusivo para negros no Magazine Luiza.

“Em 2020, empresas aprenderam que precisam reforçar códigos de conduta. Ainda há centenas de milhares de companhias que não fazem nada. Importante é que o tema está em pauta”, afirma.

 
Para Denise Arantes, advogada trabalhista do escritório Mauro Menezes, o aumento da judicialização reflete um cenário de crescente precarização de direitos, que deixa o trabalhador mais vulnerável. “Quando você tem uma categoria sem um sindicato forte, submetida a poucas regras, sem hora extra, o próximo passo é a violação dos direitos humanos.”
 
FONTE: FOLHA DE S.PAULO
 

De quase 94 mil denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), 36 mil eram sobre a covid-19

 O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 93.707 denúncias de violações de direitos em 2020. Desse total, 36.010 (38%) eram referentes à covid-19. Assim, segundo o MPT, foram quase 100 denúncias por dia “decorrentes dos impactos do novo coronavírus no mundo do trabalho”. Os dados ainda são preliminares, e deverão ser detalhados nos próximos dias. Entre as queixas, estão desrespeito a medidas de protocolo e fornecimento de equipamentos de proteção.

Ainda de acordo com o Ministério Público, foram abertos mais de 22 mil inquéritos civis para apurar irregularidades trabalhistas. E 9.810 (44%) eram sobre Covid. 

Além disso, o MPT bateu recorde em recomendações: foram 21.098 no ano passado, ante apenas 2.861 em 2020. A maior parte (63%) também tinha como foco a pandemia, “com medidas de prevenção e combate à doença voltadas a diferentes categorias profissionais, nas 13.482 recomendações enviadas aos empregadores”. Houve ainda 153.403 despachos e 195.857 notificações, ofícios e requisições.

“Esta atuação relacionada à Covid-19 resultou também em 353 termos de ajustamento de conduta firmados e 407 ações civis públicas ajuizadas”, informa o MPT. A Procuradoria elaborou notas técnicas voltadas às atividades de professores e trabalhadores na saúde, além de home office, teleatendimento e serviços domésticos, entre outros.

O Ministério Público do Trabalho cita acordo firmado com a startup Rappi. A empresa de entrega via aplicativo “se comprometeu a adotar uma série de medidas destinadas à proteção dos entregadores contra a Covid-19, além de assistência financeira àqueles diagnosticados ou que apresentarem atestado que comprove a necessidade de isolamento social”. 

FONTE: REDE  BRASIL ATUAL

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IMAGEM: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

 

Mercado estimava alta de 2,6% no PIB

Mas economia deve retrair 4,1% em 2020

A pandemia de covid-19 derrubou a economia brasileira em 2020. A crise fez evaporar todas as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto e outros indicadores no ano passado.

O Poder360 elaborou 1 levantamento com as projeções realizadas em 2019 –por mercado, organizações, Banco Central e instituições financeiras– para os principais indicadores econômicos em 2020.

Economistas de dentro e de fora do governo estavam otimistas em relação ao desempenho de grande parte dos setores econômicos no final de 2019. A expectativa em dezembro daquele ano era que 2020 terminasse com alta do PIB de 2,6% em relação a 2019.

Outros indicadores ficaram fora do que seria confirmado nos meses seguintes. A inflação, medida pelo IPCA, deve registrar 4,4% em 2020 ante projeção de 3,6% da mediana do mercado.

A Selic, taxa básica de juros, terminou 2020 em 2% ao ano, o menor patamar da história. Era esperado percentual de 4,5%.

O desemprego, que já estava alto para o patamar brasileiro, disparou. Deve fechar o ano com mais de 15% de desocupação. A projeção era uma taxa na faixa de 11%.

O câmbio disparou com a redução dos juros a aversão do mercado ao risco. Bilhões de dólares foram retirados do Brasil. A moeda-norte americana atingiu o recorde nominal de R$ 5,90 em 13 de maio. Houve recuo nas últimas semanas. Atualmente, é negociada a R$ 5,189 –crescimento de 29,33% no ano passado. Em dezembro de 2019, algumas instituições esperavam o câmbio abaixo de R$ 4 no final de 2020.

A balança comercial terá um resultado melhor que o esperado. O saldo projetado pelos economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, era de US$ 39,4 bilhões. Com o dólar alto e forte demanda da Ásia por commodities, o saldo deve fechar positivo em US$ 55 bilhões.

O coronavírus também desarranjou as contas públicas. Por causa dos gastos para conter os efeitos da pandemia, o setor público deve ter deficit de 11,7% do PIB. Ou seja, 11,7% de tudo que é produzido pela economia em 1 ano. Será o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997.

 

FONTE: PODER 360

IMAGEM: SERGIO LIMA/PODER360

 

O JOTA destrinchou as expectativas de aprovação das principais proposições da agenda econômica do governo. 

Defendida pelo ministro Paulo Guedes e abraçada pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a chamada agenda econômica será o desafio do Congresso Nacional em 2021. Parte dos projetos avançou em 2020 mesmo com a pandemia do coronavírus, mas muitas propostas ainda esperam por votação das duas Casas Legislativas.

A incerteza sobre os nomes dos próximos presidentes da Câmara e do Senado, bem como dúvidas sobre seu compromisso com a priorização das matérias econômicas mantém a expectativa até fevereiro. Serão os eleitos em 1º de fevereiro que definirão o ritmo das reformas estruturantes, do plano de privatizações e, em especial, das matérias consideradas urgentes do ponto de vista fiscal.

O JOTA  mapeou as pautas econômicas prioritárias para o governo e que esperam por votação no Senado e na Câmara em 2021.

No relatório, a equipe de Congresso do JOTA destrincha as articulações, a tramitação regimental e as expectativas para aprovação de 16 proposições relevantes para a agenda econômica — e prioridades da articulação política do governo no Congresso.

É possível acompanhar a tramitação, as chances de aprovação e o histórico de oscilação de todas as propostas com o Aprovômetro, ferramenta de machine learning do JOTA capaz de inferir a probabilidade de aprovação de projetos em tramitação no Senado ou na Câmara.

Para entender o estado da política e da relação entre os Três Poderes em 2020, o JOTA lançou o ebook gratuito Risco Político, que compila e esmiuça as principais colunas da newsletter feita diariamente por Fábio Zambeli, analista-chefe do JOTA em SP.  O documento contém uma retrospectiva de 2020 para oferecer uma visão global de tudo que aconteceu em um dos anos mais atípicos da história recente do Brasil.

Agenda econômica no Senado

PEC 186/2019 – PEC Emergencial

PLS 261/2018 – Marco Legal das Ferrovias

PL 3178/2019 – Mudança do regime de exploração no pré-sal 

PL 1538/2019 – Monetização dos de Óleo Lucro 

PLS 232/2016 – Portabilidade do setor elétrico

PL 4199/2020 –  Lei da Cabotagem

PLP 146/2019 – Marco Legal das Startups

PLP  137/2020 – Fundos 

Câmara dos Deputados

PEC 32/2020 – Reforma Administrativa 

PL 5877/2019 – Privatização da Eletrobrás 

PLP 19/2019 – Autonomia do Banco Central 

PL 2963/2019 – Venda de terras a estrangeiros 

PL 4476/2020 – Regulamentação do Gás Natural 

PL 5387/2019 – Modernização da Lei Cambial

PL 3443/2019 – Certificação Digital

PLP 295/2016 – Nova Lei de Finanças Públicas

 

FONTE: JOTA

Vacina da Pfizer - 31/10/2020 REUTERS/Dado Ruvic

Imagem: REUTERS/Dado Ruvic

 

Dificuldades impõem desafios. Mesmo com eficácia de uma vacina contra covid-19, governos e populações ainda terão de manter cuidados

A produção da vacina contra a covid-19 é um marco da ciência no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), havia em dezembro mais de 200 vacinas candidatas em desenvolvimento. Mais de 50 delas já estão sendo testadas em humanos. Mais de 40 países já iniciaram campanhas de vacinação em massa ainda em 2020. No Brasil, o governo federal não assegura – nem desenvolveu estrutura para isso – que haverá condições de iniciar a imunização antes de fevereiro. O atraso brasileiro na expectativa da vacinação é um reflexo de toda a falta de comando, de responsabilidade e de competência que marcou a gestão da pandemia do novo coronavírus pelo governo de Jair Bolsonaro.

O mundo porém, acelera para obter os imunizantes elaborados em menor tempo na história, graças aos avanços tecnológicos envolvidos em suas composições. A corrida, agora, é para agilizar os processos de aprovação dos fármacos em agências reguladoras. Entretanto, mesmo a eficácia da vacina contra a covid-19 – primeiro grande passo da humanidade para virar a página da pandemia – significa que tudo poderá voltar ao normal tão rapidamente como desejam as pessoas.

Isso porque, até as nações alcançarem a imunidade de rebanho através dos imunizantes (e não do contágio), existe um longo caminho. Especialistas argumentam que mesmo os que tomarem a vacina nas primeiras levas devem manter os cuidados e um distanciamento social adequado, para proteger os que deverão esperar a produção de mais doses.

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, fez um alerta na última semana, um dia após o início da vacinação no país. “Ninguém deve reivindicar direitos especiais até que todos tenham a chance de se vacinar. Muitos aguardam solidariamente para que alguns possam ser vacinados primeiro. E aqueles que ainda não foram vacinados esperam que os vacinados sejam pacientes, em um gesto de solidariedade”, disse. Segundo o ministro, não se sabe ao certo se os vacinados não transmitem para os ainda não imunizados: “Pois não sabemos se a vacina protege apenas a pessoa vacinada ou também contra a transmissão para outras pessoas”.

Logo, é necessário cautela. A Alemanha, embora tenha iniciado o processo de forma ágil, vive um período difícil da pandemia. O país registrou mais de 1.600 mortes por coronavírus nos últimos dois dias do ano – a maior ocorrência desde o início da pandemia – e encerrou 2020 covid-19 com quase 1,8 milhão de casos de covid-19 e 34 mil mortes.

Cuidados redobrados

A pandemia de covid-19 é a maior crise sanitária do mundo em mais de 100 anos, depois da gripe espanhola (1918-1920). O vírus possui grande poder de disseminação e está presente nos sete continentes. No Brasil, todos os municípios já reportaram casos. A grande presença do vírus, aliado às dificuldades logísticas de uma vacinação em massa – e até mesmo problemas civilizatórios (como a existência de pessoas contrárias às vacinas) –, exigirá cuidados de populações e governos mesmo após o início da vacinação em massa.

É o que defende a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcomo. “No Brasil, não há um município que não tenha caso registrado. O vírus vai ficar endêmico. Portanto, o fato de ser vacinado não nos isenta de andar de máscara pelos próximos dois anos, por exemplo. De termos cuidado com ambientes fechados, de solicitarmos testes negativos para embarcar em voos internacionais”, disse Margareth, em recente entrevista à Folha de S. Paulo.

O caso brasileiro

No Brasil o cenário é ainda mais grave, porque o governo do presidente Jair Bolsonaro sempre negou a gravidade da crise, ridicularizou mortes e obstruiu medidas recomendadas pela ciência. Agora, pouco fez para que o Brasil pudesse agilizar pesquisas da vacina contra a covid-19 e já pudesse contar com um processo de imunização. Bolsonaro chegou a afirmar que vacinas aprovadas em países como Alemanha e Estados Unidos “transformam gente em jacaré”. E mentiu que a vacina em estudo pelo Instituto Butantã, em São Paulo – a CoronaVac, desenvolvida em parceria com a indústria chinesa Sinovac –, provocaria “má formação”. Ele chegou a comemorar a interrupção breve dos estudos. “Mais uma que Bolsonaro ganha“, disse.

Em uma desastrosa ação mais recente, o governo perdeu um edital de compra de seringas, o que pode provocar desabastecimento mesmo deste insumo básico. Enquanto isso, não existe previsão concreta ou um calendário adequado de vacinação. A Fiocruz informou que vai exigir aprovação da vacina da AstraZeneca, em estudo pela entidade brasileira, já que o medicamento foi aprovado na quarta-feira (30) pela agência reguladora de vigilância sanitária da Inglaterra.

Vigilância

Contudo, a condução de Bolsonaro é tão adversa que o partido Rede Sustentabilidade pediu no Supremo Tribunal Federal que obrigue o governo federal a relatar semanalmente como está lidando com a questão das vacinas.

“O presidente da República vem responsabilizando as empresas pelo atraso que, na verdade, é decorrente de sua omissão em planejar a aquisição de vacinas e a imunização da população. Por outro lado, as empresas enfrentam dificuldades em obter o registro definitivo ou a autorização emergencial diante do provável maior conservadorismo da Anvisa”, afirma o partido, em nota à imprensa.

A Rede ainda argumenta que “a atuação errática do governo federal na condução do enfrentamento da pandemia não pode continuar, merecendo a intervenção imediata do Supremo Tribunal Federal na defesa do povo brasileiro para que receba a mesma proteção que a população dos demais países já está recebendo”.

A expectativa de um tratamento mais sério pelo Estado brasileiro à busca da vacina contra a covid-19 chegou à Câmara dos Deputados. A Casa viverá nas próximas semanas o debate da sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. E o PT, que tem a maior bancada, condiciona sua adesão a um bloco que lançou a candidatura de Baleia Rossi (MDB-São Paulo) ao compromisso com a luta pela vacina.

 FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Estreito de Ormuz – Wikipédia, a enciclopédia livre

O estreito de Ormuz visto do espaço. NASA

 

De acordo com um comunicado, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul "ordenou de imediato o Cheonghae para as águas do estreito de Ormuz, depois de receber um relatório da apreensão do navio comercial pelo Irã".

A Coreia do Sul enviou uma unidade naval antipirataria para o Golfo, após a apreensão de um petroleiro de bandeira sul-coreana pelo Irã, anunciou hoje o Ministério da Defesa sul-coreano.

De acordo com um comunicado, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul "ordenou de imediato o Cheonghae para as águas do estreito de Ormuz, depois de receber um relatório da apreensão do navio comercial pelo Irão".

No momento em que crescem as tensões entre o regime de Teerã e os Estados Unidos, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, anunciou que apreendeu o petroleiro nas águas do Golfo, acusando-o de violar as "leis sobre o meio ambiente marinho".

O 'site' oficial da Guarda Revolucionária revelou hoje que a tripulação - de nacionalidades sul-coreanas, indonésias, vietnamitas e de Mianmar - foi detida.

FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO

Salário mínimo 2021: valor e como ganhar mais

IMAGEM: SEBRAE/RESPOSTAS

 

Cerca de 70% dos beneficiários da Previdência recebem 1 salário mínimo. Com a definição do salário mínimo de 2021 para R$ 1.100, a maior parte dos aposentados deverá ter reajuste para este mesmo valor. O aumento será de 5,26% em relação aos atuais R$ 1.045.

É que o salário mínimo define o piso dos benefícios do INSS. Portanto, os aposentados que recebem 1 salário mínimo também deverão ter reajuste de 5,26% em 2021.

Todos os anos definição de reajuste do piso nacional parte do governo, por meio de análises de caixa e da inflação no país. Esse valor passa a valer no começo de cada ano por meio de medida provisória, mas passa também por aprovação do Congresso.

Também sobe o valor de benefícios indexados ao salário mínimo, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Quem ganha acima do mínimo
No entanto, para os aposentados que ganham mais que o salário mínimo, mesmo que seja apenas alguns reais, a regra muda, explica Rodolfo Ramer, especialista em direito previdenciário.

O reajuste é feito seguindo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nesses casos. Em geral, o salário mínimo e o piso do INSS têm reajuste ligeiramente maior que o INPC. Mas o contrário também ocorre.

No acumulado deste ano, o INPC está com alta de 3,93%. Mas o Ministério da Economia prevê alta de 4,11% para o ano.

De qualquer modo, o aumento dos demais beneficiários deverá girar em torno de 4% em 2021.

O INPC também é o índice que define o reajuste do teto do INSS. Assim, se esse realmente ficar em torno de 4,10%, o teto passaria para R$ 6.351,20, ante os atuais R$ 6.101.

Reajuste real no piso
De acordo com a mais recente projeção do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a inflação IPCA de 2020 deve ficar em 4,39%. Com isso, os 5,26% de reajuste do salário mínimo e piso do INSS ficaram acima da inflação, gerando pequeno aumento real do poder de compra.

Ter ganho real significa que o aumento ficou acima da inflação. Neste caso, o aumento real é de 0,9%. Para todos que ganham além do piso, mesmo que poucos reais, não deverá haver aumento real, sendo o reajuste feito somente para cobrir a alta do INPC do período.

“Nos governos anteriores a 2019, eles havia o aumento real, isso fazia com que o salário mínimo subisse muito. Esse aumento era positivo para os aposentados, mas negativo na economia do sistema do Brasil, pois criava um déficit para que a Previdência pagasse para grande parcela dos aposentados”, afirma Ramer.

 

FONTES: DIAP/portal Valor Investe