COM CRISE EM 2015, 4,1 MILHÕES ENTRARAM NA FAIXA DA POBREZA NO BRASIL, APONTA ESTUDO
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Fonte: UOL
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Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins
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Fonte: UOL

A Maersk Line anunciou um resultado positivo de 339 milhões de dólares no segundo trimestre, em contraste com as perdas de 150 milhões sofridas no período homólogo de 2016.
Entre Abril e Junho, o volume de receitas da companhia cresceu mil milhões de dólares, para 6,1 mil milhões, empurrado pelo aumento dos volumes transportados (2,7 milhões de FEU) e pela forte recuperação dos fretes (de 1 716 dólares/FEU, há um ano, para 2 086 dólares/FEU, agora). O aumento dos fretes (22% em termos homólogos; 7,6% face ao primeiro trimestre) atingiu mesmo os 36% no Leste-Oeste.
Com tudo isto, e apesar dos custos do fuel terem disparado, de 194 dólares para 313 dólares/tonelada, os lucros do trimestre chegaram aos 339 milhões de dólares e 0 ROIC atingiu os 6,7% (depois de no período homólogo de 2016 ter sido de -3%).
Ao longo do trimestre, refere a Maersk Line, a procura de transporte marítimo de contentores cresceu 4%, enquanto a oferta aumentou apenas 1,4%. No caso da companhia, a frota operada cresceu cerca 300 mil TEU, para 3,4 milhões de TEU, destacando-se a entrada ao serviço de dois novos navios de última geração.
No balanço do primeiro semestre, a Maersk Line atingiu um resultado líquido de 273 milhões de dólares, quando na primeira metade de 2016 perdeu 114 milhões.
O EBITDA foi de 1 295 milhões de dólares (851 milhões em termos homólogos) e o EBIT de 334 milhões (-107 milhões, idem).
Até ao final de Junho, a companhia transportou 5,3 milhões de FEU (cinco milhões há um ano), a um frete médio de 2 014 dólares (1 782 dólares).
Para o final do exercício, a Maersk Line mantém a previsão de superar os mil milhões de dólares de lucros, depois de em 2016 ter perdido 384 milhões de dólares.
O resultado só não será ainda melhor porque o ciber-ataque de que o grupo foi alvo deverá ter-lhe custado 200-300 milhões de dólares em receitas em Julho.
FONTE:TRANSPORTES&NEGOCIOS

O mercado de trabalho deu sinais de melhora no segundo trimestre, mas puxado pelo aumento do subemprego. A taxa de subocupação cresceu 11,5% dos primeiros três meses do ano para o segundo trimestre, passando de 5,2 milhões para 5,8 milhões de trabalhadores, informou o IBGE.
Entram nessa categoria as vagas com jornada inferior a 40 horas semanais, atingindo pessoas que trabalham menos horas do que gostariam, por exemplo.
"Em um primeiro momento, a saída da crise se dá pela criação de vagas informais. Essas tem uma qualidade menor no emprego, e a subocupação é uma delas", afirmou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.
A taxa de desemprego no Brasil registrou, no segundo trimestre, a primeira queda desde o final de 2014. O total da população desocupada -que são desempregados em busca de oportunidade- somou 13,5 milhões de pessoas, queda de 4,9%. No período, o total de empregados formais permaneceu praticamente estável (recuo de 0,2%), enquanto o número de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 4,3% e atingiu 10,6 milhões de pessoas.
Ao todo, o contingente da força de trabalho subutilizada –que inclui desempregados, subocupados e a força de trabalho potencial– chegou a 26,3 milhões de pessoas no segundo trimestre. Os dados constam da pesquisa ampliada da Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (17).
No primeiro trimestre esse grupo era ainda maior e havia somado quase 26,5 milhões de pessoas. "São essas pessoas que poderiam estar no mercado de trabalho de forma adequada mas não estão", destacou Cimar Azeredo.
Assim, a taxa de subutilização caiu para 23,8% no segundo trimestre. Entre janeiro e março, o índice estava em 24,1%.
NA FILA
Cerca de 38,5% dos desempregados no segundo trimestre estavam procurando trabalho havia mais de um ano, segundo a Pnad Contínua. Isso quer dizer que dos 13,5 milhões de desempregados no país, 5,2 milhões de pessoas estavam na fila da desocupação por esse longo período. Quanto mais a crise econômica se prolonga, mais tempo o trabalhador fica na fila da desocupação, frisou Cimar Azeredo.
No primeiro trimestre deste ano, esse contingente somava cerca de 5,3 milhões de pessoas dos 13,4 milhões de desempregados no país, o equivalente a 39,6% da população desocupada naquele período.
No segundo trimestre do ano passado esse porcentual era de 38,6%, mais de 4,4 milhões de pessoas procuravam emprego há mais de um ano sem sucesso.
Em 2012, quando a Pnad Contínua começou a ser divulgada, esse percentual era de 20,8%. Dos 7,2 milhões de desempregados no segundo trimestre daquele ano, 2,5 milhões estavam procurando emprego sem encontrar há mais de dois anos.
A cada três meses o IBGE, além de divulgar a taxa de subutilização da força de trabalho, detalha informações sobre o mercado de trabalho com dados regionais, de escolaridade e raça.
IDADE E SEXO
Os dados do IBGE indicam que as mulheres tiveram uma recuperação um pouco mais acelerada que os homens no mercado de trabalho. Entre elas, a taxa de desocupação caiu de 15,8% para 14,9% entre os três primeiros meses do ano e o segundo trimestre. Uma diferença de 0,9 ponto porcentual. Entre eles essa diferença foi menor, de 0,6 ponto porcentual. A taxa de desocupação masculina foi de 12,1% para 11,5%.
A taxa de desemprego caiu também entre todas as faixas etárias, principalmente no grupo entre 18 e 24 anos, que representa 22% da população desocupada. Caiu de 28,8% para 27,3%, do primeiro para o segundo trimestre.
Houve queda ainda na faixa entre 25 e 39 anos, que passou de 12,8% para 12%; no grupo de 40 a 59 anos, que recuou de 7,9% para 7,6%; e também entre os trabalhadores com mais de 60 anos, que foi de 4,6% para 4,5%.
ESTADOS
Entre os Estados, o desemprego caiu em 11 das 27 unidades da federação no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses de 2017. Pernambuco é o estado com a maior taxa, de 18,8%; são 767 mil de desempregados. Por outro lado, Santa Catarina tem o menor índice, de 7,5%, com 283 mil pessoas na fila da desocupação.
Em São Paulo, a taxa de desocupação caiu 0,7 ponto percentual no segundo trimestre e foi para 13,5%. O Estado ainda tem 3,3 milhões de desempregados, segundo o IBGE. "A situação do mercado de trabalho se mostra mais favorável e tem a característica de ter o efeito farol", indica Azeredo. "Ou seja, a situação melhora primeiro em São Paulo e depois acaba se refletindo em outras regiões."
Entre as regiões, o pior cenário é no Nordeste, embora a taxa de desocupação tenha desacelerado para 15,8%, de 16,3% no trimestre anterior. São 3,9 milhões de pessoas procurando trabalho sem encontrar nenhuma vaga naquela região.
Do primeiro para o segundo trimestre, o mercado de trabalho melhorou no Sudeste, de 14,2% para 13,6%; no Sul, de 9,3% para 8,4%; no Centro-Oeste, de 12% para 10,6%; e na região Norte, de 14,2% para 12,5%.
"Essa é uma melhora em relação ao primeiro trimestre, em relação ao ano passado do quadro continua crítico na maioria dos locais", afirmou Cimar Azeredo.
FONTE:FOLHA DE S.PAULO

Entidades se manifestaram contra mudanças anunciadas pelo governo
Fonte: O Globo

Os enormes navios porta-contêineres que transportam tênis, bananas e bonecas Barbie por todo o mundo continuam ficando maiores. O mesmo ocorre com as empresas proprietárias deles.
Uma enorme consolidação está em andamento nessa indústria global de US$ 500 bilhões e as sobreviventes agora desfrutam de grandes economias de escala e de uma demanda maior um ano depois de a capacidade excedente ter provocado a pior crise da história do setor — a falência da sul-coreana Hanjin Shipping.
A maior linha de contêineres da Ásia, a chinesa Cosco Shipping Holdings, afirmou no mês passado que pagaria mais de US$ 6 bilhões pela rival Orient Overseas International, dona do maior navio do mundo — um cargueiro mais longo que o Empire State Building. A dinamarquesa A.P. Moller-Maersk A/S está no meio do processo de compra de uma concorrente alemã e ostenta sua própria frota de meganavios, incluindo um capaz de transportar cerca de 180 milhões de iPads.
Essas empresas de navegação superdimensionadas exercem muito mais poder de precificação sobre fabricantes e empresas de varejo como Wal-Mart Stores e Target. As cinco maiores linhas de contêineres controlam cerca de 60 por cento do mercado global, segundo a firma provedora de dados Alphaliner. As taxas de frete estão subindo e um índice que monitora os fretes dos carregamentos das principais rotas com saída da Ásia apresenta alta de cerca de 22 por cento em relação ao ano anterior.
“O transporte marítimo de contêineres atualmente é uma brincadeira apenas para gente grande com bolsos cheios”, disse Corrine Png, CEO da Crucial Perspective, uma empresa de pesquisa de transporte com sede em Cingapura. A crescente concentração do mercado “dará às linhas de navegação um maior poder de precificação e de barganha”, prevê.
O colapso da Hanjin, em agosto do ano passado, afetou a indústria de forma muito similar à influência da falência do Lehman Brothers no setor financeiro durante a crise de 2008. Uma das maiores empresas de navegação do mundo na época, a Hanjin enfrentou uma crise de liquidez quando a oferta superou a demanda no setor, enfraquecendo o poder de precificação e os lucros das empresas transportadoras. A companhia atualmente está em processo de liquidação depois que um tribunal sul-coreano declarou sua falência em fevereiro.
“Desde a falência da Hanjin Shipping, a busca pela qualidade ficou mais perceptível no negócio do transporte marítimo de contêineres”, disse Um Kyung-a, analista da Shinyoung Securities em Seul. “É por isso que o mercado está ficando cada vez mais dominado pelas maiores empresas com grandes navios e aquelas que não tiverem supernavios podem acabar se tornando cada vez mais obsoletas.”
O uso crescente de navios gigantes é a chave da recuperação. As empresas donas de navios desse tipo são capazes de usar menos embarcações e de transportar mais cargas em uma única viagem para se beneficiarem de fretes mais altos, disse Um.
Segundo suas estimativas, existem atualmente cerca de 58 cargueiros gigantes em todo o mundo capazes de transportar mais de 18.000 contêineres, e o número deverá duplicar em dois anos. Cerca de metade dos novos navios serão adicionados pelas maiores empresas.
Fonte: Bloomberg/Portos&Navios

A escassez de óleos pesados no mercado internacional devido aos cortes de produção da Opep valorizou os óleos produzidos no Brasil. Atualmente, a maior parte do óleo produzido no país é considerada pesada (15,1%) ou média (50,5%), mais escassos após a diminuição da extração na Arábia Saudita, país com forte tradição nesse tipo de produção.
Outras regiões fornecedoras de óleos pesados também vêm enfrentando quedas na produção, como a Venezuela, que passa por turbulências políticas, e o México, que ainda está no início do processo de abertura do setor ao mercado privado.
Também contribui o crescimento da produção não convencional nos Estados Unidos, majoritariamente de óleo leve. A maior parte das refinarias da Costa do Golfo americano, por exemplo, é apta a processar óleo pesado, com alta capacidade de coqueamento e dessulfurização, e, por isso, tem aumentado as importações, principalmente de óleo vindos do México.
“A Arábia Saudita tem um óleo bem parecido com o do campo de Polvo e a escassez desse produto no mercado fez a busca pelo nosso óleo aumentar”, comentou Blener Mayhew, CFO da PetroRio, durante conferência com analistas para anunciar os resultados do primeiro semestre.
O assunto também ganhou destaque nos resultados operacionais da OGX. Dados da petroleira indicaram um estreitamento de US$ 4 a US$ 5/barril no desconto dos óleos pesados em relação ao brent nos seis primeiros meses do ano. Toda a produção da companhia vem do campo de Tubarão Martelo, que tem um óleo considerado pesado, com 21 graus API.
Hoje, apenas 34,4% da produção brasileira tem grau API leve, acima de 31º. Em junho, dados mais recentes disponibilizados pela ANP, o grau API médio da produção brasileira foi de 26,8º, nível médio.
Maior produtora do país, a Petrobras percebeu que não é apenas a oferta que está ditando a valorização do óleo brasileiro. De acordo com a companhia, além de a China importar cada vez mais óleos médios e pesados, houve uma valorização recente do óleo combustível, fruto da demanda por combustível marítimo no Extremo Oriente e da menor exportação pela Rússia.
Há alguns meses, a própria Opep já havia notado um aumento das exportações brasileiras para a Ásia, continente que ampliou as compras de óleos como os de Marlim, Roncador e Lula.
“Esse conjunto de efeitos permitiu maior atratividade à exportação de petróleo brasileiro, tanto para o mercado chinês quanto para os mercados americano e europeu”, explica a Petrobras.
Hoje, o óleo mais pesado produzido offshore no Brasil vem do campo de Peregrino, na Bacia de Campos, operado pela Statoil, com 14ªAPI. A partir do ano que vem, no entanto, a área passa a dividir o posto com o campo de Atlanta, de mesmo grau, previsto para entrar em produção no primeiro semestre de 2018.
FONTE:BRASIL ENERGIA
Cartas começaram a ser enviadas aos aposentados por invalidez

Os 10 principais armadores globais, que na década de 1990 representavam 48% do mercado de transporte marítimo no mundo, alcançaram 83% de participação em 2016. A expectativa é que em 2026 esse percentual seja de 90%. O consultor Robert Grantham, sócio da Solve Shipping Intelligence Specialists, acredita que a corrida dos grandes armadores para incorporar a suas frotas navios da ordem de 20 mil TEUs fez com que a oferta rapidamente se descolasse da demanda. Ele explicou que essa tendência ocasionou fusões, aquisições e formação de consórcios de grandes grupos mundiais de navegação. O excesso de oferta e demanda fraca fez o frete cair até 80% am algumas rotas.
O consultor projeta que novos sistemas e tecnologias também estreitarão as relações entre embarcadores e armadores levando agentes intermediários (freight forwaders/NVOCCs) a perderem mercado. Grantham cita declaração recente do presidente da Maersk que disse que o tráfego mundial deve ser reduzido a cinco ou seis grandes armadores. "Se espera mais transparência do processo, pois as informações estarão online. Haverá novo desenho das rotas em fusão de fusões e incorporações", enxerga Grantham, que participou da 14ª edição da Marintec South America, no Rio de Janeiro.
Com esse cenário, o número de diferentes serviços de longo curso nos portos brasileiros, que era de 39 em dezembro de 2010, já caiu para 21 serviços em abril de 2017 — uma queda de 46%. A movimentação nesse período variou de 115 mil TEUs para 105 mil TEUs, uma redução de 8,5%. Nesse período, os maiores navios recebidos nos portos nacionais aumentaram capacidade de 7 mil TEUs para 9.600 TEUs.
Grantham entende que terminais no mundo todo enfrentam dificuldade pelo tamanho dos maiores navios em operação nas grandes rotas. A profundidade em alguns dos grandes portos mundiais está entre 17 e 20 metros, porém alguns têm desafios na bacia de evolução. No Brasil, os portos costumam ter mais problemas com a manutenção dos calados devido à demora na contratação dos serviços de dragagem. "Precisamos buscar solução de equilíbrio entre armadores, terminais e usuários", resume o consultor.
FONTE:PORTOS&NAVIOS

Em junho, segmento registrou alta de 1,3%, graças a turismo
O setor de serviços registrou crescimento de 1,3% em junho, na comparação com maio, informou o IBGE nesta quarta-feira. Foi a terceira alta seguida (em maio, a alta havia sido de 0,5%). O resultado, no entanto, não foi suficiente para tirar o setor mais importante da economia brasileira do vermelho: no semestre, os serviços ainda acumulam queda de 4,1% e, em 12 meses, tombo de 4,7%.
O número de junho foi influenciado principalmente pelo desempenho das atividades turísticas, que cresceram 5,3%, frente ao mês anterior. Segundo o IBGE, no entanto, trata-se de um segmento de comportamento volátil, ora cresce, ora recua. “As atividades de alojamento e transporte aéreo cresceram no mês, devido ao turismo de negócios, que costuma beneficiar especialmente São Paulo e o Distrito Federal”, explicou Roberto Saldanha, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços, em comunicado.
Também contribuiu para o resultado de junho os segmentos de serviços prestados às famílias e de transportes, ambos com 1%. O número ainda contou com a alta de serviços profissionais, administrativos e complementares (0,*). O único recuo ficou por conta dos serviços de informação e comunicação, com queda de 0,2%.
Fonte: Extra

O novo serviço, que substituirá o actual SAEC, terá a seguinte rotação: Roterdão – Londres Gateway – Bremerhaven – Hamburgo – Antuérpia – Le Havre – Sines – Rio Sepetiba – Santos – Navegantes – Buenos Aires – Montevideu – Rio Grande – Navegantes – Paranaguá – Santos – Rio Sepetiba – Salvador – Pecém – Roterdão.
A oferta será assegurada por nove navios das duas companhias, com capacidade de frio acrescida para melhorar corresponder ao incremento do tráfego de produtos perecíveis.
Na apresentação do novo SAEC, a MSC sublinha que “o novo serviço escalará Pecém e Salvador, no Brasil, para corresponder às épocas de colheitas frutícolas, fornecendo ligações rápidas a destinos europeus. Ofereceremos excelentes ligações entre Zarate, Vitória, Paraguai e Rosário através dos nossos portos na América do Sul, bem como para os portos escandinavos, russos e bálticos”.
A primeira viagem de ida iniciar-se-á a 27 de Setembro. O regresso começará a 24 de Outubro.
FONTE:TRANSPORTES&NEGÓCIOS

A pouco mais de um ano das eleições para a Presidência, os governos estaduais e o Congresso Nacional, os brasileiros manifestam rejeição generalizada à classe política, independentemente de partidos, e ao atual modelo de governo. Segundo pesquisa do instituto Ipsos, apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram.
Desde novembro do ano passado, houve queda de nove pontos percentuais na taxa dos que se consideram representados. A onda de negativismo contamina a percepção sobre a própria democracia.
Quando os eleitores são questionados especificamente sobre o modelo brasileiro de democracia, a taxa de apoio é baixa: 38% consideram que é o melhor regime e 47% discordam disso.
Passado pouco mais de um ano das manifestações de massa que culminaram no fim do Governo Dilma Rousseff (PT), nada mais do que 81% dos entrevistados pelo Ipsos manifestaram concordância com a afirmação de que "o problema do País não é o partido A ou B, mas o sistema político".
Para 94%, os políticos que estão no poder não representam a sociedade. Apenas 4% acham o contrário. Quem está na oposição também é alvo de desconfiança. Quando a pergunta é sobre os políticos em que a população já votou em algum momento, 86% dizem não se sentir representados.
Distância
"Segundo a opinião pública, os eleitos não representam os eleitores", observa Rupak Patitunda, um dos responsáveis pelo levantamento.
Somente um em cada dez cidadãos veem o Brasil como um país onde a democracia é respeitada. Tal percepção de desrespeito às normas democráticas pode estar relacionada à ideia de desigualdade.
Para 96% dos entrevistados, todos devem ser iguais perante a lei, mas somente 15% consideram que essa regra é devidamente observada no Brasil.
É quase consensual a noção de que a corrupção é um entrave para que o País alcance um nível mais avançado de desenvolvimento. Nove em cada dez eleitores concordam com as avaliações de que "o Brasil tem riquezas suficientes para ser um país de primeiro mundo", de que "o Brasil poderia ser um país de primeiro mundo se não fosse a ação da corrupção" e de que "o Brasil ainda pode ser um país de primeiro mundo quando acabar com a corrupção".
Os dados do Ipsos mostram que, após um ciclo de acirramento da polarização política no País, há uma ânsia por iniciativas de conciliação. Nada mais do que 88% dos entrevistados concordam com a afirmação de que "as pessoas deveriam se unir em torno das causas comuns" e "não brigar por partido A ou B". Parcela similar considera que "brigar por partido A ou B faz com que as pessoas não discutam os reais problemas do Brasil".
Radicalismo
A combinação de desencanto com a democracia e rejeição aos políticos pode abrir espaço para radicalismos ou líderes autoritários na eleição de 2018? Para Rupak Patitunda, um dos responsáveis pela pesquisa do Ipsos, a resposta é sim. Mas o próprio levantamento indica que a população não espera que seus problemas sejam resolvidos por um regime de força.
"Testamos três frases na pesquisa, e cada uma indicaria uma solução institucional". A primeira é "colocar no poder líderes fortes para instituir a ordem, que seria a solução pelo Executivo".
A segunda frase, "criar regras firmes contra políticos corruptos", significaria uma solução legislativa. A terceira, "aplicar efetivamente as regras já existentes contra corrupção", significaria uma solução de fiscalização. "Dentre todas a solução mais apontada não vem do Executivo, mas da criação de mecanismos legais".
Um ponto positivo da pesquisa é o fato de ser minoritária a parcela da população que concorda com frases como 'o que realmente vale são políticos e partidos que roubam, mas fazem" (22%) e "a corrupção no Brasil é culpa do povo, que elege políticos corruptos" (44%).
"Por outro lado, ‘eu acredito que é possível governar sem corrupção’ recebeu 84%. O brasileiro ainda tem esperança quanto ao problema", conclui Patitunda.
Fonte: Estadão Conteúdo