IMAGEM: CNT/GOV/PORTOS

Brasil, Paraguai e Bolívia avançam em modelo para gestão da Hidrovia do Rio Paraguai

Acordo prevê coordenação trilateral de serviços essenciais à navegação, com foco em sinalização, monitoramento e manutenção das condições de navegabilidade

Brasil, Paraguai e Bolívia estão avançando na construção de um modelo compartilhado de gestão da Hidrovia do Rio Paraguai, corredor estratégico para o transporte fluvial na América do Sul e para a integração logística regional. Em reunião realizada no dia 14 de maio por videoconferência, representantes dos três países discutiram um acordo internacional voltado à governança compartilhada e à futura concessão da hidrovia.

A iniciativa quer reforçar a integração regional e dar mais eficiência ao transporte hidroviário, fortalecendo o comércio entre os países e promovendo o desenvolvimento das populações que dependem do rio.

Durante o encontro, o governo paraguaio apresentou uma proposta de atualização do modelo de gestão, com foco na modernização da concessão e no fortalecimento da coordenação entre os países ao longo da via fluvial.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, a proposta prevê maior cooperação entre os países. “A proposta busca ampliar a coordenação entre os países e garantir mais eficiência na navegação e no transporte de cargas ao longo da hidrovia, com previsibilidade regulatória e segurança jurídica durante toda a concessão”, afirmou.

A proposta contempla a prestação de serviços essenciais à navegação, como balizamento e sinalização náutica, monitoramento hidrológico e comunicação operacional, além da manutenção das condições de navegabilidade. Também prevê o uso de tecnologias para monitoramento do tráfego de embarcações e acompanhamento ambiental, com foco em maior eficiência e segurança operacional.

O modelo em discussão prevê a criação de um mecanismo trilateral de acompanhamento da concessão, com regras comuns de coordenação operacional, fiscalização e gestão do corredor hidroviário. As tratativas são coordenadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e o Programa de Parcerias de Investimentos.

A expectativa é que uma nova rodada de negociações ocorra na segunda quinzena de junho, com o objetivo de consolidar um acordo em conjunto.

Importância estratégica da hidrovia

A Hidrovia do Rio Paraguai movimenta cerca de 10 milhões de toneladas de cargas por ano, incluindo grãos, minérios, combustíveis e alimentos. O corredor conecta regiões produtoras do Centro-Oeste brasileiro aos mercados da Bacia do Prata, contribuindo para a redução dos custos logísticos e para o fortalecimento da integração econômica sul-americana.

A iniciativa está alinhada à estratégia do Governo Federal de ampliar a participação do transporte hidroviário na matriz logística nacional, reconhecido pela eficiência energética e pelo menor impacto ambiental no transporte de grandes volumes.

Além disso, o projeto deve beneficiar cadeias produtivas e contribuir para o desenvolvimento de comunidades ribeirinhas, com o fortalecimento da infraestrutura logística e da conectividade regional.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

IMAGEM: Shirley Stolze/Ag A TARDE

O Senado Federal confirmou, na quarta-feira (27/05/2026), a adesão do Brasil ao protocolo internacional que estabelece regras mais rígidas para indenizações em casos de derramamento de óleo no meio ambiente. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 167/2025 foi aprovado pelo Plenário e segue agora para promulgação.

A medida ratifica o protocolo de 1992, atualizado no ano 2000, que reformula a Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo. O acordo internacional amplia os limites de indenização e reforça mecanismos de responsabilização de proprietários de navios petroleiros envolvidos em acidentes ambientais.

Com a adesão ao protocolo atualizado, conhecido como CLC 92, o Brasil passa a alinhar sua legislação aos padrões internacionais adotados por 144 países que integram o sistema de compensação ambiental administrado pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Convenção internacional surgiu após desastre ambiental em 1967

A convenção original foi criada em 1969 pela Organização Marítima Internacional após o desastre envolvendo o petroleiro Torrey Canyon, ocorrido em 1967, quando aproximadamente 120 mil toneladas de óleo foram derramadas nas costas do Reino Unido e da França.

A Organização Marítima Internacional é uma agência vinculada às Nações Unidas responsável pela segurança da navegação e pela prevenção da poluição marinha e atmosférica causada por embarcações.

O Brasil aderiu à versão inicial da convenção, conhecida como CLC 69. Com a atualização aprovada pelo Senado, o país passa a integrar formalmente a versão revisada do tratado internacional, que amplia regras de compensação por danos ambientais causados por vazamentos de petróleo.

Atualização amplia limites de indenização por derramamento de óleo

Entre as principais mudanças previstas no protocolo está o aumento dos valores máximos de indenização aplicados aos proprietários de navios petroleiros envolvidos em acidentes ambientais.

Pelas novas regras, o teto de responsabilidade financeira das grandes embarcações sobe de aproximadamente R$ 407 milhões para cerca de R$ 613 milhões, considerando os valores atuais de câmbio. Já a indenização mínima passa de cerca de R$ 20,5 milhões para R$ 30,8 milhões.

Os valores variam conforme o porte das embarcações envolvidas no transporte ou manuseio de petróleo e derivados.

Área de aplicação da responsabilidade civil é ampliada

O protocolo também amplia a área geográfica de aplicação das regras de responsabilidade civil em casos de derramamento de óleo no mar.

Anteriormente, a cobertura estava limitada ao mar territorial, correspondente a cerca de 22 quilômetros da costa. Com a atualização, as normas passam a alcançar também a Zona Econômica Exclusiva, que pode se estender até 370 quilômetros da costa brasileira.

A ampliação aumenta a abrangência da responsabilização financeira em acidentes ambientais marítimos e fortalece mecanismos de compensação relacionados a danos causados por poluição petrolífera.

Convenção exige seguro obrigatório para transporte de óleo

Desde a criação da convenção internacional em 1969, os responsáveis pelo transporte e manuseio de óleo são obrigados a contratar seguros específicos para cobertura de danos ambientais causados por vazamentos.

As regras estabelecem que proprietários de embarcações devem compensar financeiramente pessoas, empresas e países afetados por acidentes com derramamento de petróleo, independentemente da comprovação de culpa.

A dispensa da responsabilidade civil ocorre apenas em situações específicas, como guerra, sabotagem ou desastres naturais considerados excepcionais pela legislação internacional.

Relator destaca alinhamento do Brasil a normas internacionais

O relator da matéria no Senado, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), afirmou que a adesão ao protocolo representa um alinhamento do Brasil aos padrões internacionais de compensação ambiental relacionados à poluição marítima.

Segundo o parlamentar, a atualização fortalece os mecanismos de responsabilização em acidentes ambientais envolvendo transporte marítimo de petróleo e derivados.

A adesão ocorre em um contexto de discussões sobre prevenção e resposta a desastres ambientais marítimos, especialmente após o derramamento de óleo registrado no litoral do Nordeste em 2019.

Derramamento de óleo no Nordeste ampliou debate sobre responsabilidade ambiental

Em 2019, manchas de óleo atingiram praias de nove estados do Nordeste brasileiro, em um dos maiores desastres ambientais marítimos registrados no país.

Na ocasião, cerca de 5 mil toneladas de óleo cru se espalharam por aproximadamente 3 mil quilômetros do litoral brasileiro, afetando áreas ambientais, atividades econômicas e comunidades costeiras.

O episódio ampliou debates sobre fiscalização marítima, mecanismos de indenização ambiental e atualização das normas brasileiras relacionadas à responsabilidade civil por poluição causada por petróleo.

FONTE: Agência Senado

IMAGEM: Reuters

A Comissão Europeia propôs na terça-feira um amplo 21º pacote de sanções contra a Rússia , visando o setor financeiro do país, operações da frota paralela, exportações de energia e cadeias de suprimentos militares, enquanto Bruxelas busca manter a pressão econômica sobre Moscou mais de quatro anos após o início da invasão em larga escala da Ucrânia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a alta representante da UE, Kaja Kallas, detalharam as medidas, que incluiriam dezenas de bancos, embarcações, empresas e indivíduos no regime de sanções do bloco, além de introduzir novas restrições ao transporte de GNL e aos serviços de criptomoedas.

“Tijolo por tijolo, estamos a desmoronar os alicerces da economia de guerra da Rússia”, disse Kallas ao apresentar o pacote.

Entre as medidas marítimas, a Comissão propôs sanções a mais 30 embarcações ligadas à frota paralela da Rússia, elevando o número total de navios sancionados para mais de 660. O pacote também ampliaria os critérios de sanções para incluir embarcações e empresas que fornecem abastecimento, reabastecimento de combustível ou outros serviços de apoio a navios já sancionados.

“Pela primeira vez, também estamos visando embarcações que auxiliam a frota paralela — fornecendo abastecimento de combustível e outros serviços, por exemplo”, disse von der Leyen.

A Comissão também propõe a proibição de transações em dois portos russos e quatro aeroportos envolvidos no apoio às exportações de petróleo da Rússia, juntamente com novas restrições à venda e revenda de navios-tanque de GNL para a Rússia. A medida segue ações anteriores da UE que restringiram a venda de navios-tanque usados ​​no transporte de petróleo bruto.

Um aspecto notável do pacote é a proposta de congelamento temporário do mecanismo de ajuste do teto do preço do petróleo russo. Segundo von der Leyen, a medida visa impedir que as recentes perturbações do mercado, decorrentes do fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionem as receitas petrolíferas russas.

“O nosso teto para o preço do petróleo tem um mecanismo de ajuste embutido para acompanhar o mercado. Ele não foi concebido para choques de mercado como o causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz ”, disse von der Leyen. “Portanto, propomos simplesmente suspender o ajuste até janeiro do próximo ano.”

As medidas financeiras imporiam o congelamento de ativos em quase 90 bancos e ampliariam as proibições de transações para mais de 30 instituições financeiras russas e de terceiros países. O pacote também endureceria as restrições aos serviços de criptomoedas e introduziria proibições de transações em 11 plataformas de criptomoedas acusadas de ajudar a Rússia a contornar as sanções.

A Comissão afirmou que intensificará as medidas contra entidades que apoiam a base industrial militar da Rússia, incluindo mais de 30 novas empresas ligadas à produção de drones e controles de exportação que afetam 50 empresas localizadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia. Restrições adicionais à exportação abrangerão pós de níquel, metais especiais e ligas de alto desempenho utilizadas em aplicações aeroespaciais e de defesa.

O pacote também propõe novas restrições à importação de metais, produtos químicos, peças automotivas e produtos da pesca selecionados, incluindo a proibição total de algumas importações de frutos do mar russos. A pesca se tornaria um dos últimos grandes setores econômicos russos sujeitos a restrições comerciais significativas da UE.

Além disso, Bruxelas está propondo uma ampla proibição de vistos para ex-membros das forças armadas russas e grupos paramilitares afiliados.

O pacote de sanções precisa ser aprovado pelos Estados-membros da UE antes de entrar em vigor. Se adotado, será a 21ª rodada de sanções impostas pelo bloco desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

FONTE: GCAPTAIN

IMAGEM: DNIT/DIVULGAÇÃO

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (27), em agendas no Amazonas marcadas por anúncios de investimentos em infraestrutura naval, logística hidroviária e desenvolvimento regional. Durante o dia, foram anunciados R$ 875,9 milhões, com recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), para o projeto do Terminal Manaus Moderna. Lula também anunciou investimentos de R$ 2,8 bilhões da Petrobras e da Transpetro para a construção de barcaças no Estaleiro Bertolini e perfuração de poços.

No Estaleiro Juruá, na capital amazonense, o ministro Tomé Franca apresentou o projeto do Terminal Manaus Moderna, empreendimento conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O contrato das obras foi assinado em março deste ano, e a conclusão está prevista para 2029. O novo terminal poderá movimentar cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano, além do transporte de cargas essenciais, como alimentos e medicamentos. A estrutura vai atender diretamente 61 municípios ribeirinhos, a cidade de Manaus e cerca de 4,5 milhões de pessoas na Amazônia.

O projeto inclui a construção de cais flutuantes, pontes móveis, terminais para passageiros e cargas, áreas de operação, estacionamentos, estação de tratamento de esgoto, subestação de energia e estruturas de acessibilidade e segurança. As obras também preveem melhorias no entorno da Feira da Banana, importante centro comercial popular de Manaus. 

Durante a apresentação, o ministro destacou a importância estratégica da obra para a integração e o desenvolvimento da região amazônica. “O Porto Manaus Moderna representa um novo padrão para a infraestrutura hidroviária da Amazônia. Estamos falando de um investimento de quase R$ 900 milhões para ampliar a capacidade operacional do terminal e garantir mais segurança, acessibilidade, conforto e dignidade aos milhões de passageiros que dependem diariamente do transporte pelos rios. É uma obra que fortalece a logística, impulsiona a economia regional e melhora a vida das populações ribeirinhas”, afirmou.

Fundo da Marinha Mercante

Mais cedo, no estaleiro Bertolini, o presidente Lula anunciou investimentos do Sistema Petrobras no estado e os projetos de construção de 18 barcaças destinadas ao transporte de combustíveis e a retomada dos investimentos da Petrobras na produção de Urucu, com cerca de R$ 2,5 bilhões previstos para a perfuração de novos poços. As iniciativas também incluem ações voltadas à navegação interior e à logística hidroviária.

O presidente Lula também destacou o aumento dos investimentos realizados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM). “Nos sete anos anteriores ao atual governo, foram aplicados cerca de R$ 22 bilhões em infraestrutura naval e logística. Já nos quatro anos da atual gestão, os investimentos no setor somaram R$ 88 bilhões. Quatro vezes mais significa mais empregos, mais embarcações e mais desenvolvimento para o país. Isso fortalece a economia e amplia as oportunidades para a população”, afirmou.

O ministro Tomé Franca reforçou o avanço dos aportes no setor e a prioridade dada à região Norte. “Estamos vivendo um dos maiores ciclos de investimento em infraestrutura do país, com forte atuação do Fundo da Marinha Mercante. Fortalecer a logística na Amazônia significa ampliar oportunidades, melhorar o transporte de cargas e passageiros, impulsionar o desenvolvimento econômico da região Norte e garantir mais integração para as comunidades que dependem dos rios como principal meio de acesso”.

FONTE: Ascom Ministério de Portos e Aeroportos

IMAGEM: Pixnio, CC0/Mar Sem Fim

Entre 2022 e 2024, 67% das embarcações de pesca industrial dentro de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) costeiras não eram rastreadas, com falhas graves de fiscalização nas áreas que representam 17,4% da proteção marinha global.

O Dia Mundial do Oceano, assinalado esta segunda-feira, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”. Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, a efeméride envolve este ano mais de duas mil organizações em 180 países, sob o tema “Áreas Marinhas Protegidas robustas para o nosso Planeta Azul”.

A mensagem oficial sublinha que a criação de áreas marinhas protegidas “rigorosamente regulamentadas” é essencial para alcançar a meta de proteger pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Para marcar a data, é hoje publicado o Starfish Barometer 2026, um relatório científico anual elaborado por mais de 30 investigadores de todo o mundo e publicado na revista científica State of the Planet, que traça um retrato detalhado e preocupante do estado dos mares. O diagnóstico é claro: os esforços de proteção avançam, mas as pressões humanas sobre o oceano crescem mais depressa.

O que diz a ciência

Os números do Starfish Barometer dão substância ao apelo do Dia do Oceano sobre áreas protegidas. A cobertura global de AMP subiu para 10,01% do oceano em meados de 2026, face a 8,34% em 2024, um progresso real, mas ainda muito distante da meta de 30% de proteção até 2030. Mais preocupante ainda é que apenas 3,2% do oceano está totalmente ou altamente protegido, e é precisamente nestas zonas que a proteção é efetiva.

Em contraste, estudos recentes citados no relatório revelam que, entre 2022 e 2024, 67% das embarcações de pesca industrial que operam dentro de AMP costeiras não eram rastreadas publicamente, denunciando falhas graves de fiscalização nas áreas que representam 17,4% da proteção marinha global.

O estado dos ecossistemas agrava a urgência: entre Janeiro de 2023 e Setembro de 2025, 84,4% dos recifes de coral do planeta sofreram stress térmico suficiente para provocar branqueamento, um recorde absoluto que supera largamente os 68,2% registrados durante o episódio de 2014 a 2017.

O número de espécies marinhas ameaçadas subiu para 1685, com 30 espécies a registar deterioração do estatuto de conservação no último ano e 1224 a apresentar declínio populacional. Todos os ecossistemas húmidos costeiros estão também a perder superfície desde 1970: os recifes de coral encolheram 26,4%, as florestas de algas 48,1%, os mangais 11,8%.

O aquecimento e a subida do nível do mar também aceleram, com a taxa de subida média global a passar de 2,6 milímetros por ano entre 1993 e 2011 para 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2025. Em 2025, o calor oceânico atingiu valores recorde, e 20% do oceano global sofreu condições de onda de calor marinha intensa em Junho desse ano.

Avanços institucionais

No plano da governança, o ano trouxe mudanças significativas. Em Janeiro de 2026 entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que cria um quadro jurídico partilhado para proteger os 61% do oceano situados além das jurisdições nacionais e permite, pela primeira vez, designar AMP em águas internacionais e estabelecer avaliações de impacto ambiental nestas zonas. Em Setembro de 2025, entrou também em vigor um tratado que proíbe os subsídios públicos à pesca ilegal, um dos principais motores do esgotamento global das unidades populacionais de peixe.

Em Dezembro de 2025, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) atribuiu o nível máximo de proteção ao tubarão-oceânico, ao tubarão-baleia e às raias-manta e diabo, num passo significativo contra a sobreexploração destas espécies.

O Starfish Barometer termina com uma nota de alerta: apesar do progresso institucional, o fosso entre as pressões crescentes e os esforços de proteção continua a alargar-se. As emissões do transporte marítimo mantêm-se estáveis, sem sinais claros de descarbonização.

Os resíduos plásticos atingiram um recorde de 130 milhões de toneladas produzidas em 2025 e os sistemas de observação oceânica in situ (infraestruturas críticas para monitorizar e proteger os mares) estão a encolher por falta de financiamento, mesmo quando a procura de informação sobre o oceano nunca foi tão grande.

“A protecção do oceano, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade compartilhada”, lembra a mensagem do Dia Mundial do Oceano 2026. A ciência acrescenta que essa responsabilidade está, por enquanto, a ser cumprida de forma insuficiente.

FONTE: PÚBLICO

IMAGEM: RAFAELA ARAÚJO/FOLHAPRESS

PEC 221/19 é aprovada com ampla maioria em 2 turnos e marca maior mudança constitucional nas relações de trabalho desde 1988. Embate expôs choque entre projeto de proteção social e discurso neoliberal sobre “flexibilização” trabalhista

A Câmara dos Deputados protagonizou, nesta terça-feira (27), uma das votações mais simbólicas desde a promulgação da Constituição de 1988 ao aprovar, em primeiro e segundo turnos, a PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, extingue a escala 6x1 e estabelece a jornada 5x2 como referência nacional, sem redução salarial. A proposta agora vai ao exame do Senado.

O texto que vai ao exame Senado é um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas, e para a PEC 8/25, da deputada Érika Hilton (PSol-SP), de igual jornada em 4 dias.

A proposta foi aprovada em primeiro turno por 472 votos favoráveis e 22 contrários; no segundo turno, o placar foi de 461 votos a 19. Antes da deliberação em plenário, a comissão especial aprovou o parecer do relator, deputado Leo Prates, por 34 votos a 4.

O plenário da Casa viveu sessão carregada de simbolismo político, social e ideológico. Depois de décadas de tramitação de propostas semelhantes e de sucessivas derrotas históricas do movimento sindical, os deputados aprovaram a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/19, do deputado Reginaldo Lopes, considerada pelas centrais sindicais e por partidos de esquerda a maior conquista trabalhista desde a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituinte de 1988.

A PEC reduz progressivamente a jornada semanal máxima para 40 horas e extingue a escala 6x1, substituindo-a pela escala 5x2, sem redução salarial. O texto ainda prevê regulamentações específicas para categorias com regimes diferenciados, como enfermagem, aeronautas, trabalhadores embarcados e segmentos submetidos a jornadas especiais.

O resultado consolidou ampla maioria suprapartidária construída pelo governo do presidente Lula (PT), pelas centrais sindicais e por setores do centro político. O acordo articulado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA) permitiu a formação de bloco favorável robusto, isolando a extrema-direita e setores ultraliberais que tentaram barrar a proposta.

Disputa entre 2 projetos de País

O debate em plenário extrapolou a discussão técnica sobre jornada de trabalho. O confronto revelou 2 visões antagônicas sobre o mundo do trabalho, produtividade, Estado e direitos sociais.

De um lado, parlamentares governistas, sindicalistas e partidos de esquerda defenderam a PEC como medida civilizatória, humanitária e de justiça social. Do outro, deputados da oposição neoliberal e bolsonarista classificaram a proposta como “eleitoreira”, “populista” e potencialmente geradora de desemprego, inflação e informalidade.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) resgatou a trajetória histórica da reivindicação, e lembrou que a luta pela jornada de 40 horas remonta à Conclat de 1981 e atravessou décadas de mobilização sindical. Segundo ela, o Parlamento respondeu finalmente “à luta histórica das mulheres e homens trabalhadores deste País”.

A parlamentar enfatizou que mais de 38 milhões de trabalhadores formais cumprem jornadas superiores a 40 horas e destacou especialmente o impacto da sobrecarga sobre as mulheres, que acumulam trabalho remunerado e doméstico. “A jornada das mulheres é 7x0”, afirmou.

No mesmo sentido, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) classificou a votação como “a luta do nosso tempo”, associando a redução da jornada à preservação da saúde física e mental dos trabalhadores. Citou casos de adoecimento, depressão, exaustão e doenças ocupacionais provocadas pela intensificação do trabalho.

O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) afirmou que o Brasil vive historicamente sob o comando da elite econômica “que governa de costas para o povo” e comparou os argumentos atuais contra a PEC às resistências históricas contra férias, salário mínimo e 13º salário.

Protagonismo das mulheres

Grande parte da defesa da proposta foi conduzida por parlamentares mulheres, que transformaram o debate sobre jornada em discussão sobre gênero, cuidado e desigualdade social.

A deputada Dandara (PT-MG) fez um dos discursos mais emocionados da sessão ao relatar a própria experiência como trabalhadora do comércio. “Eu conheço o pé inchado de tanto ficar em pé durante 8, 10, 12 horas”, declarou.

Ela vinculou a pauta ao cotidiano das mulheres periféricas e negras, argumentando que a escala 6x1 retira das trabalhadoras o direito ao descanso, à convivência familiar e até ao sonho de ascensão social.

A deputada Jack Rocha (PT-ES) definiu a proposta como “causa humanitária” e sustentou que a redução da jornada representa a recuperação de direitos retirados após a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência aprovadas durante os governos, respectivamente, de Temer (MDB) e Bolsonaro (PL).

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) resgatou a Constituinte de 1988 para lembrar que a luta pelas 40 horas já estava presente naquele período, quando o Congresso reduziu a jornada de 48 para 44 horas. “Passaram-se 38 anos para voltarmos a enfrentar esse debate”, afirmou.

Governo Lula transforma pauta sindical em agenda estratégica

A aprovação da PEC também consolidou politicamente o governo Lula (PT) com o movimento sindical e à base trabalhadora urbana. Líderes governistas destacaram reiteradamente o papel do presidente da República na construção do acordo político que viabilizou a votação.

O deputado Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, afirmou que a proposta nasceu da articulação entre o governo, o Parlamento e os sindicatos, sustentando que o presidente Lula transformou a pauta da redução da jornada em prioridade política.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Casa, classificou a escala 6x1 como “a representação mais cruel das relações de trabalho no País”, especialmente para mulheres submetidas às jornadas mais extensas e aos menores salários.

O discurso governista associou a PEC à agenda mais ampla de reconstrução de direitos sociais e trabalhistas após o ciclo de flexibilização iniciado com a Reforma Trabalhista de 2017.

Oposição fala em “engessamento”, desemprego e inflação

Os discursos contrários concentraram-se principalmente nas bancadas do Novo, PL e parte do PP. Todos foram discursos catastrofistas, do “fim do mundo”, do “fim do Brasil e da economia”.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou que a proposta “engessa” o mercado de trabalho e ignora especificidades setoriais. Segundo ela, a jornada média brasileira já estaria abaixo de 40 horas graças a acordos coletivos, sem necessidade de alteração constitucional.

Os deputados Gilson Marques (Novo-SC), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Bibo Nunes (PL-RS) defenderam a ideia de “flexibilização” e alegaram que a PEC poderá ampliar informalidade, desemprego e inflação.

Parte da oposição tentou deslocar o debate para ataques ao governo Lula, à política econômica e à corrupção. Houve ainda tentativas regimentais de retardar a votação por meio de questões de ordem e pedidos de anexação de propostas alternativas, como a PEC do “horário flexível”, defendida pelo PL.

Apesar da retórica neoliberal sobre liberdade contratual, parlamentares governistas acusaram a oposição de defender a “superexploração” do trabalho e de reproduzir argumentos historicamente utilizados contra direitos trabalhistas básicos.

Pressão das ruas e das redes

O avanço da PEC não pode ser compreendido sem a forte pressão social construída nos últimos meses. O movimento VAT (Vida Além do Trabalho), sindicatos, centrais sindicais e campanhas digitais transformaram o tema em uma das agendas de maior repercussão pública do ano.

O deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ) destacou que a mobilização nas redes sociais foi decisiva para alterar a correlação de forças no Congresso.

Segundo ele, a extrema-direita tentou inicialmente impedir a tramitação da proposta, mas mudou parcialmente de discurso após perceber o apoio popular majoritário ao fim da escala 6x1.

Pesquisas de opinião citadas ao longo dos debates apontaram apoio expressivo da população à redução da jornada e à adoção da escala 5x2.

Novo marco nas relações de trabalho

A aprovação da PEC abre agora nova etapa de regulamentação infraconstitucional. O governo deverá encaminhar projetos complementares para disciplinar a transição, os regimes especiais e os impactos setoriais.

Embora setores empresariais ainda resistam à mudança, defensores da proposta argumentam que experiências internacionais demonstram que a redução de jornada pode elevar produtividade, reduzir adoecimento e ampliar a qualidade de vida.

Ao final da sessão, governistas celebraram a votação como “novo pacto civilizatório” nas relações de trabalho brasileiras. A oposição promete continuar a disputa no Senado, onde pretende apresentar propostas alternativas de flexibilização.

Independentemente do embate que ainda ocorrerá na chamada Casa revisora, a sessão desta terça-feira já entrou para a história política e trabalhista do País como o momento em que a Câmara rompeu, pela primeira vez em quase quatro décadas, a barreira constitucional das 44 horas semanais e decretou o fim da escala 6x1.

Veja o que muda com o fim da escala 6x1

TemaComo éComo pode ficar
Jornada de trabalho Limitada a oito horas por dia e 44 horas semanais Limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois descansos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos; no primeiro ano, o limite será de 42 horas semanais
Descanso semanal Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos Ficam garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos
Escala de trabalho e folgas A escala de trabalho não está determinada na Constituição; empresas podem organizar a escala até o limite de 44 horas semanais Texto prevê a escala de trabalho 5x2, mas mantém regimes especiais para determinadas categorias, conforme previsto em leis específicas, normas regulamentadoras, acordos e convenções coletivas
Hora extra Salário deve ser acrescido em 50% a cada hora a mais trabalhada, com limite de duas horas extras por dia Acordos e convenções coletivas poderão prever que, durante a transição, a jornada diária possa ter mais de oito horas para compensar a escala 5x2, sem que sejam pagas como extra
Trabalho aos domingos O trabalho aos domingos não é proibido e é, inclusive, permitido para algumas categorias consideradas essenciais. Se houver trabalho nesse dia sem compensação prevista em lei, norma ou convenção ou acordo coletivo, a hora de trabalho deverá ser paga em dobro A PEC mantém o domingo como um dia preferencial de descanso, mas não veta o trabalho neste dia, garantindo que categorias que precisem funcionar possam organizar suas escalas; vale a regra atual de compensação, que pode ser feita, inclusive, por banco de horas
Banco de horas O trabalho em domingos e feriados pode ser compensado por meio de banco de horas se houver acordo ou convenção coletiva prevendo a medida Não há nova regra prevista, e o banco de horas poderá ser adotado conforme as negociações entre empregadores e trabalhadores
Acordos e convenções coletivas A Constituição e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garantem que acordos e convenções coletivas podem prever arranjos diferentes de leis e normas, desde que respeitem a Constituição; é o acordado sobre o legislado, reforçado na reforma trabalhista de 2017 A PEC mantém que acordo ou convenção coletiva de trabalho podem prever compensação de horários e outros arranjos de jornada, desde que rerespeitados os limites reforçando o acordado sobre o legislado
Superempregados A reforma trabalhista de 2017 criou a figura do trabalhador hipersuficiente, que é aquele com diploma de nível superior e salário acima de dois tetos da Previdência Social; ele pode negociar diretamente com o empregador A PEC coloca na Constituição a figura do 'superempregado', que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, o que dá R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada

FONTES: DIAP/FOLHA DE S.PAULO

IMAGEM: ITF

Agradeço ao Presidente, aos Vice-Presidentes, ao Diretor-Geral e aos distintos delegados pela oportunidade de me dirigir a vocês hoje.

Eu sou Stephen Cotton, Secretário-Geral da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, representando 16,5 milhões de trabalhadores do setor de transportes em todo o mundo.

Gostaria de começar por parabenizar todos aqueles que tornaram esta Conferência possível e por agradecer ao Diretor-Geral, Gilbert Houngbo, pela sua liderança num momento de profunda incerteza global.

Esta Conferência ocorre num momento decisivo para o mundo do trabalho. Como deixa claro o relatório do Diretor-Geral, este é um “momento de escolha”.

Em todo o setor de transportes, os trabalhadores enfrentam rápidas mudanças tecnológicas, instabilidade econômica, tensões geopolíticas, alterações climáticas e desigualdade crescente.

A forma como reagirmos determinará se o futuro do trabalho será construído sobre a justiça e a dignidade – ou sobre a insegurança e a exploração.

É por isso que o papel da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nunca foi tão importante, e a ITF permanece totalmente comprometida com a defesa do multilateralismo, o fortalecimento das normas trabalhistas e a manutenção do diálogo social.

Neste momento crítico, é também essencial que a OIT receba apoio financeiro adequado e contínuo para cumprir o seu mandato.

Acolhemos com satisfação a discussão recorrente deste ano sobre o diálogo social e o tripartismo.

Numa altura em que as instituições democráticas se encontram sob pressão, um diálogo significativo que tenha o diálogo social no seu cerne é essencial. 
Os trabalhadores e os seus sindicatos devem ter uma voz real na definição das transições que estão a transformar as nossas indústrias.

Este ano também é crucial para garantir uma Convenção e Recomendação robustas sobre trabalho decente na economia de plataformas.

As plataformas digitais de trabalho estão a remodelar os transportes, a logística, as entregas e muito mais. Mas a inovação não deve ocorrer à custa dos direitos ou da dignidade.

Devemos garantir o fim das relações de trabalho disfarçadas, a plena proteção dos direitos fundamentais – incluindo a segurança e saúde no trabalho – , remuneração justa, livre de taxas e custos injustos, e transparência e responsabilização na gestão algorítmica.

Saudamos também o foco na promoção da igualdade de gênero. As mulheres trabalhadoras do setor de transportes continuam a enfrentar discriminação, violência e assédio, desigualdade salarial e exclusão de cargos de liderança.

A igualdade de gênero deve se tornar uma realidade mensurável e aplicável.

Reconhecemos o trabalho crucial do sistema de supervisão da OIT e desejamos celebrar o centenário tanto do Comitê de Peritos quanto – o "coração pulsante" da Conferência – do Comitê de Aplicação de Normas (CAS).

O ITF saúda ainda a ênfase no trabalho decente para a paz e a resiliência. Os conflitos e as crises humanitárias continuam a devastar trabalhadores e comunidades.

Continuamos profundamente preocupados com a crise no Oriente Médio.

Nossos sentimentos aos trabalhadores inocentes feridos nos novos ataques ocorridos hoje no Bahrein e no Kuwait.

A escalada do conflito não está apenas causando imenso sofrimento humano, mas também afetando diretamente os trabalhadores do setor de transportes.

Os marítimos estão ficando retidos ou sendo forçados a transitar por zonas de alto risco; os trabalhadores da aviação e do transporte rodoviário enfrentam sérias ameaças à segurança; e as cadeias de abastecimento estão sendo interrompidas, com profundas consequências para os meios de subsistência dos trabalhadores.

A proteção dos trabalhadores do setor de transportes em áreas afetadas por conflitos deve ser uma prioridade urgente.

Agradecemos à OIT por seu firme compromisso em apoiar os direitos dos marítimos neste momento.

Conforme aponta o relatório do Diretor-Geral sobre a situação dos trabalhadores nos territórios árabes ocupados, a situação humanitária em Gaza é catastrófica.

A única forma sustentável de avançar é através de uma solução de dois Estados e do fim da ocupação ilegal da Palestina.

Por fim, à medida que a inteligência artificial se infiltra rapidamente em nossos setores, somos claros: a tecnologia não deve prejudicar os direitos, a responsabilidade ou a dignidade humana.

Os trabalhadores e seus sindicatos devem ter voz ativa na definição de como a IA será regulamentada.

A ITF está pronta para trabalhar com governos, empregadores e a OIT para construir um futuro do trabalho baseado em trabalho decente, democracia, igualdade, segurança e justiça.

 

 

IMAGEM: BRUNO KELLY/AMAZÔNIA REAL - FLICKR

TranspoAmazônia: especialista discute soluções para manter logística durante seca nos rios

Diretor da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem, Felipe Cassab, defendeu em palestra o monitoramento contínuo dos rios amazônicos e apresentou série de medidas que podem auxiliar setor.

A cabotagem e os impactos da estiagem nos rios amazônicos foram discutidos durante a palestra “A importância da cabotagem para a região amazônica – números e fatos”, ministrada por Felipe Cassab, diretor da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac). A atividade integra o III TranspoAmazônia — Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística, em Manaus.

O evento ocorre de quarta-feira (27) a sexta-feira (29), no Centro de Convenções Vasco Vasques, na zona Centro-Sul da capital amazonense. A programação reúne empresários, especialistas, investidores e representantes do setor de transporte para debater logística, infraestrutura e navegação na região Norte.

Durante a palestra, o diretor da Abac defendeu o monitoramento contínuo do nível dos rios, com emissão de alertas para que usuários antecipem embarques antes do agravamento da estiagem. Ele também citou a necessidade de realizar batimetrias prévias para identificar trechos críticos que precisam de dragagem.

Cassab mencionou, ainda, o uso de equipamentos de dragagem mais eficientes e a execução dos serviços no período adequado. Entre as medidas apresentadas, também estão batimetrias após as dragagens para validar os resultados e soluções anuais de infraestrutura voltadas à navegação e logística na Amazônia. Veja a lista:

  • Monitoramento constante do nível dos rios, com emissão de alertas aos usuários para permitir a antecipação de embarques;
  • Realização de batimetrias prévias para identificar trechos críticos que precisam de dragagem;
  • Uso de equipamentos de dragagem mais eficientes;
  • Execução das dragagens no período adequado, antes do agravamento da seca;
  • Realização de batimetrias após as dragagens para validar os resultados e garantir segurança à navegação;
  • Implantação de avanços anuais em soluções de infraestrutura voltadas à navegação e logística na região amazônica.

Em entrevista ao g1, Cassab afirmou que a cabotagem é responsável por cerca de 80% do transporte de produtos destinados à região de Manaus e ao Norte. Para ele, a operação do setor depende de infraestrutura capaz de garantir regularidade e previsibilidade ao transporte de cargas.

“A cabotagem tem uma importância grande para a região de Manaus. Assim como já foi mencionado anteriormente, 80% dos produtos chegam de cabotagem na região de Manaus, da região Norte acima do rio. Então a gente tem a preocupação de que a infraestrutura seja adequada para que o serviço possa ter uma regularidade, previsibilidade”, declarou.

Ao comentar o funcionamento da cabotagem na Amazônia, Cassab afirmou que o modal atua na ligação entre polos produtores e consumidores e depende de ações contínuas de infraestrutura para manter o fluxo logístico da região, especialmente durante períodos de seca severa.

FONTE: G1 AMAZONAS

IMAGEM: OIT/DIVULGAÇÃO

A 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT) começou sob o peso de duas realidades simultâneas: a urgência de regulamentar o futuro do trabalho e a fragilidade do sistema multilateral que deveria fazê-lo. Até o dia 12, representantes de governos, empregadores e trabalhadores de 187 Estados-membros da Organização Internacional do Trabalho (OIT) negociam normas globais sobre inteligência artificial, igualdade de gênero, diálogo social – e, no centro da disputa, a regulação internacional do trabalho mediado por plataformas digitais. 

Na abertura, o diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, foi direto: “O futuro do trabalho não será determinado apenas pela tecnologia, mas pelas decisões que tomamos hoje”. A frase, que poderia soar como um lugar-comum, ganhou peso diante do ambiente de tensão que marcaria os primeiros dias da conferência. Pois mal o discurso terminou, a política em seu sentido mais duro tomou conta do plenário.

Geopolítica no plenário: o recado a Israel

Ainda na abertura da CIT, Israel – com apoio explícito de Estados Unidos e Argentina – tentou reabrir a discussão sobre a participação da Palestina na OIT. O objetivo era reverter a decisão da CIT de 2025, que reconheceu a Palestina como Estado observador não membro, ampliando seus direitos de participação.

A conferência respondeu com uma votação que não deixou margem a dúvidas: 394 votos a favor da manutenção do status, 17 contrários e 42 abstenções. O placar arrasador foi interpretado por diversas delegações como um recado político direto: não há disposição para rever decisões já consolidadas sob pressão geopolítica. Mais do que uma derrota pontual de Israel e seus aliados, o resultado evidenciou até que ponto o sistema multilateral vem sendo tensionado – e, ao mesmo tempo, mostrou que ainda há limites para esse desgaste.

O episódio, contudo, não foi isolado. A primeira semana também reservou um constrangimento institucional envolvendo os Estados Unidos. A OIT anunciou que Sheng Li, norte-americano nomeado vice-diretor-geral em abril, não assumirá o cargo. O motivo: o atraso no pagamento de centenas de milhões de francos suíços em contribuições. Mais uma vez, o multilateralismo mostrava sua face mais frágil – agora também financeira.

O direito de greve: uma batalha que parecia encerrada

Se as tensões geopolíticas dominaram a abertura, uma decisão recente da Corte Internacional de Justiça recolocou na ordem do dia um tema central para o equilíbrio entre capital e trabalho. Desde 2012, empregadores vinham questionando na OIT a própria existência do direito de greve, tentando desconstruir o que sempre esteve implícito na Convenção 87. A Corte, porém, pôs um ponto final na polêmica, reafirmando que o direito de greve é indissociável da liberdade sindical.

O olhar do Sul Global

É nesse ambiente que a delegação governamental brasileira apresenta sua estratégia. Maíra Lacerda, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), define três eixos centrais: regulação do trabalho em plataformas, fortalecimento do diálogo social e igualdade de gênero. Sobre este último, ela é direta: “O que está acontecendo com as mulheres e meninas no Afeganistão é um crime contra a humanidade, o apartheid de gênero.” O Brasil, que preside a Coalizão Internacional pela Igualdade de Pagamento, defende que direitos já obtidos não podem ser abandonados – e que a igualdade salarial para trabalho de igual valor precisa avançar.

No plano das alianças internacionais, a aposta é clara: reconstruir pontes no Sul Global. “Não atuamos isolados”, afirma Lacerda. “O Brasil se posiciona como articulador de consenso e rejeita a lógica de ‘race to the bottom‘, que retira direitos já conquistados.”

Plataformas: o nó da conferência

Se as tensões geopolíticas dominaram parte da abertura, é na regulação do trabalho em plataformas que a CIT enfrenta sua disputa mais concreta. Em 2025, a conferência aprovou o avanço de uma convenção e uma recomendação internacionais sobre o tema. Agora, está em jogo o conteúdo dessas normas.

Tibiriçá Bon lista os pontos ainda em aberto: liberdade sindical, negociação coletiva, remuneração, saúde e segurança, limites à gestão algorítmica e proteção de dados dos trabalhadores. O risco, segundo ele, é que a estratégia empresarial de atrasar o debate – transferindo temas para esta edição – resulte em pouco tempo para negociação e, ao final, num texto esvaziado ou sem votos suficientes.

O governo brasileiro sustenta que a regulamentação é urgente. Maíra Lacerda lembra que o Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores de aplicativos, sendo 70% entregadores e motoristas – a maioria desprotegida. “A flexibilidade do modelo de plataformas não pode ser sinônimo de desproteção”, afirma. Direitos como remuneração digna, segurança, inclusão previdenciária, direito de desconexão e transparência algorítmica estão na pauta brasileira.

O conflito como diagnóstico

A primeira semana da CIT de 2026 deixa uma lição incômoda, porém clara: o futuro do trabalho não está sendo definido numa mesa harmoniosa de consensos, mas num campo de batalha de interesses. Disputas geopolíticas, fragilidade financeira do multilateralismo e pressão empresarial por desregulação não são ruídos de fundo – são o próprio cenário.

Nesse ambiente, a conferência revela onde o conflito central do mundo do trabalho hoje se encontra. De um lado, a expansão voraz de novas formas de organizar a produção; de outro, a luta para garantir direitos a quem vive dentro delas. 

FONTE: BRASIL DE FATO

IMAGEM:  SPLASH247.COM

A Organização Marítima Internacional e os estados regionais responsáveis ​​pela segurança marítima manifestaram alarme com o ressurgimento da pirataria somali após uma série de sequestros de embarcações no Golfo de Aden e no oeste do Oceano Índico, que deixaram dezenas de marinheiros como reféns.

Em uma declaração contundente, o presidente do Comitê de Conduta do Djibuti/Emenda de Jeddah (DCoC/JA), atualmente sob responsabilidade da África do Sul, alertou que os avanços em segurança marítima alcançados na última década permanecem “frágeis”, apesar de anos de patrulhas navais internacionais e cooperação regional.

O comunicado destacou o cativeiro contínuo do petroleiro MT Honour 25, de bandeira de Palau, supostamente mantido em poder de piratas desde 24 de abril, com 17 tripulantes a bordo, em condições humanitárias cada vez mais precárias.

Os estados da região também expressaram preocupação com as tripulações a bordo do navio cargueiro Sward, com bandeira de São Cristóvão e Névis, e do petroleiro MV Eureka, com bandeira do Togo, ambos supostamente sequestrados nas últimas semanas.

“O incidente atual serve como um forte lembrete de que a pirataria somali continua reprimida, mas não erradicada”, diz o comunicado.

O DCoC/JA, um quadro regional antipirataria apoiado pela IMO que abrange o oeste do Oceano Índico e o Golfo de Aden, afirmou que os ataques mais recentes demonstram a necessidade urgente de uma coordenação operacional renovada e de um envolvimento internacional.

O alerta surge na sequência de declarações feitas pelo secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, durante a 111ª sessão do Comité de Segurança Marítima, onde manifestou preocupação com a renovada ameaça da pirataria ao largo da Somália.

Os estados signatários instaram os governos, as forças navais e as organizações de segurança marítima a intensificarem os esforços para garantir a libertação dos reféns e prevenir novos ataques.

Eles também apelaram aos armadores e operadores para que reforcem a comunicação de informações, o compartilhamento de dados e a implementação de medidas de segurança marítima de acordo com o Código ISPS e as Melhores Práticas de Gestão do setor.

A declaração enfatizou que a questão evoluiu de um desafio de segurança para uma crise humanitária.

“Os marítimos jamais devem se tornar vítimas colaterais de tensões geopolíticas, criminalidade ou atrasos em ações coletivas”, afirmaram os estados signatários.

A África do Sul, na qualidade de presidente do DCoC/JA, afirmou que “existem soluções práticas”, mas alertou que agora é urgentemente necessária uma ação coletiva decisiva.

FONTE: SPLASH247.COM

IMAGEM: GOV.BR

A Câmara dos Deputados aprovou, na sessão de quarta-feira (3), o Projeto de Decreto Legislativo 720/24, que contém o texto da Convenção 187 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre o marco promocional para a segurança e a saúde no trabalho. A proposta segue para análise do Senado.

A relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), recomendou a aprovação. “O acordo dá concretude a dispositivos da Constituição que asseguram aos trabalhadores o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança”, afirmou.

Principais pontos

Segundo o texto, todo país membro que ratificar a convenção deverá promover a melhoria contínua da segurança e saúde no trabalho a fim de prevenir lesões, doenças e mortes ocasionadas pelo trabalho.

Para isso, cada país deverá, em consulta com organizações representativas de empregadores e trabalhadores, desenvolver uma política, um sistema e um programa nacionais relacionados ao tema.

Esse programa deverá levar em conta os instrumentos da OIT relevantes para o assunto para tomar as medidas necessárias.

Sistema

Como requisitos mínimos, a convenção estabelece que o sistema nacional de segurança e saúde no trabalho deverá incluir:

  • a legislação, uma autoridade ou organismo responsável pelo setor; e
  • mecanismos para garantir o cumprimento da legislação nacional com sistemas de inspeção;

Quando “apropriado”, o sistema deverá incluir:

  • um órgão ou órgãos consultivos tripartites de âmbito nacional;
  • serviços de informação e assessoria sobre o tema;
  • oferta de treinamento em matéria de segurança e saúde no trabalho;
  • serviços de saúde no trabalho de acordo com a legislação e a prática nacionais;
  • pesquisas em matéria de segurança e saúde no trabalho;
  • um mecanismo para a coleta e a análise de dados sobre lesões e doenças profissionais;
  • regras para colaboração com regimes de seguro ou de segurança social relevantes que cubram as lesões e doenças profissionais; e
  • mecanismos de apoio à melhoria progressiva das condições de segurança e saúde no trabalho nas microempresas, nas pequenas e médias empresas e na economia informal.

A Convenção

A Convenção 187 foi adotada pela OIT em maio de 2006 e entrou em vigor na ordem internacional em fevereiro de 2009.

O Brasil mantém acordos internacionais com diversos países e entidades. Pela Constituição, compete ao Congresso Nacional aprovar tratados, acordos ou atos internacionais que gerem compromissos para o país.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

IMAGEM: WIKIPÉDIA

 

Medidas envolvem ações de prevenção aos impactos da estiagem na navegabilidade dos rios da região

A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), intensifica a execução do Plano de Ação voltado ao enfrentamento da seca na Amazônia Ocidental, em 2026, com foco nos estados do Amazonas e de Rondônia.

O conjunto de medidas envolve levantamentos hidrográficos; divulgação de informações à comunidade marítima e fluvial; e preparação logística de meios navais, equipamentos e efetivo militar. As ações são conduzidas de forma integrada com órgãos das esferas federal, estadual e municipal, bem como com instituições e empresas ligadas ao setor de navegação na região amazônica.

Segundo o Comandante do 9º Distrito Naval, Vice-Almirante André Luiz de Andrade Felix, o planejamento busca prever impactos da estiagem e garantir condições seguras para a navegação nos rios da região. “O Plano de Ação reúne iniciativas coordenadas entre diversos atores envolvidos na atividade fluvial amazônica, permitindo maior capacidade de resposta diante dos desafios impostos pela seca”, destacou.

Entre as ações previstas, destacam-se os levantamentos hidrográficos a serem realizados em pontos críticos da Amazônia Ocidental por meios subordinados ao Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9). Os dados obtidos serão utilizados na atualização das plantas batimétricas e divulgados à comunidade marítima por meio do site da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.

 

Trechos críticos

De acordo com as instituições que conduzem estudos climatológicos, há alta probabilidade de ocorrência de uma estiagem severa na Amazônia no segundo semestre de 2026. Para o enfrentamento desse possível cenário, o CHN-9 dispõe de um navio e dois Avisos Hidroceanográficos Fluviais que realizam levantamos hidrográficos ao longo de todo o ano.

Segundo o Diretor do CHN-9, Capitão de Fragata Fábio Luis Moreira Jacobucci Bambace, esses levantamentos serão intensificados em trechos críticos à navegação de navios de grande porte, como a Passagem do Tabocal e a Enseada do Madeira, no Rio Amazonas, as Ilhas Trocari e Jussara, no Rio Solimões, além de pontos do Rio Madeira.

“A Marinha do Brasil envidará esforços para garantir a Segurança da Navegação nos rios da Amazônia Ocidental, a fim de permitir a continuidade do abastecimento da região Norte e do escoamento da produção pelos portos do Arco Norte”, disse o Comandante Bambace.

Integração entre instituições

Como parte das estratégias de preparação para o período de estiagem, a Marinha promoveu, no dia 18 de maio, uma reunião na sede do Comando do 9º Distrito Naval, em Manaus-AM, com órgãos públicos, empresas privadas e entidades civis para reforçar as discussões e buscar por soluções comuns.

Estiveram presentes representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Departamento de Gestão Hidroviária do Ministério de Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Várias empresas e entidades também se fizeram representar, como:  Superterminais, Porto Chibatão, Moto Honda, Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Praticagem dos Rios da Amazônia Ocidental (Proa), FH Navegação, Grupo Atem, Norsul Navegação, Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Norcoast Manaus, Ageo Terminais, Receita Federal, Maersk, Fogás, Costa Amazônica Limitada, One Brasil, da Log-In Logística, Sindicato das Agencias Maritimas do Amazonas, Prates Navegação e Associação Comercial do Amazonas.

O encontro promovido pelo Com9ºDN teve o propósito de alinhar planos de ação, esclarecer dúvidas e identificar obstáculos relacionados ao período de seca na região. Na ocasião, os participantes apresentaram suas demandas e as ações previstas para o enfrentamento da estiagem.

O diálogo com os participantes envolvidos na operacionalização dessas estruturas é fundamental para identificar dificuldades, alinhar medidas e aprimorar o fluxo de informações durante o período da seca. Também buscamos aperfeiçoar o monitoramento de dados e a comunicação estratégica com a sociedade e com a comunidade marítima”, ressaltou o Vice-Almirante Felix.

Preparação para apoio humanitário

A Marinha mantém meios, pessoal e material em condições de pronto emprego para atuar em apoio às comunidades ribeirinhas atingidas pela estiagem severa. Em operações anteriores, a Força atuou no transporte de água potável, cestas básicas e suprimentos para municípios isolados pela seca na região amazônica.

As ações previstas no Plano de Ação poderão ser ampliadas de acordo com o comportamento e a tendência dos rios da Bacia Amazônica ao longo do ano. Presente de forma permanente na Amazônia Ocidental, a MB segue desempenhando suas atribuições relacionadas à segurança da navegação, à salvaguarda da vida humana nos rios, à prevenção da poluição hídrica e ao combate a atividades ilícitas nas Águas Jurisdicionais Brasileiras, em coordenação com os demais órgãos públicos.

FONTE: Agência Marinha de Notícias
Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/