IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

 

A Marinha do Brasil deu aprovação ao Porto de Santos para receber navios de 366 metros de comprimento, os maiores navios fazendo escala na Costa Leste da América do Sul.

Atualmente, o porto recebe navios de até 340 metros de comprimento, com capacidade para cerca de 9.000 TEU (contêiner padrão Twenty-foot Equivalent Unit ou Unidade Equivalente a 20 pés), enquanto o novo tamanho máximo de desembarque de navios permitirá ao maior porto do Brasil movimentar navios de 14.000 TEU.

A Autoridade Portuária de Santos (SPA) trabalhou com a Pilotagem de São Paulo e a Universidade de São Paulo (USP) para estudar os planos de manobrabilidade, interação hidrodinâmica e atracação, comprovando a viabilidade do tráfego dessas embarcações no canal de navegação.

Os pesquisadores utilizaram simulações matemáticas em que o cenário atual do canal, com profundidade de 15 metros, e um cenário futuro, com profundidade de 17 metros, eram viáveis ​​para navios de até 15.000 TEU.

O maior movimento de contêineres no complexo portuário santista está no horizonte com a previsão de ampliações dos terminais existentes e o planejamento da destinação de outras duas áreas, em Saboó, na margem direita, uma para o terminal portuário e outra para o back port.

A autoridade portuária espera ainda que a carga fique concentrada em Santos por conta do BR do Mar, projeto do Ministério da Infraestrutura para incentivar a cabotagem.

Excluindo o BR do Mar, o crescimento esperado é de 3,3% ao ano para carga conteinerizada, gerando um aumento de 4,4 milhões de TEU atualmente para 7,9 milhões de TEU em 2040, conforme projetado no plano de desenvolvimento e zoneamento do porto (PDZ).

Em janeiro, o porto movimentou 374,1 mil TEU, o que representa um aumento de 11% em relação ao mesmo mês do ano passado.

 

FONTE: Container Management

 

O vice-presidente, Hamilton Mourão - Isac Nóbrega/PR

Imagem: Isac Nóbrega/PR

 

Com a alta de casos e mortes pelo novo coronavírus, o vice-presidente Hamilton Mourão avaliou nesta segunda-feira, 1º, que a única forma de conter a pandemia da covid-19 é vacinar a população. Outras ações, na visão do vice-presidente, são “paliativas”. Mourão, contudo, afirmou que governadores e prefeitos devem tomar as medidas que julgarem necessárias para impedir a disseminação do vírus.

 “Cada gestor, seja governador, seja prefeito, toma as medidas que julgar necessárias para impedir que a doença se alastre e ele não tenha condições de tratar as pessoas. Então é isso que está acontecendo”, avaliou Mourão. Nas últimas semanas, gestores locais anunciaram medidas mais duras para conter o avanço da covid-19, como fechamento de atividades não essenciais e a suspensão de aulas presenciais.

O vice-presidente disse que a adesão a medidas restritivas por parte da população é uma situação “complicada”. Ele citou que a “população se cansou antes do tempo” por conta de ações de restrição tomadas anteriormente. “Na realidade, rapaz, a única saída para conter a pandemia é vacinar todo mundo. O resto tudo é paliativo. Então, a saída é a gente conseguir ir vacinando todos aí e consequentemente nós teremos condições de ter uma vida normal”, declarou.

Mourão criticou ainda a parcela jovem da população que não seguiu orientações contra aglomerações durante a pandemia. “Tem uma parcela da população que não consegue ficar dentro de casa, não aguenta ficar dentro de casa. Tem a turma jovem que vai para festa, aí fica todo mundo aglomerado na festa, depois encontra o pai, a mãe, o avô, a avó”, disse.

“O mais novo na maioria das vezes não tem sintoma, mas ele continua transmitindo. Então, são os problemas que cada gestor tem que buscar impedir para que determinados tipos de atividades ocorram”, concluiu.

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

 

 

Seringa e medicamento

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Segundo Claudia Osorio, pesquisadora da Fiocruz, hoje o Brasil produz apenas 5% do IFA utilizado no país

Um dos fatores que explica o ritmo lento da vacinação contra a covid-19 no Brasil é a escassez do IFA, o ingrediente farmacológico ativo necessário para a produção das doses. Mas por que o país não tem insumo suficiente para imunizar a população de forma rápida e independente? Segundo Claudia Osorio, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), alguns são os fatores que explicam a atual situação. 

Apesar de ser referência mundial em sistemas de imunização, em grande parte devido ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil hoje é dependente de insumos estrangeiros, dos mais básicos aos mais complexos, e carece de investimentos em pesquisas, estrutura e tecnologia para se tornar independente do mercado externo de medicamentos e insumos. 

Para se ter uma ideia do quadro acima, segundo Osorio, os números mostram que há cerca de 40 anos o Brasil conseguia produzir 50% de IFA utilizado em território nacional. Hoje, a taxa já diminuiu para apenas 5%.

Nas palavras de Claudia Osorio, “o desempenho dos laboratórios ficou aquém daquilo que seria esperado desde sempre. Eles não conseguiram fazer frente por dificuldades de investimentos e outras questões contingenciais e contextuais que não favoreceram esses laboratórios a tornarem o Brasil independente em termos de insumos farmacêuticos ativos e medicamentos”. Como consequência, o país se tornou “grandemente” dependente de outros países, principalmente a China.

Ainda que o Brasil conte, por exemplo, com o papel desenvolvido pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (ALFOB) – associação civil que tem como objetivo o fortalecimento do conjunto dos laboratórios oficiais, bem como a valorização da rede de produtores públicos –, “com a missão de justamente suprir o país de medicamentos essenciais, de acordo com as prioridades sanitárias”, afirma Osorio, “a gente infelizmente ainda não tem essa independência, ainda que relativa, de insumos farmacêuticos e medicamentos”.

A pesquisadora explica que os laboratórios públicos estão sempre dependentes de investimentos externos aos próprios para conseguirem se desenvolver. “Os laboratórios lutam com isso, porque foram constituídos como empresas públicas, mas precisam ter retorno, lucro. Então é uma dificuldade: tem de produzir de forma barata, o que não traz retorno, mas que é necessário. Ao mesmo tempo não têm, todos, os avanços em tecnologia para produzir aquilo que eles pudessem competir no mercado”, explica a pesquisadora.

Outro fator que explica, em parte, o cenário atual é a implementação da legislação sobre patentes, ainda na década de 1990. Diferente de outros países, como a Índia, o Brasil lançou mão do período de 10 anos para ajustar o parque nacional de medicamentos e insumos farmoquímicos antes de ser obrigado a reconhecer as patentes. Ao contrário, aderiu imediatamente aos acordos. 

O único caminho, ainda que longo e intrincado, é de desenvolvimento em pesquisa e estrutura. “Precisamos modernizar essas instituições de todas as formas, não só gerenciamento, mas fazê-los como centros de pesquisa e desenvolvimento para que possam, não receber de baixo para cima alguma coisa imposta e inserida nos seus contextos, mas se desenvolver como grandes polos de pesquisa, inovação e medicamentos”, afirma Osorio.

Para a pesquisadora, seguir esse caminho não é necessário apenas devido ao quadro estabelecido após a pandemia de covid-19, mas porque outras dificuldades continuarão aparecendo. Em suas palavras, sem ou com pandemia, o país precisa diminuir a dependência externa daquilo que é “essencial para a sobrevivência da população brasileira”.

Edição: Rebeca Cavalcante

FONTE: BRASIL DE FATO

 


Fonte: TechnipFMC

O Brasil será a região mais ativa do mundo para novos projetos subsea em 2021 e 2022, segundo avaliação da TechnipFMC. A companhia cita oito oportunidades no país nos próximos 24 meses: Gato do Mato, Búzios 6, 7 e 8, Pão de Açúcar (BM-C-33), Lapa e Mero 3 e 4.

Em conferência com investidores na quinta-feira (25/2), o presidente e CEO da TechnipFMC, Doug Pferdehirt, ressaltou a posição da companhia na América do Sul, principalmente no Brasil e na Guiana – que figura a lista de oportunidades, com o desenvolvimento da descoberta de Yellowtail pela ExxonMobil.

No Brasil, os projetos subsea dos campos de Lapa e Mero – operados pela Total e Petrobras, respectivamente – estão estimados na faixa de US$ 250 a US$ 500 milhões. Os demais projetos da Petrobras (Búzios 6,7 e 8), Shell (Gato do Mato) e Equinor (Pão de Açúcar) são previstos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão cada.

Oportunidades subsea nos próximos 24 meses / Imagem retirada da apresentação de resultados da TechnipFMC

“Nós temos uma capacidade fenomenal no Brasil. Nós instalamos mais equipamentos subsea manufaturados para a Petrobras que a competição. Nós temos um incrível time de serviços que dá suporte a isso. E temos fabricação de equipamentos subsea, bem como de linhas de fluxo rígidas e flexíveis, que são as melhores do país”, declarou o executivo.

Além da Petrobras, destacou Pferdehirt, a companhia fornece equipamentos e serviços para IOCs no país e petroleiras independentes. “Fizemos praticamente todos os projetos subsea de IOCs até o momento. Portanto, temos um histórico realmente abrangente e experiências com todas elas no Brasil.”

Em 2021, a companhia prevê que a entrada de pedidos excederá os US$ 4 bilhões alcançados em 2020 no setor de subsea, com expectativa de crescimento continuado em 2022. “Em subsea, nossa perspectiva reflete a confiança renovada do operador, dada a melhora no panorama econômico, menor volatilidade do mercado e maior preço do petróleo”, declarou o executivo.

Resultado financeiro

No quarto trimestre de 2020, o setor de subsea representou 39% da receita total da TechnipFMC, de aproximadamente US$ 3,4 bilhões. Houve redução de 10% na receita do segmento em relação ao mesmo período do ano passado, devido à menor atividade na Noruega e Brasil, disse a companhia em nota.

A TechnipFMC registrou prejuízo líquido de US$ 39,3 milhões no período. Os resultados consolidados do ano de 2020 apontam para perdas de US$ 3,3 bilhões, ante US$ 2,4 bilhões no ano anterior.

Fonte: Revista Brasil Energia

 


IMAGEM: CORREIO DE MINAS

 

No novo programa de redução de jornada e de salários em estudo pelo governo, o trabalhador deverá receber uma espécie de antecipação do seguro-desemprego. Porém, se for posteriormente demitido sem justa causa, o funcionário só terá direito ao valor total do benefício após cumprir um período de carência.

O requisito de tempo mínimo para renovar o direito ao seguro-desemprego ainda não foi definido, mas deverá depender do valor a ser antecipado durante o período de redução salarial em 2021 e de qual foi a última vez em que o trabalhador solicitou o benefício.

No ano passado, o governo lançou o programa emergencial de manutenção do emprego e da renda, que ampliou as possibilidades para que empresas reduzissem a jornada de trabalho e, consequentemente, os salários.

O programa permitia a suspensão de contratos de trabalho ou reduções de 25%, 50% ou 70% nas jornadas, com corte proporcional de salário. Em compensação, o Tesouro Nacional pagava um benefício emergencial ao trabalhador afetado.

 

A medida foi idealizada para reduzir custos dos empresários num momento de crise econômica provocada pela Covid-19 e ajudou a conter as demissões no mercado formal, de acordo com o governo e especialistas.

Para 2021, o Ministério da Economia quer reformular esse modelo para reduzir o custo do programa para o Tesouro. Por isso, a ideia é propor o uso de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que paga o seguro-desemprego.

A ideia inicial do ministro Paulo Guedes (Economia) era que o programa tivesse uma engenharia financeira que gerasse impacto zero para o Tesouro Nacional.

Em boa parte, o plano era adiantar as cotas de seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito em caso de uma eventual demissão para compensar (ao menos parcialmente) o corte de salário feito pela empresa durante o período da crise.

Na visão que Guedes vinha externando a interlocutores, era melhor pagar uma quantia para o trabalhador permanecer empregado do que um valor maior quando ele estivesse desempregado. Por isso, a medida passou a ser chamada informalmente de "seguro emprego".

Agora, técnicos do Ministério da Economia explicam que a antecipação do valor não significa que o trabalhador perderá o direito ao seguro-desemprego caso seja demitido no futuro.

Segundo o modelo estudado, como o emprego será mantido mesmo durante a crise da Covid-19, o trabalhador, em caso de demissão futura, poderá novamente sacar o seguro-desemprego, mas, para isso, terá que cumprir uma carência.

O impacto nas contas do FAT, portanto, poderá ocorrer duas vezes no mesmo contrato de trabalho, mas em diferentes períodos --um durante o corte de jornada e outro em caso de desligamento no futuro.

O uso de recursos do FAT é uma opção negociada entre o Ministério da Economia e líderes do Congresso para reduzir o custo do programa.

No entanto, líderes governistas já admitem que há pressão no Congresso para que o programa de corte seja relançado nos mesmos moldes do ano passado --com compensação ao trabalhador bancada pelo Ministério da Economia.

Para se reduzir o total de recursos reservados para os programas anticrise, chegou-se a discutir a viabilidade de somente um conjunto de setores mais afetados pela Covid-19 serem contemplados com a possibilidade de aderirem à redução de jornada e corte de salários.

Mas, diante das incertezas da pandemia no país novamente neste ano, a ideia vem sendo deixada de lado.

Segundo dados oficiais, quase 10 milhões de trabalhadores tiveram jornada e salário reduzidos ou contrato de trabalho suspenso temporariamente no ano passado. Cerca de 1,5 milhão de empresas aderiram ao programa.

O BEm (Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda) foi o terceiro programa que mais teve recursos liberados para combater a Covid-19 e seus efeitos (atrás do auxílio emergencial e dos repasses a estados e municípios) no ano passado.

 

Foram R$ 51,5 bilhões liberados, mas apenas R$ 33,5 bilhões executados em 2020. A explicação para a diferença é que a equipe econômica quis garantir o máximo de recursos para os pagamentos.

Para isso, considerou uma adesão de 73% de todos os trabalhadores formais do país, baseado na tese de que os outros 27% eram de segmentos considerados essenciais e não seriam afetados pela crise.

Depois disso, na visão do ministério, a retomada das atividades e a reação da economia fizeram a demanda ser menor do que a imaginada. "O total de acordos realizados foi, portanto, abaixo do necessário, o que ocasionou a não utilização total do orçamento inicialmente previsto", afirmou o Ministério da Economia, em nota.

Mas empresários ainda pedem a volta da possibilidade de usar o programa neste ano e chegam a classificar a situação como urgente.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Painel mostra "sintomas do coronavírus" em Buenos Aires

Foto: Agustin Marcarian

 

Medida é tomada ‘de forma preventiva até que se aprofunde o conhecimento sobre a nova variante brasileira do vírus’, disse ministra da Saúde argentina

Opera Mundi – A Argentina decidiu neste domingo (28) estender o prazo de fechamento das fronteiras aéreas e terrestres com o Brasil até o dia 12 de março, prorrogando o decreto anterior que determinava que elas fossem reabertas a partir desta segunda-feira (1°).

As autoridades sanitárias da Argentina consideraram necessário manter o bloqueio nas fronteiras e a diminuição de 50% dos voos entre os dois países.

O país também está fechado para estrangeiros de outros países limítrofes e do Reino Unido. Só podem entrar argentinos ou residentes.

Segundo a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, a medida é tomada “de forma preventiva até que se aprofunde o conhecimento sobre a nova variante brasileira do vírus“.

O Brasil passa nas últimas semanas pelo pior momento da pandemia da covid-19. A média móvel de mortes dos últimos sete dias bateu novo recorde e chegou a 1.180. Com 50.840 novos diagnósticos registrados em um dia, a quantidade de casos no país já é superior a 10,5 milhões.

Vacinação na Argentina

Enquanto vê seu vizinho no pior cenário da pandemia, a Argentina avança na vacinação contra a covid-19. Já são mais de 903 mil doses aplicadas. 

Neste semana, o laboratório argentino Richmond anunciou uma parceria com o Fundo de Investimento Direto (RDIF) da Rússia para começar a produzir a vacina Sputnik V em território nacional.

Na noite da última sexta-feira (26), a Argentina recebeu 96 mil doses da vacina Sinopharm contra a covid-19. De acordo com a ministra da Saúde, essas doses já começaram a ser distribuídas no sábado.

 

FONTES: OPERA MUNDI/Com Sputnik/REDE BRASIL ATUAL

Madrid Maersk

 

A Maersk, maior empresa de logística de contêineres terrestres e marítimos do mundo, espera que o comércio mundial cresça 3% ou mais em 2021. O armador vê o comércio global se recuperar, embora ainda há muita incerteza sobre o tamanho do impacto da Covid-19 na economia mundial em 2021.

Neste cenário, a companhia diz implementar uma estratégia global que a posiciona para o crescimento em diversos países, incluindo o Brasil.

"Para dar o pontapé inicial em 2021 no Brasil, a Maersk começou a oferecer serviços de frete aéreo em janeiro", conta Douglas Piagentini, diretor comercial da Maersk East Coast South America. "Estamos construindo nossa rede intermodal, seja para transportar mercadorias por terra, mar ou por via aérea. Outra área de crescimento é a de serviços digitais para empresas de médio e pequeno porte, oferta que tem se mostrado muito útil durante a pandemia. Entretanto, alavancar a logística no Brasil é um desafio na frente regulatória", afirma Piagentini.

O executivo diz em nota: "Oferecer aos clientes da indústria, agronegócio ou do varejo a oportunidade de reservar contêineres, obter cotações de preços fixos e rastrear mercadorias online faz parte da nossa filosofia de simplificar, conectar e possibilitar o comércio para nossos clientes. Queremos tornar a movimentação de um contêiner tão fácil quanto enviar uma carta pelo correio ou comprar alimentos. Para chegar lá, precisamos da ajuda dos reguladores para reduzir o impacto da burocracia e o número de agências reguladoras envolvidas no envio de um contêiner".

No Brasil, o transporte de mercadorias via contêiner envolve o cumprimento das exigências regulatórias de cerca de 30 agências.

FONTE: PORTOS&NAVIOS

 

Em levantamento do pesquisador Marcel Balassiano, apenas a Venezuela terá um resultado pior que o Brasil entre sul-americanos - Getty Images

IMAGEM: GETTY IMAGES

Tempo mostrou que deter vírus ou crescer era falso dilema; medidas sanitárias embasam retomada

A eclosão da pandemia do coronavírus nos primeiros meses de 2020 levou especialistas a traçar dois prognósticos sombrios: o mundo viveria uma catástrofe humanitária e um colapso econômico. Ambas as expectativas se confirmaram.

Desde o início da crise, mais de 2,5 milhões de mortes foram registradas até sexta-feira (26), segundo a Universidade Johns Hopkins.

A projeção mais recente do Banco Mundial indica uma queda de 4,3% no PIB (Produto Interno Bruto) global no ano passado. O resultado só não é pior do que os computados durante as duas guerras mundiais e a Grande Depressão, entre 1930 e 1932.

 

Por trás desse cenário negativo, no entanto, há nuances tanto nos números da saúde quanto da atividade produtiva.

Noruega, Coreia do Sul e China, que têm taxas de morte pelo coronavírus por 100 mil habitantes de, respectivamente, 11,4; 3,1 e 0,4, registraram crescimento de suas produções industriais de 7,3%, 0,3% e 2,8% em 2020, segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

Bélgica, Itália e Brasil, com taxas de mortalidade pela Covid-19 de, respectivamente, 192,2; 182,8 e 118,7, computaram contrações de 3,6%, 8,4% e 4,4% no mesmo indicador.

 

Haverá por trás desses poucos exemplos o que cientistas chamam de causalidade, sendo o bom resultado econômico em um ano de colapso mundial resultado da habilidade dos países de conter a pandemia?

Ainda é cedo para responder a essa pergunta por uma série de motivos, como a própria duração —mais longa do que o esperado— da pandemia e a falta de indicadores econômicos mais completos. Muitos países, como o Brasil, ainda nem divulgaram o PIB de 2020.

Mas especialistas dizem que evidências anedóticas indicam que pode existir uma relação causal entre os dois fatos.

A revista britânica The Economist publicou em janeiro reportagem sobre o crescimento de 2,3% do PIB chinês em 2020. Embora esse tenha sido o pior desempenho do país desde 1976, o número positivo, definitivamente, não era esperado por analistas no início da crise e deverá ser um dos poucos crescimentos registrados no mundo em 2020.

Como ressalta a The Economist, a indústria chinesa se beneficiou de consequências da pandemia em si, como a disparada na demanda global por máscaras e telas.

Mas é difícil não atribuir pelo menos parte do desempenho à menor incerteza associada à contenção do contágio, graças a ações rápidas tomadas pelo governo chinês, como duras políticas de distanciamento social e um planejamento rigoroso de como ele seria gradualmente flexibilizado.

Especialistas também têm notado a diferença de desempenho entre a economia alemã e a de outros europeus.

Embora esteja longe das menores taxas de mortalidade pelo coronavírus, a Alemanha tampouco se aproxima dos piores casos. Com 83 mortes por 100 mil habitantes, o indicador da nação é inferior à metade dos 192,2 óbitos por 100 mil pessoas na Bélgica.

A produção industrial da Alemanha despencou 9,9% em 2020. Além disso, o PIB do país (maior economia europeia) recuou 5%. Mas, segundo estimativas oficiais, a contração alemã deverá ser a metade da amargada por França e Itália, que têm taxas de mortalidade pela Covid-19 bem mais elevadas.

Em entrevista recente à Folha, o economista Branko Milanovic, um dos maiores especialistas do mundo em desigualdade de renda, ressaltou que ainda faltam explicações para a enorme diferença entre as taxas de mortalidade pela Covid-19 ao redor do mundo.

“Se você olha a taxa de morte por milhão de pessoas, não estamos falando de diferenças que são 1 para 2 ou 1 para três, mas 1 para 200. Então, há muita explicação necessária”, diz ele.

Na avaliação de Milanovic, os países que foram capazes de convencer suas populações a seguir o distanciamento social nos inícios dos ciclos de piora da epidemia e combinaram essa política com medidas como ampla testagem e mapeamento dos contatos dos infectados são os que têm preservado mais vidas.

E evidências crescentes indicam que, embora tenham custos elevados, essas medidas não condenam as economias a um colapso e que seu efeito pode ser até um desempenho relativo melhor em relação a nações com dificuldade em conter a disseminação do vírus, como o Brasil.

Um temor bastante disseminado no início da pandemia era que políticas rigorosas de distanciamento destruiriam a atividade produtiva. Naquele momento, um grupo de pesquisadores publicou estudo que indicava que esse medo era infundado.

Ao fazer uma comparação rigorosa das diferentes reações de políticas públicas à disseminação da gripe espanhola em 1918, os economistas mostraram que as localidades que reagiram mais prontamente tiveram uma retomada econômica mais vigorosa.

Um trabalho recém-publicado com foco no Brasil buscou investigar a mesma questão, mas usou a atual pandemia como estudo de caso.

As variáveis econômicas analisadas foram a evolução do saldo de vagas formais e arrecadação de ICMS, entre março e junho de 2020, para 104 municípios de São Paulo.

Para medir o nível de distanciamento social, os autores construíram um índice baseado em dados da Fundação Seade de localização dos usuários de telefones celulares.

A pesquisa —fruto de parceria da Unicamp com a Universidade do Texas— concluiu que distanciamento social mais rígido não piora o desempenho dos municípios.

“É possível que o resultado generalizado pior da economia tenha sido provocado pela pandemia em si, mas não foi pelo distanciamento social”, diz o economista Luiz Gustavo Sereno, da Unicamp.

Sereno teve como coautores no estudo —financiado por CNPq e Ministério da Saúde— os pesquisadores Alexandre Gori Maia, também da Unicamp, Letícia Marteleto, da Universidade do Texas, e Cristina Guimarães, da Fipe/USP. O grupo trabalha agora na ampliação da análise para 3.500 municípios do país.

Segundo Sereno, a ideia é avaliar se o isolamento garante melhor desempenho.

“A tendência é que, a longo prazo, o distanciamento contribua para um melhor desempenho da economia, mas ainda não temos confirmação disso.”

Outro achado relevante dos pesquisadores foi que cada ponto percentual de aumento no distanciamento social teria salvado 215 vidas nos municípios analisados.

Para garantir que estavam capturando de fato o impacto do distanciamento sobre contágios e mortes, os autores usaram mudanças nas condições climáticas como instrumento que os permitiu isolar os efeitos de reduções espontâneas na mobilidade.

Outros estudos internacionais têm usado esse mecanismo e chegado a conclusões parecidas. Ou seja, que o isolamento social, de fato, causa a redução do contágio e da mortalidade pelo coronavírus.

Mas a pesquisa com foco em São Paulo indica que os efeitos positivos em uma localidade diminuem se cidades vizinhas adotam medidas menos rigorosas de distanciamento. Por isso, os autores concluem que a falta de coordenação de políticas no Brasil tem imposto “limitações críticas” no combate à Covid-19.

O estudo também separou o efeito do distanciamento segundo o nível sócio econômico da localidade analisada. Os resultados indicam que, quanto menor o patamar de renda da população, mais vidas são salvas pelo isolamento social.

O trabalho ressalta que pessoas que vivem em localidades mais pobres têm dificuldades consideráveis na implementação do distanciamento.

Outro estudo recente indica que essas dificuldades têm se traduzido em mais óbitos em áreas com concentração populacional alta e desordenada.

Com base em dados de telefones celulares no Rio de Janeiro, os pesquisadores Luiz Brotherhood, Tiago Cavalcanti, Daniel Da Mata e Cezar Santos mostram que o distanciamento social, nas favelas, tem sido muito menor.

Seu modelo indica que, embora os habitantes das favelas somem 22% da população, eles representam 30% das mortes pelo coronavírus.

“Muitos estudos têm mostrado que essa crise agrava as diversas desigualdades já existentes nos países”, diz Santos, que é professor da FGV/EPGE e pesquisador do banco central de Portugal.

A questão, ressalta, é como lidar com a dificuldade de moradores de áreas mais pobres em fazer distanciamento social. “Eles dependem muito mais de trabalhos com interação social, que não podem ser feitos de forma remota.”

No início da pandemia, muitos especialistas construíram modelos de previsão que esperavam que o pior cenário —em termos de mortalidade— seria o de baixíssimo isolamento social. Mas, em contrapartida, segundo essas projeções, a imunidade de rebanho seria alcançada rapidamente nesses contextos, abrindo o caminho para a recuperação da economia.

“Isso se mostrou um equívoco. A realidade tem mostrado que a imunidade de rebanho é retardada por fatores como o distanciamento espontâneo de grupos que podem reduzir sua mobilidade”, diz Santos.

Nesse contexto, sem medidas adicionais eficazes para a contenção da pandemia, tanto a crise sanitária quanto a econômica tendem a se prolongar.

 

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Setor portuário deve movimentar mais de R$ 30 bilhões até 2022

 Foto: Ministério da Infraestrutura

 

Crescimento de 4,2% em relação a 2019

Santos (SP) manteve a primeira posição

O setor portuário brasileiro movimentou 1,152 bilhão de toneladas em 2020. O número representa crescimento de 4,2% na comparação com 2019, segundo os resultados do Estatístico Aquaviário divulgado nesta 2ªfeira (1.mar.2021), pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Na avaliação do diretor-geral da agência, Eduardo Nery, o resultado deve ser celebrado, considerando o fato de 2020 ter sido um ano marcado pela pandemia. A mesma opinião tem o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. “Conseguimos apresentar respostas depois de um ano tão difícil”, disse.

“Era necessário manter nossos portos e transporte funcionando. Esse foi um dos grandes desafios de 2020. Esse desafio foi plenamente atendido, Conseguimos enfrentar a pandemia, com a logística funcionando. Por isso é muito gratificante ver esse resultado, que mostra nossa capacidade de antecipação dos problemas”, acrescentou Freitas.

De acordo com o levantamento, os TUPs (terminais de uso privado) movimentaram 760 milhões de toneladas, enquanto os portos organizados movimentaram 391 milhões de toneladas. Se o recorte abranger o período entre 2010 e 2020, o crescimento na movimentação de cargas nos portos privados chegou a 39,9%, enquanto o de portos organizados ficou em 31,6%.

A Antaq apresentou um ranking da movimentação de cargas nos terminais arrendados dos portos em 2020. Santos, no litoral paulista, manteve a primeira posição, com movimentação de 114,4 milhões de toneladas (aumento de 7,7%, na comparação com 2019), seguido do Porto de Paranaguá, no Paraná, com 52,1 milhões de toneladas movimentadas (crescimento de 7,5%) e Itaguaí, no Rio de Janeiro, que movimentou 45,7 milhões de toneladas (aumento de 5,9%).

O ranking de movimentação nos terminais de uso privado (TUPs) foi liderado pelo Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), que movimentou 191 milhões de toneladas, tendo como principal produto o minério de ferro. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ) ficou em segundo lugar, com movimentação de 60 milhões de toneladas, tendo como carga principal a de petróleo e derivados; e em terceiro lugar o Terminal de Tubarão, no Espírito Santo, com movimentação de 56 milhões de toneladas que teve, como principal produto, o minério de ferro.

“As informações trazem que, em relação aos granéis sólidos, 688,9 milhões de toneladas foram movimentadas em 2020, um crescimento de 1,2%. Sobre os granéis líquidos, foram movimentados 289,5 milhões de toneladas, com crescimento de 14,8%. A movimentação de contêineres registrou 118,2 milhões de toneladas (+ 1,1%). Em relação à carga geral solta, foram 54,2 milhões de toneladas movimentadas em 2020, um decréscimo de 0,3%, comparando-se com 2019”, informou a Antaq.

“Conteineres, que é o setor mais afetado pela pandemia, teve ligeiro crescimento [1,1%], o que deve ser celebrado porque se esperava resultado negativo”, disse Eduardo Nery.

CARGAS

A carga mais movimentada foi o minério de ferro, com um total de 356 milhões de toneladas movimentadas. Em segundo lugar está a de petróleo e derivados, com 262 milhões de toneladas, seguida dos contêineres, que totalizaram 118,2 milhões de toneladas. A soja ficou em quarto lugar, com 104,2 milhões de toneladas movimentadas.

“O maior destaque, sob o aspecto do perfil de cargas, foi o dos granéis líquidos, com crescimento de 14,8% em relação ao ano de 2019, demonstrando o vigor do pré-sal. Também foram destaque as movimentações de exportação de óleos brutos de petróleo, que atingiram o crescimento de 18,8%”, detalha o levantamento.

Segundo o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da Antaq, Fernando Serra, o crescimento na movimentação portuária em pleno período de pandemia se deve ao interesse estrangeiro pelas commodities, em especial minério de ferro, soja, milho e insumos para o plantio das safras. “Essas cargas têm grande peso no resultado do crescimento da movimentação. Elas não sofreram com a covid-19, pois os contratos de exportação são feitos no longo prazo, fazendo com que os embarques dessas mercadorias sejam contínuos, mesmo com a situação da pandemia”, disse.

“Por outro lado, os granéis líquidos (em especial petróleo e derivados) foram os que mais cresceram na movimentação total brasileira. Com 14,8% de crescimento, puxaram o valor de 4,2%, observado no crescimento geral da movimentação de cargas no Brasil. Houve aumento nas exportações de petróleo e na cabotagem do pré-sal. Todos esses movimentos não se sujeitaram aos problemas causados pela covid-19”, acrescentou Serra.

 FONTES: PODER 360/AGÊNCIA BRASIL

Energia - combustível - gás natural canalizado (estação da Companhia Paranaense de Gás, Compagas)

IMAGEM: DIVULGAÇÃO COMPAGAS

 

Especialista defende alterações

Sem isso oferta não aumentará

A Câmara dos Deputados deve votar na próxima 3ª feira (2.mar.2021) a nova Lei do Gás, que que muda o marco regulatório do setor. O texto foi aprovado no Senado. Passou por mudanças, que agora devem ser rejeitadas pelos deputados, disse ao Poder360 o líder do Governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR).

O texto visa a facilitar a entrada de empresas no setor por meio de mudanças na forma de contratação (de concessão para autorização), do compartilhamento de estruturas existentes com terceiros mediante pagamento e autorização para grandes consumidores construírem seus próprios dutos, entre outras mudanças.

A expectativa do governo federal é que as alterações do marco regulatório reduzam a participação da Petrobras, atraindo competitividade para o setor, e que isso barateie o insumo. O monopólio da estatal que existe na prática não é definido legalmente. A nova lei, no entanto, traz mecanismos que aceleram esse processo (entenda nos infográficos mais abaixo).

Dados da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres) apontam redução de 40% no custo do gás para indústria e transportes até 2028; aumento R$ 63 bilhões no fluxo anual de investimentos e geração de 4,3 milhões de empregos com a abertura do mercado de gás. Para isso, considera cenário no qual o preço do gás nacional se igualaria ao internacional. O brasileiro é mais alto hoje.

A discussão no setor é se a lei que veio da Câmara traria, de fato, esse impacto. Para o senador Eduardo Braga (MDB-AM), a resposta é negativa. Por isso ele acrescentou emendas no texto. Ele foi o relator do projeto no Senado.

Entre as alterações, está a garantia de que serão mantidas as competências constitucionais dos Estados, que hoje são responsáveis pela distribuição do gás.

Para o diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura), Adriano Pires, doutor em Economia Industrial, os deputados deveriam aceitar as mudanças feitas pelos senadores. Ele, no entanto, diz não acreditar que isso se concretizará.

“Vemos pelas declarações do MME (Ministério de Minas e Energia) e do novo relator que a teimosia, a intransigência e a miopia têm grande chance de prevalecer na medida e que poderá ser aprovado o texto original da Câmara.”

Para ele, voltar ao texto original impedirá que o gás natural chegue aos brasileiros, assim como afastará investimentos em infraestrutura. Já a importação e a reinjeção do gás no subsolo seriam incentivadas.

“É bom que os senhores deputados saibam que, ao aprovar esse texto, estarão impedindo a chegada do gás natural a todos os brasileiros, afastando investimentos na infraestrutura do gás e na construção de térmicas inflexíveis e incentivando a importação de GNL (gás natural) e a reinjeção do gás nacional.”

Segundo o relator do texto na Câmara, Laercio Oliveira (PP-SE), a matéria pode atrair R$ 60 bilhões por ano em investimentos. Entre as principais mudanças propostas está a possibilidade de que empresas que desejem realizar transporte do gás natural precisem apenas de autorização da ANP (Agência Nacional do Petróleo), e não mais concessão.

Já nas mudanças feitas pelos senadores está a garantia de que serão mantidas as competências constitucionais dos Estados, que hoje são responsáveis pela distribuição do insumo.

O relatório do Senado trouxe também uma alteração no texto anterior para “garantir os direitos e as autorizações dadas às transportadoras dos gasodutos em implantação ou processo de licenciamento ambiental em 5 de março de 2009”, quando foi aprovada a legislação atual.

Entenda o projeto:

 

 

 

 

FONTE: PODER 360

 Charge

Em um comunicado emitido nesta segunda-feira (1º), as Centrais Sindicais - CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB - apoiaram as iniciativas dos governadores e prefeitos que têm garantido o isolamento social para evitar a propagação da covid-19 e evitar que os sistemas de saúde se esgotem. No documento, as centrais também reivindicam a extensão do auxílio emergencial no país.

"Continuamos afirmando que é necessário esclarecer a população para a urgência do isolamento - "Fique em Casa" -, sobre o uso correto de máscaras e dos protocolos de proteção. Exigimos que o Congresso Nacional aprove imediatamente a retomada do Auxílio Emergencial no valor de R$ 600,00 enquanto durar a pandemia e das medidas de proteção dos salários e dos empregos."

Na visão das Centrais Sindicais, os custos econômicos do isolamento e da vacinação serão compensados com a segurança das pessoas, evitando mortes e investimentos em uma retomada futura de atividades com segurança sanitária. O grupo sindical reforça a importância do plano de vacinação e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O documento assinado pelos presidentes sindicais também denunciam a "descoordenação das políticas públicas de vacinação" e de proteção sanitária e econômica adotadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para as Centrais Sindicais, a atitude seria um ato intencional da gestão.

"Estratégia que conduz o país para as mais de 250 mil mortes, que não param de crescer, ao agravamento da crise sanitária, à insegurança social e a uma gravíssima crise econômica, inúmeras práticas que caracterizam responsabilidade e crimes no exercício do cargo."

Secretários de Saúde assinam carta sobre 'pior momento da crise sanitária' Uma carta foi assinada pelos secretários estaduais de Saúde alegando que o Brasil atravessa o 'pior momento da crise sanitária' provocada pela covid-19. O documento também faz um apelo para que as medidas de restrição sejam ampliadas com o intuito de evitar um colapso em todo o sistema de saúde nacional.

ssinado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne 27 gestores da área, o texto é endereçado à "população brasileira" e pede toque de recolher nacional das 20h às 6h, além de suspensão das aulas presenciais e lockdown em áreas que tenham ocupação de leitos de covid-19 acima de 85% com tendência de elevação dos casos fatais pela doença. 

FONTE: UOL S.PAULO

 

Foto: Arte/Uol

 

O governo colocou em consulta pública um decreto para consolidar a regulamentação de regras trabalhistas e acabou virando alvo de críticas da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que vê inovações e até inconstitucionalidades no texto.

Advogados, por sua vez, identificaram em um dos dispositivos a sinalização de que o governo pretende ampliar a lista de atividades com autorização permanente para o trabalho em domingos e feriados – ponto polêmico que já foi alvo de embates junto ao Congresso Nacional.

A área econômica argumenta que a medida representa uma simplificação e não avança “nenhum centímetro” para além da legislação atual. Ao Estadão/Broadcast, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, diz receber as críticas com tranquilidade, uma vez que o texto passou pelo crivo das áreas jurídicas do governo, e ressalta que a consulta segue aberta até 6 de março para contribuições.

A Anamatra disse em nota conjunta com outras entidades trabalhistas que a minuta de decreto “apresenta um arcabouço jurídico inovador”, com princípios próprios e normas diferentes das previstas na Constituição e nas leis, em “manifesta violação ao processo legislativo”. Na visão da entidade, o texto promove “alteração da lógica protetiva da legislação trabalhista”.

Um dos pontos que podem gerar polêmica é o capítulo que fala do trabalho aos domingos. Na interpretação de advogados ouvidos pela reportagem, o texto concede autorização permanente para que os setores empreguem amplamente o trabalho aos domingos, sob a justificativa de “exigências técnicas” que tornem indispensável a continuidade do trabalho nesse dia, que deveria ser preferencialmente de descanso.

Flexibilização

“A proposta aponta para a edição de nova relação das atividades que têm autorização permanente para o trabalho em domingos e feriados, que já havia sido ampliada em agosto de 2020. A tendência, considerando a apresentação deste programa como ‘marco regulatório trabalhista simples, desburocratizado e competitivo’, é de ampliação dessa relação de atividades empresariais”, afirma Alexandre Pessoa, sócio da área de Direito Trabalhista do KLA Advogados.

“O decreto não vai de encontro à lei, mas eu diria que tem uma flexibilização, porque a secretaria está autorizando de vez. Não vai fiscalizar caso o DSR (descanso semanal remunerado) não caia no domingo. O texto autoriza todo mundo, independentemente do setor. Isso pode ser um ponto polêmico, pode ter uma pressão muito grande, pois tem uma explicação para o descanso ser no domingo”, afirma Jorge Matsumoto, sócio do Bichara Advogados.

O secretário de Trabalho do Ministério da Economia afirma que o governo não está mexendo na regra de trabalho aos domingos, apenas eliminando a “etapa burocrática” da negociação coletiva para permitir a adesão do setor. “A interpretação corrente é que precisa ser (no domingo) pelo menos uma vez a cada sete finais de semana. A gente não tá mexendo nisso.”

As centrais sindicais também entraram em campo para questionar as mudanças. Um dos pontos atacados pelas entidades é o trecho que coloca “o livre exercício da atividade econômica e a busca do pleno emprego” como princípios para a elaboração das normas regulamentadoras relacionadas à saúde e à segurança do trabalhador. Para as centrais, a mudança fere o princípio de valorização do trabalho e de dignidade da pessoa humana, tolhendo a ação da fiscalização e representando risco de fragilização das condições de emprego.

Dalcolmo diz que não há conflito nenhum e ressalta que a promoção da saúde e da segurança do trabalhador segue sendo um princípio na elaboração e revisão dessas normas. Por outro lado, segundo ele, a própria Constituição e a Lei de Liberdade Econômica colocam a busca do pleno emprego como outro princípio a ser seguido.

“O objetivo de confecção e da revisão das normas regulamentadoras não pode ser único, orientado pela saúde e segurança do trabalho. A única maneira de ter risco zero à saúde e à segurança do trabalhador é não ter atividade produtiva nenhuma. É claro que as coisas precisam ser conciliadas”, diz.

 

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO