Holerite na Alemanha em meio a notas de euro

IMAGEM: PICTURE-ALLIANCE

 

Alemanha e França expressaram apoio ao pedido dos Estados Unidos de criação de um imposto corporativo global de pelo menos 21%, declararam os ministros das duas principais economias da zona do euro.

“As pessoas estão cansadas de que as grandes empresas não paguem a parte correspondente dos impostos”, disse o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, à revista alemã Die Zeit.

A França propôs uma taxa de 12,5%, mas se a sugestão de Washington “for o resultado de negociações, então também aceitaríamos”, completou.

O ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, afirmou na entrevista conjunta que não tem nada contra a proposta apresentada pela secretária americana do Tesouro, Janet Yellen.

A iniciativa tem como objetivo acabar com a concorrência de impostos reduzidos entre países para atrair empresas e o uso de paraísos fiscais por parte das multinacionais.

A ideia é promovida pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), mas a sugestão do governo dos Estados Unidos deu um novo estímulo.

Olaf Scholz destacou que “agora existe o impulso adequado para chegar a um acordo no verão” (hemisfério norte, inverno no Brasil).

FONTE: AFP

 

Atracação de navios no Caís do Porto do Rio de Janeiro, guindaste, container.

IMAGEM: PORTO DO RJ/TÂNIA REGO/AGÊNCIA BRASIL

As companhias marítimas registram 37 embarcações inativas que somam uma capacidade de 175.172 TEUs

A frota inativa representa 0,8% do total global e os navios docados representam 2%

A frota inativa global permanece em níveis baixos, os navios parados representam 0,8% da capacidade total da frota por unidade. Em comparação com março, o segmento de docados também desacelerou, aumentando apenas ligeiramente para 2% da frota mundial por unidades, relata a Alphaliner .

A forte demanda de carga e as altas taxas de frete tornam as companhias marítimas dispostas a usar toda a tonelagem disponível para geração de receita ou para reposicionamento de contêineres vazios.

A frota inativa hoje é composta principalmente por embarcações envolvidas em acidentes, afetadas por sanções ou aguardando para ingressar em próximas missões de serviço. Estão inclusos também navios que estão passando por reparos urgentes ou manutenção regular.

De acordo com o último levantamento da Alphaliner , realizado em 12 de abril, a frota inativa é composta por 162 navios, totalizando 676.121 TEUs. O valor representa 2,8% da capacidade global da frota por unidades.

Em comparação com o levantamento anterior da Alphaliner , no final de março, o número de navios aumentou em seis unidades, com uma ligeira redução de 14.275 TEUs na capacidade.

Em meados de abril, a Alphaliner contabilizou 56 embarcações e 205.024 TEUs como comercialmente inativos, refletindo uma redução de 11 unidades e 35.661 TEUs, em comparação com o estudo anterior.

A Alphaliner detectou um aumento no número de embarcações em manutenção, reparos e modernizações. Contando 106 embarcações e totalizando 471.097 TEUs, o que revela um aumento de 17 embarcações com capacidade apenas moderada de 21.386 TEUs em relação ao levantamento anterior.

FONTE: ALPHALINER

 

IMAGEM: SÉRGIO LIMA/PODER 360

 

Presidente e vice devem ser eleitos

Otto Alencar (PSD) conduz a sessão

Conheça os membros do colegiado

O Senado terá às 10h desta 3ª feira (27.abr.2021) a 1ª reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigará a conduta do governo durante a pandemia e o uso de recursos da União transferidos para Estados e municípios. O presidente e o vice-presidente devem ser eleitos.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais velho da comissão, com 73 anos, tem a prerrogativa de conduzir a eleição da mesa.

Há acordo envolvendo a maioria dos integrantes para que Omar Aziz (PSD-AM) comande o colegiado. O amazonense não é opositor, mas é crítico ao governo.

O acordo também envolve o nome de Renan Calheiros (MDB-AL) para ser relator. Renan foi próximo dos governos petistas e, agora, tem feito acenos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na noite de 2ª feira (26.abr), a Justiça Federal determinou que o senador não pode ser escolhido para a função. Cabe recurso.

Por causa da pandemia, a comissão será semipresencial. O funcionamento foi regulamentado pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no ato nº 8 de 2021 (íntegra – 2 MB).

O requerimento para instalação da comissão, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), foi lido por Pacheco em 13 de abril.

A instalação da CPI foi determinada em 8 de abril pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso –que concedeu liminar (decisão provisória) em ação movida pelos senadores Alessandro Vieira e Jorge Kajuru. Eis a íntegra da decisão (204 KB).

Dias depois, em 14 de abril, o plenário da Corte chancelou sua decisão, por 10 votos a 1. O único que não acompanhou o relator foi o ministro Marco Aurélio Mello.

O QUE FAZ UMA CPI

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu na 3ª feira (13.abr) que a CPI da Covid-19 deverá investigar o dinheiro federal que foi para cidades e Estados, além das omissões do governo no combate à doença.

O presidente Jair Bolsonaro havia criticado o alcance da comissão e defendido sua ampliação para também investigar governadores e prefeitos.

O requerimento de instalação de uma CPI que investigasse União, Estados e municípios teve mais de 40 assinaturas de senadores. O regimento interno do Senado, no entanto, veda a criação de CPIs para investigar assuntos estaduais.

Quando começar a funcionar, a comissão pode:

  • inquirir testemunhas, que devem dizer a verdade;
  • ouvir suspeitos, que podem não falar para não se incriminar;
  • prender em caso de flagrante;
  • requisitar informações e documentos da administração pública;
  • chamar autoridades para depor;
  • convocar ministros de Estado;
  • fazer investigações e audiências públicas;
  • pedir que servidores de outros poderes auxiliem nas investigações;
  • quebrar sigilo bancário, fiscal e de dados, desde que por ato devidamente fundamentado, com o compromisso de não deixar os dados públicos.

A CPI, entretanto, não pode julgar, nem punir ninguém. O único caso em que o colegiado pode prender alguém é se houver flagrante.

O grupo também não pode expedir mandado de busca e apreensão em domicílios, apreender passaporte e determinar a interceptação telefônica. Essas medidas dependem de decisão judicial.

A duração da CPI será de 90 dias como descrito no requerimento de sua instalação. O prazo pode ser ampliado desde que o pedido para isso seja assinado por pelo menos 1/3 dos senadores, ou seja, 27 congressistas.

O relatório produzido no fim da comissão deve ser encaminhado ao Ministério Público ou à Advocacia Geral da União para que tomem as devidas providências jurídicas e/ou penais.

A autoridade a quem for encaminhada a conclusão tem obrigação de informar as providências adotadas. O relatório final também pode apresentar propostas legislativas.

 

FONTE: PODER 360

IMAGEM: MINFRA

 

A pedido do governo federal, o projeto de lei que cria a BR do Mar não deverá mais tramitar em regime de urgência no Senado Federal. O motivo é que neste regime a matéria passaria a trancar a pauta deliberativa a partir desta sexta-feira. O relator da proposta, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), no entanto, ainda precisa de ao menos “duas semanas” para negociar os termos do parecer final.

A informação foi confirmada pelo líder da Minoria na Casa, senador Jean Paul Prates (PT-RN), após a reunião de líderes desta quinta, onde o assunto foi discutido. O objetivo do projeto é ampliar a navegação entre portos nacionais e reduzir a dependência do transporte rodoviário no país.

Os senadores chegaram a discutir sua votação no mês passado, mas, na ocasião, a proposta enfrentou resistência dos senadores Davi Alcolumbre (DEM-AP), Marcos Rogério (DEM-RO) e também da bancada do PT. A oposição defende, por exemplo, que a matéria tramite pelas comissões permanentes, em vez de ser levada diretamente para o plenário da Casa.

O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados no fim do ano passado e é considerado prioritário pela equipe econômica. A proposta pretende dar mais competitividade ao setor de cabotagem e estimular a migração do transporte rodoviário para o marítimo. Na prática, a matéria busca flexibilizar as regras para a navegação entre portos e ampliar a frota de embarcações no país, estimulando a concorrência no setor através das mudanças nas regras de aluguel de embarcações estrangeiras.

Com a aprovação da proposta, o governo espera que a capacidade da frota marítima dedicada a esse tipo de navegação seja ampliada em 40% nos próximos três anos, excluindo as embarcações dedicadas ao transporte de petróleo e derivados. Além disso, o governo também avalia que, com o projeto, seja possível aumentar em 65% o volume de contêineres transportados por ano até 2022 e obter crescimento estimado da cabotagem em 30% ao ano.

Fonte: Valor

Buscas submarino Indonésia

Foto: Suryanto/Anadolu Agency via Getty Images

 

As equipes de resgate encontraram novos objetos, incluindo um colete salva-vidas, que acreditam pertencer ao KRI Nanggala-402

O submarino indonésio que estava desaparecido foi encontrado, dividido em pelo menos três partes, nas profundezas do mar de Bali, disseram oficiais do exército e da marinha no domingo (24), enquanto o presidente enviava condolências aos parentes dos 53 tripulantes.

As equipes de resgate encontraram novos objetos, incluindo um colete salva-vidas, que acreditam pertencer ao KRI Nanggala-402, submarino de 44 anos que perdeu o contato na quarta-feira (21) enquanto se preparava para conduzir uma simulação de torpedo.

"Com base nas evidências, pode-se afirmar que o KRI Nanggala afundou e todos os seus tripulantes morreram", disse o chefe militar marechal Hadi Tjahjanto a repórteres.

O chefe do Estado-Maior da Marinha, Yudo Margono, disse que a tripulação não foi culpada pelo acidente. “O KRI Nanggala ficou dividido em três partes. O casco, a popa e as partes principais estão todas separadas, com rachaduras”, disse.

O presidente Joko Widodo confirmou anteriormente a descoberta no Mar de Bali e enviou condolências às famílias das vítimas. "Todos nós, indonésios, expressamos nossa profunda tristeza por essa tragédia, especialmente às famílias da tripulação do submarino."

Equipes de busca disseram no sábado que encontraram objetos, incluindo fragmentos de um tapete de oração e uma garrafa de lubrificante para periscópio perto da última localização conhecida do submarino, levando a Marinha a acreditar que o veículo havia rachado.

Margono disse no sábado que uma varredura de sonar detectou um objeto semelhante a um submarino a 850 metros (2.790 pés), além do alcance de mergulho do Nanggala.

Mais de uma dúzia de helicópteros e navios estão fazendo buscas na área onde o contato foi perdido, com ajuda dos Estados Unidos, Austrália, Cingapura, Malásia e Índia.

Moradores da cidade de Banyuwangi, no leste de Java, que abriga a base naval de onde as operações de busca e resgate estão sendo conduzidas, aderiram aos apelos nacionais para acelerar a modernização das forças de defesa da Indonésia.

"Este pode ser um ponto de aprendizagem para o governo avançar sua tecnologia militar e ter cuidado em como usar sua tecnologia (existente) porque a vida de seu povo está em jogo", disse o morador Hein Ferdy Sentoso, de 29 anos.

O país mais populoso do Sudeste Asiático tem buscado renovar sua capacidade militar, mas alguns equipamentos ainda são antigos e ocorreram acidentes fatais nos últimos anos.

A Indonésia tinha cinco submarinos antes do último acidente: dois Type 209 de fabricação alemã, incluindo o Nanggala, e três navios sul-coreanos mais novos.

FONTE: REUTERS

IMAGEM: SÉRGIO LIMA/PODER 360

Bolsonaro seguiu acordo com Congresso e sancionou Orçamento com vetos a emendas e recursos de ministérios

Os vetos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Orçamento de 2021 retiram dinheiro das áreas de saúde, educação e também para obras. Para garantir verba a despesas obrigatórias, como aposentadorias, o governo teve que abrir espaço no Orçamento, num valor de aproximadamente R$ 29 bilhões.

Desse total, cerca de R$ 20 bilhões foram na forma de vetos, e R$ 9 bilhões na forma de bloqueio —o que deixa os gastos em suspenso e só serão liberados se houver dinheiro para o pagamento ao longo do ano. A diferença é que os programas e ações bloqueados podem voltar a ser autorizados em 2021, o que não ocorre no caso de veto.

Apesar de a crise sanitária do coronavírus atingir recordes no país, a verba para a saúde não foi poupada. A pasta perdeu R$ 2,2 bilhões em recursos vetados. Não houve, porém, bloqueio nesta área.

 

No caso do Ministério da Educação, foram vetados R$ 1,1 bilhão. O bloqueio na pasta foi de R$ 2,7 bilhões.

O ministro que mais perdeu verba foi Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional). Foram vetados R$ 8,6 bilhões e bloqueados R$ 800 milhões. Marinho havia sido o titular que mais ganhou dinheiro após mudanças no Orçamento promovidas pelo Congresso.

As alterações, no entanto, cortaram previsão de despesas obrigatórias, como aposentadorias e seguro desemprego, que ficaram abaixo do suficiente para garantir os pagamentos até o fim do ano. Isso abriu uma arrastada negociação entre o Palácio do Planalto, Ministério da Economia e Congresso.

solução costurada para destravar o Orçamento de 2021 envolveu uma combinação entre vetos a emendas parlamentares e recursos de programas de ministérios, além de um esforço do governo para enxugar ao máximo os gastos com o funcionamento da máquina pública.

Com o veto parcial ao Orçamento aprovado pelo Congresso, Bolsonaro seguiu a orientação do ministro Paulo Guedes (Economia).

O Legislativo, por sua vez, também obteve vitórias na negociação, pois o veto às emendas desejado pela equipe econômica foi enxugado nas negociações. Emendas são recursos direcionados por deputados e senadores a projetos de suas bases eleitorais

Guedes queria um veto mais amplo às emendas. Mas o acordo exigiu então que o governo também faça uma redução nas despesas para o funcionamento dos ministérios, por exemplo, cortando gastos administrativos.

Também foi vetada a autorização para criação de cargos na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que são custeados pela União.

A sanção, com vetos, ao Orçamento de 2021 foi publicada na edição desta sexta-feira (23) do Diário Oficial da União, mas com a data desta quinta (22).

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Imagem de uma máscara com a frase

IMAGEM: TST

 

Algumas decisões judiciais já relacionam o contágio pela doença com a atividade profissional. Só no primeiro trimestre, número de casos na primeira instância cresceu 115%

Recentemente, uma decisão de primeira instância relacionou a covid-19 com o trabalho, determinando a natureza ocupacional da doença. O caso não é isolado, mas também não predomina entre os que passaram a chegar à Justiça do Trabalho desde 2020. O tema passou a aparecer com mais frequência com o avanço da pandemia. De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), por exemplo, foram 2.397 casos novos sobre covid distribuídos nas Varas do Trabalho (primeira instância) de todo o país no primeiro trimestre, crescimento de 115% sobre igual período de 2020. O total geral (372.117) caiu 3,8%.

No Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas, em 2020 foram recebidos 1.243 casos ligados à covid, sendo 844 solucionados. O tribunal não dispõe de dados específicos sobre quais tratam de doença ocupacional. No primeiro trimestre deste ano, foram mais 141 processos.

Natureza ocupacional

Já no da 2ª Região (TRT-2), por exemplo, apenas nos últimos cinco meses, de novembro até março, foram recebidos 934 processos relacionados à covid-19. Os que relacionam covid e doença ocupacional são 42. O TRT-2 é o maior do país, abrangendo Grande São Paulo e Baixada Santista. Foi nessa região que saiu a decisão citada acima, após ação civil publica movida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Sintect) contra os Correios. O juiz Willian Alessandro Rocha, da Vara de Trabalho de Poá, na Grande São Paulo, reconheceu a natureza ocupacional da covid-19, entendendo que a ECT não adotou medidas para reduzir os riscos de contágio. Ele determinou que a empresa realizassem teste para detecção da covid-19 em todos os empregados naquela unidade, além de ações de prevenção.

Exposição ao risco

Na decisão, o magistrado observou que seis funcionários contraíram a doença na mesma época, considerando “muito provável” que a contaminação tenha ocorrido em função do trabalho, pela exposição ao risco. Assim, o nexo causal seria presumível, concluiu, ainda que não haja prova definitiva. A empresa recorreu, mas a 9ª Turma do TRT manteve a decisão.

Já a Justiça do Trabalho de Minas Gerais reconheceu como acidente de trabalho a morte, pela covid-19, de um motorista de caminhão. A decisão, nesse caso, foi do juiz Luciano José de Oliveira, na Vara de Três Corações. (MG). A empregadora do motorista, uma transportadora, foi, inclusive, condenada a pagar indenização de R$ 200 mil, por danos morais, e outra por danos materiais, em forma de pensão, até a filha do trabalhador completar 24 anos.

A família alegou que ele foi infectado devido à função que exercia. O motorista sentiu os primeiros sintomas em 15 de maio, após viagem de 10 dias de Extrema (MG) para Maceió e Recife. A empresa alegou que sempre cumpriu as normas de segurança, ofereceu os equipamentos necessários e orientou os funcionários sobre medidas de prevenção. O juiz adotou a chamada teoria da responsabilização objetiva, por assumir o risco de submeter o trabalhador em um período agudo de pandemia.

Notas técnicas

O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou várias notas técnicas relacionadas à covid-19. Na NT 20, por exemplo, orienta os médicos a solicitar da empresa a Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) quando se confirma o diagnóstico de covid-19, “ainda que na suspeita de nexo causal com o trabalho”. Para o MPT, é “dever das empresas de reduzir os riscos inerentes ao trabalho, mediante a adoção de normas de saúde e segurança”.

Por sua vez, a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho também elaborou uma nota técnica, na qual afirma que a covid-19 pode, conforme o caso, ser considerada doença do trabalho. “As circunstâncias específicas de cada caso concreto poderão indicar se a forma como o trabalho foi exercido gerou risco relevante para o trabalhador”, diz a Secretaria, admitindo também o enquadramento como acidente do trabalho.

No local de trabalho

Em entrevista ao portal da CUT, a secretária de Saúde do Trabalhador da central, Madalena Margarida Silva, afirma que apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que a covid-19 pode ser considerada doença do trabalho, os empregadores resistem a reconhecer essa relação. “Há denúncias constantes de trabalhadores aos sindicatos e a mídia tem mostrado o tempo todo o número de pessoas que se aglomeram nos transportes porque são obrigadas a ir ao o trabalho presencial”, diz Madalena. “Onde esses trabalhadores pegam covid? Na maioria dos casos é sim nos locais de trabalho, por não ter um protocolo de segurança definido e nos transportes. São locais de grande exposição ao risco.”

O ideal, lembra, seria um efetivo lockdown. Ou seja, isolamento social sério, com garantia de renda por parte do governo federal. Assegurando assim, sobrevivência, ao mesmo tempo em que se reduziriam as chances de proliferação do vírus. “Várias medidas do governo durante a pandemia prejudicaram ainda mais os trabalhadores. A gente vê a falta de proteção ao emprego, às micro e pequenas empresas, tudo isso deixa o país no caos em que está, sem perspectiva de melhora, com desemprego e número de mortos aumentando a cada dia”, lamenta.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

 

Arte/UOL

Imagem: Arte/UOL

 

Proposta passou por consulta pública e mexe em temas como terceirização e fiscalização

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) quer criar um programa permanente de simplificação da legislação trabalhista por meio de um decreto, ainda sem data para ser publicado. A versão mais recente do documento, tornada pública em janeiro, quando uma minuta foi colocada em consulta, já despertou críticas no judiciário trabalhista ao plano.

Para advogados, juízes, procuradores e auditores do trabalho, o programa extrapola os limites constitucionais para a edição de decretos regulamentares. No último dia 9, cinco entidades enviaram ofício ao secretário do Trabalho, Bruno Dalcolmo, solicitando a exclusão de 25 artigos, de maneira integral ou parcial, dos 181 incluídos na proposta.

Eles pedem a exclusão, por exemplo, de artigos que tratam da fiscalização trabalhista. Uma das mudanças propostas no texto que circulou para consulta pública estabelece que denúncias de falta pagamento de parte do salário ou diferenças rescisórias não estão entre as hipóteses que motivam ação de inspeção do trabalho.

 

A consulta pública aberta pelo Ministério da Economia e pela Casa Civil terminou no dia 6 de março. O prazo, que inicialmente terminaria em 19 de fevereiro, foi prorrogado após pressão das entidades, que encaminharam uma nota técnica à Secretaria Geral da Presidência da República contrária à edição do decreto.

Assinaram a nota técnica e o ofício encaminhado no início do mês Sinait (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho), Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho), ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho) e Abrat (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas).

A presidente em exercício da ABMT (Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho), Olga Vishnevsky Forte, afirma, em nota, que a entidade concorda com as demais associações quanto à “invasão da norma na esfera legal”.

​O projeto divulgado pelo governo no fim de janeiro tem oito páginas, nas quais são reunidos os textos de 20 decretos vigentes. Segundo o Ministério da Economia, outros 31 decretos também poderão ser revogados, alguns deles porque serão incluídos nesse compilado, outros porque já estão obsoletos.

A Secretaria de Trabalho diz que está “na fase final do processo de análise das contribuições da consulta pública e do debate mais aprofundado com alguns setores”. Ao todo, diz ter recebido 2.803 contribuições da sociedade em geral.

No dia 6 de abril, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, encaminhou às entidades um ofício no qual diz que as associações não apresentaram justificativas específicas para a exclusão de artigos do texto e que também não comprovaram que a proposta violasse a lei.

Para o grupo, ao usar o decreto para a consolidação de regras, o Executivo estaria agindo para atuar “com excessiva discricionariedade na suposta regulamentação dos direitos trabalhistas”, segundo a nota.

As entidades afirmam também que a revisão da legislação trabalhista precisaria passar por um diálogo entre as partes interessadas, que são governo, empregadores e trabalhadores. “O mecanismo revisional proposto”, dizem, “ gera instabilidade legislativa em matéria tão sensível ao desenvolvimento socioeconômico nacional”.

A Secretaria de Trabalho diz que o texto foi discutido em reuniões específicas com instituições e que, após esse ciclo de encontros e análises por equipe técnica, uma nova minuta passará pelo crivo da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

Para o advogado trabalhista Luiz Calixto Sandes, do escritório Kincaid | Mendes Vianna Advogados, a proposta do governo é positiva, diante do número de regras trabalhistas existentes além da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Em muitos casos, segundo ele, o decreto apenas reuniu essas legislações nesse mesmo documento.

O especialista afirma que a consolidação poderia desburocratizar e dar segurança jurídica aos contratos.

Um desses casos é o do tipo de responsabilidade da empresa que terceiriza serviços quando a intermediária não cumpre a legislação trabalhista, ou fecha sem pagar salários, por exemplo.

Sandes diz que o decreto deixa claro o entendimento de que a responsabilidade é subsidiária, e não solidária. Essa diferença é alvo de disputa judicial.

No primeiro caso, são executados antes os bens do empregador, ou seja, da terceirizada. Somente depois, quando há necessidade, é que o contratante (a empresa que contrata a terceirizada) é acionado para pagar os direitos dos trabalhadores. Na responsabilidade solidária, segundo Sandes, o advogado do funcionário pode, já ao iniciar a ação, executar as duas empresas.

No entanto, as entidades ligadas ao judiciário trabalhista pediram a exclusão do artigo que trata desse tema, por entender que, ao fixar o tipo de responsabilidade, o governo faz uma inovação legislativa, só possível por meio de projeto de lei.

Na avaliação Sandes, também é interessante a criação de um canal eletrônico para denúncias e pedidos de fiscalização. A minuta prevê que as informações enviadas por meio deste canal poderão ser usadas no planejamento de ações de inspeção quando incluírem risco grave aos trabalhadores, calote no pagamento de salário, trabalho infantil ou indício de trabalho escravo ou análogo.

Segundo o Ministério da Economia, a primeira versão desse decreto foi elaborada ainda em 2019, após consulta pública preliminar. As novas sugestões ainda serão analisadas pelas equipes técnicas antes de serem incorporadas ao texto final. Depois, será novamente submetido à análise jurídica da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), antes de seguir ao presidente Jair Bolsonaro.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Imagens de Brasília - Palácio do Congresso Nacional - Anexo I do Senado Federal. 

Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

IMAGEM: LEONARDO SÁ/AGÊNCIA SENADO

 

Vacinação será tema no Senado

 

A semana começa com a expectativa da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado. Está marcada para 3ª feira (27.abr.21), às 10h. No mesmo dia, a 1ª reunião deve confirmar Omar Aziz (PSD-AM) na presidência e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) como vice.

Na relatoria ficará Renan Calheiros (MDB-AL), que se declarou parcial para assuntos envolvendo Alagoas. O filho é governador do Estado.

Na sequência, devem ser votadas as convocações de pessoas para depor na CPI. Serão chamados os 3 ex-ministros da Saúde de Bolsonaro, possivelmente por ordem de passagem pela pasta.

Ofícios sobre compra e recomendação de cloroquina para covid serão analisados. As negociações de vacinas também ditarão parte dos rumos.

declaração do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten à revista Veja será explorada. Em uma entrevista, ele relatou ter tentado negociar doses da Pfizer, mas que houve “incompetência” do Ministério da Saúde. Deve ser chamado a depor logo no início dos trabalhos.

Há expectativa para o que pode ser uma grande revelação da CPI. A Pfizer não conseguiu vender vacinas para o governo porque não aceitou oferecer uma quantidade acima do normal de argumentos.

O governo, que tem minoria na comissão, precisará se articular para conter as possíveis acusações e os ruídos que a CPI deve provocar.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu na 3ª feira (13.abr) que a CPI da Covid-19 deverá investigar o dinheiro federal que foi para cidades e Estados, além das omissões do governo federal no combate à doença.

Juntaram-se os pedidos de CPI de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com o governo federal como alvo, e de Eduardo Girão (Podemos-CE), que investiga ilícitos com dinheiro federal em todas as esferas.

O presidente Jair Bolsonaro havia criticado o alcance da CPI e defendido sua ampliação para também investigar governadores e prefeitos.

Leia aqui quem são os membros da CPI e o que faz uma comissão desse tipo.

AGENDA DA SEMANA

Entre os projetos pautados para essa semana no Senado está o que permite a utilização de indústrias de vacinas para animais para a produção de imunizantes contra a covid-19.

A votação está marcada para 3ª feira (27.abr) e visa ampliar a capacidade produtiva de vacinas no Brasil.

Na 5ª feira (29.abr) será a vez dos senadores votarem medida que suspende a obrigação do Brasil cumprir as seções do internacional sobre patentes para poder agilizar o uso de vacinas estrangeiras pelo país e sua produção nacional.

No meio da semana ainda é possível que os deputados e senadores se reúnam virtualmente em sessão do Congresso para debaterem a aprovarem um projeto de lei enviado pelo governo que reorganiza o Orçamento depois dos vetos presidenciais.

O presidente vetou R$ 10,5 bilhões nas emendas do relator, R$ 1,4 bilhão em cortes de emendas de comissão do Poder Legislativo e outros R$ 7,9 bilhões em despesas discricionárias do próprio Poder Executivo.

Somados aos R$ 9 bilhões bloqueados a partir do projeto aprovado pelo Congresso no início desta semana, o governo ganhou R$ 28,8 bilhões de espaço no Orçamento.

Já na Câmara, havia a expectativa para a votação dos projetos sobre as mudanças na Lei de Segurança Nacional e privatização dos Correios. Ambos tiveram a urgência aprovada na semana que passou. As medidas, entretanto, não devem ser apreciadas ainda.

“Não tem prazo e nem previsão no momento, pois iniciamos um cronograma de diálogos com vários setores, só após entendermos e esgotarmos o mérito, referente aos impactos, iremos construir o relatório”, disse Gil Cutrim (Republicanos-MA), relator do projeto de privatização dos Correios.

FONTE: PODER 360

Oceano Antártico

Foto: Richard Sidey/Conservation International

Aliança feita entre organizações sem fins lucrativos visa sete áreas oceânicas em todo o mundo; atualmente menos de 3% dos mares estão protegidos.

Os oceanos cobrem mais de 70% do nosso planeta, com um total de 361 milhões de quilômetros quadrados. Uma iniciativa lançada na terça-feira (20) visa proteger 5% dessa área nos próximos cinco anos. 

Pode parecer pouco, mas 18 milhões de quilômetros quadrados é uma área maior do que todo o continente da América do Sul. E considerando que, segundo algumas estimativas, menos de 3% do oceano global está totalmente protegido, tanto a meta quanto o prazo são ambiciosos.

A iniciativa, batizada de Blue Nature Alliance, tem “um objetivo muito audacioso”, disse M. Sanjayan, CEO da Conservation International, uma das organizações que estão liderando o programa. “É provavelmente o maior esforço de conservação individual em termos de tamanho e velocidade”.

Os oceanos são essenciais para a sobrevivência humana, ajudando a regular as chuvas, o clima e até os níveis de oxigênio no ar. Mas eles estão cada vez mais sob a ameaça de mudanças climáticas, da poluição e da pesca predatória.

Uma colaboração entre a Conservation International e outras organizações ambientais e sociais sem fins lucrativos — incluindo entidades como The Pew Charitable Trusts, Global Environment Facility, Minderoo Foundation e Rob and Melani Walton Foundation — a Blue Nature Alliance arrecadou U$ 125 milhões (cerca de R$ 700 milhões) para proteger o oceano dessas ameaças.

Áreas alvo

A iniciativa começou visando sete localizações oceânicas ao redor da Antártica, Fiji, Canadá, as Seychelles, Palau, Oceano Índico Ocidental e Tristão da Cunha, uma ilha no sul do Oceano Atlântico. Essas áreas cobrem mais de 6,5 milhões de quilômetros quadrados no total — mais de um terço da meta geral.

A aliança diz que começará focando na conservação dessas áreas, trabalhando com as comunidades locais e líderes nacionais para estabelecer novas áreas marinhas protegidas (AMPs) e melhorar a gestão das já existentes.

Sanjayan diz que uma AMP deve estar em algum lugar onde “não haja pesca comercial em grande escala, haja um plano de manejo, um plano de monitoramento e a inclusão das comunidades locais”. 

De acordo com o Atlas de Proteção Marinha, cerca de 7% dos oceanos globais foram designados como áreas protegidas, mas apenas 2,7% são consideradas “totalmente protegidas”. 

“Algumas delas têm apenas o nome”, disse Sanjayan à CNN, acrescentando que a Blue Nature Alliance quer implementar e manter totalmente essas zonas. 

No Oceano Antártico, onde a iniciativa quer proteger uma área com o dobro do tamanho da Indonésia, os esforços estão focados em impedir a pesca industrial e preservar as espécies que são essenciais para a cadeia alimentar lá, como focas-leopardo, pinguins e krill.

Nas ilhas de Lau, uma área no lado oriental do arquipélago de Fiji, a aliança está trabalhando em estreita colaboração com o governo para atribuir legalmente novas áreas protegidas e impor limites para a pesca e o turismo, e afirma que isso apoiará a população indígena da região, protegendo a cultura local e o abastecimento de alimentos.

Embora Sanjayan admita que aplicar essas medidas será um desafio, ele acredita que os avanços tecnológicos irão ajudar; as melhorias na tecnologia de satélites tornaram mais fácil detectar a pesca ilegal, enquanto o apoio das comunidades locais ajudará a garantir a manutenção das áreas protegidas.

“Se as pessoas no país entendem por que (o oceano) é importante, é muito mais provável que queiram protegê-lo”, diz ele.

Preservando a biodiversidade

Os esforços da Blue Nature Alliance irão contribuir para uma iniciativa de conservação global para proteger pelo menos 30% do oceano até 2030, uma meta que deverá ser ratificada na Conferência das Nações Unidas Sobre Biodiversidade ainda este ano. A pesquisa sugere que esse nível de proteção é necessário para manter a biodiversidade e os ecossistemas marinhos.

Em um comunicado à imprensa, a ex-chefe do clima da ONU, Christiana Figueres, saudou o lançamento da Aliança.

“Como as emissões de gases de efeito estufa continuam a ameaçar nosso planeta, restaurar e manter a saúde dos oceanos por meio de esforços como a Blue Nature Alliance pode ajudar a preservar a biodiversidade e proteger o planeta contra os impactos devastadores das mudanças climáticas”, disse ela.

FONTE: CNN

 

(Imagem: Arte Migalhas)

IMAGEM: ARTE MIGALHAS

TST vê mais segurança na busca da 'verdade dos fatos' com provas digitais; advogados alertam para limites da tecnologia

Justiça do Trabalho tem treinado magistrados e servidores para usar redes sociais, rastreamento por celular, mensagens em aplicativos e biometria. A ideia é reduzir a dependência de testemunhas e evitar depoimentos mentirosos.

Juízes são estimulados a buscar dados em operadoras de telefonia, aplicativos, serviços de backup e nuvens de armazenamento para que provas digitais substituam oitivas —uma tradição nos processos— até das partes.

Para evitar violação de privacidade e intimidade, recomenda-se o segredo de Justiça nas ações trabalhistas. À frente dos cursos estão especialistas em direito digital e crimes cibernéticos.

 

A prática, no entanto, deverá causar debates. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ainda não tomou conhecimento da estratégia. Advogados alertam para os riscos da tecnologia.

O comando da Justiça do Trabalho espera que as provas digitais sejam usadas na solução de ações sobre justa causa, horas extras, equiparação salarial e assédio moral e sexual, entre outros temas.

O direito ao recebimento de horas extras, por exemplo, seria confirmado ou rejeitado com geolocalização por celular. A ferramenta poderia atestar ou descartar a permanência no local de trabalho.

A biometria, usada para liberar acessos, se mostraria capaz de dizer quantos empregados entram, saem e descansam em uma empresa. Uma foto em uma rede social poderia fundamentar uma justa causa.

O uso da tecnologia no Poder Judiciário é um caminho sem volta
Maria Cristina Peduzzi

presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho)

"O juiz, diante de depoimentos testemunhais contraditórios, demanda tempo para cotejar com outras provas no processo, até para se assegurar se o testemunho é verídico ou falso. Com as provas digitais, irá identificar a verdade dos fatos com muito mais segurança", diz a ministra Maria Cristina Peduzzi, presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho).

Em tempos de Covid-19, ações à espera de julgamento, que após a reforma trabalhista de 2017 caíram, se acumulam. A pandemia forçou a realização de audiências telepresenciais, mas o modelo enfrenta resistência.

De um lado, estão juízes inseguros com atos processuais e, de outro, advogados que pedem adiamento de audiências de instrução, quando as provas são produzidas, até que o trabalho presencial seja retomado.

  

A idoneidade da prova pode ser ameaçada em razão de eventual orientação de testemunhas, o que é proibido. Entram então na mira da Justiça informações inconsistentes obtidas em depoimentos, que podem dar lugar às provas digitais.

"O uso da tecnologia no Poder Judiciário é um caminho sem volta", diz Peduzzi. Para ela, as provas digitais irão acelerar os processos e reduzir o estoque de ações.

A ferramenta é estimulada em meio à celebração dos 80 anos da Justiça do Trabalho. O Dia do Trabalho, no sábado (1º), marca a data de criação do ramo no governo de Getúlio Vargas, enquanto gestores buscam o que chamam de Justiça 4.0.

Peduzzi destaca que o juiz tem liberdade na condução e apreciação de provas. Segundo ela, o magistrado pode dispensar uma testemunha que considere "impertinente, inadequada ou excessiva".

"Se o juiz verificar que a prova digital é suficiente para dar fundamento à decisão, ele poderá, sim, adotar apenas a prova digital, ou trabalhar com outros tipos de provas. Será pouco provável essa redundância [de provas] se temos condições de fazer a prova digital, até porque não temos todo o tempo do mundo", diz.

Uma ordem judicial abre caminho para a obtenção dos dados. Não há, segundo a ministra, qualquer conflito com a recente LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) ou outros marcos legais.

A atual legislação estabelece regras para evitar vazamentos e proteger dados pessoais. Isso, porém, não impede a captura.

Apesar de presente no dia a dia, a tecnologia ainda é novidade e desafio para magistrados, segundo a ministra Dora Maria da Costa, diretora da Enamat (escola nacional da magistratura do trabalho), ligada ao TST.

"Alguns juízes já usam de forma muito sútil, muito primária, esse tipo de prova digital", afirma. ​

É por isso que a escola capacita magistrados, enquanto o CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho) prepara servidores. Até o momento, mais de mil deles passaram por treinamento.

O primeiro curso para a magistratura foi realizado em novembro de 2020, quando se formaram 86 juízes. Agora está em finalização uma turma com 50 juízes que irão replicar as técnicas nas escolas dos 24 tribunais regionais.

As aulas começaram no dia 5 de abril e terminam nesta segunda-feira (26), a distância. Foram ministradas às segundas e sextas-feiras, com carga total de 30 horas-aula.

Os magistrados receberam orientações do professor e promotor Fabrício Rabelo Patury, especialista em direito digital e integrante do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público da Bahia. O instrutor do treinamento de servidores é o delegado de polícia Guilherme Caselli, de São Paulo.

Peduzzi e Costa não veem oposição à iniciativa. "A surpresa é que teve fila de espera. A busca é muito grande", afirma a diretora da Enamat.

Presidente da Anamatra (associação de juízes do trabalho), Noemia Porto admite haver a necessidade de aprendizagem. "É uma realidade nova, um pouco assustadora", diz.

Porto reconhece os impactos do distanciamento social na iniciativa. "Logo depois [do início] da pandemia e com todos os conflitos gerados com as audiências telepresenciais, essa que era uma experiência acidentada agora está tomando corpo de uma experiência sistematizada", afirma.

Segundo a juíza, as provas digitais podem revelar fatos, discursos e práticas, mas não irão substituir a narrativa das partes.

Fábio Braga, presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo, que atua em processos trabalhistas, no entanto, rechaça a proposta. "A testemunha sempre foi a rainha das provas", afirma.

"O princípio da oralidade norteia a Justiça do Trabalho desde o início", diz o advogado.

Para ele, há ainda quebra de outros princípios, como o da ampla defesa e do contraditório. "Essa contaminação do processo penal na Justiça do Trabalho é um retrocesso muito grande", afirma.

Essa contaminação do processo penal na Justiça do Trabalho é um retrocesso muito grande
Fábio Braga

presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo

Antônio Fabrício Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Direitos Sociais da OAB, por ora, foca a avaliação nas audiências telepresenciais. Segundo ele, porém, a Justiça está funcionando.

"A OAB foi muito crítica da audiência de instrução a distância. Quando a pandemia passar, nada substituirá a audiência presencial", afirma o advogado. Para ele, a videoconferência será viável se as partes aceitarem.

Questionado sobre o uso de provas digitais, Gonçalves diz que ainda não pode opinar e irá estudar o tema na comissão. "Até porque eu estou sabendo dessa proposta agora."

LINHA DO TEMPO: 80 ANOS DE JUSTIÇA DO TRABALHO

1932

  • Criação das Juntas de Conciliação e Julgamento

1941

  • Instalação oficial da Justiça do Trabalho em 1º de maio de 1941, Dia do Trabalho, durante o governo Vargas
  • O órgão máximo era o Conselho Nacional do Trabalho, com sede no Rio de Janeiro e vinculado ao Poder Executivo

1943

1946

  • Em regime democrático, a Justiça do Trabalho é integrada ao Poder Judiciário com a Constituição de 1946
  • O Conselho Nacional do Trabalho dá lugar ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) e os Conselhos Regionais do Trabalho, aos TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho)
  • Primeira instância é formada pelas Juntas de Conciliação e Julgamento

1960

  • Inauguração de Brasília

1963

  • É aprovado o Estatuto do Trabalhador Rural

1964

  • Tem início a ditadura militar, que durou até 1985

1971

  • Em 1º de maio, o TST é instalado no Setor de Autarquias Sul (hoje o edifício é ocupado pelo TRT-10)

1988

  • É promulgada a Constituição Federal, com a incorporação de temas do direito do trabalho individual e coletivo

1999

  • A Emenda Constitucional 24 extingue a representação classista da Justiça do Trabalho; até então, havia juízes togados e representantes de empregados e empregadores
  • Juntas de Conciliação e Julgamento passam a se chamar Varas do Trabalho

2004

  • Promulgada a Emenda Constitucional 45, a chamada reforma do Poder Judiciário
  • Amplia-se a competência da Justiça do Trabalho para relações de trabalho, e não apenas relações de emprego (aquelas com subordinação e reguladas pela carteira assinada)
  • TST volta a ser composto de 27 ministros, após a extinção de 10 vagas classistas com a reforma de 1999

2006

  • O TST é transferido para edifício projetado por Oscar Niemeyer, no Setor de Administração Federal Sul, em Brasília

2010

  • A Justiça do Trabalho adere ao PJe (Processo Judicial Eletrônico)

2017

  • Entra em vigor a reforma trabalhista do governo Michel Temer (lei 13.467), com regras mais flexíveis
  • Criado o trabalho intermitente
  • Fim da obrigatoriedade da contribuição sindical
  • Trabalhador pode ter de pagar honorários de sucumbência de advogado do empregador

2019

  • Governo Jair Bolsonaro extingue o Ministério do Trabalho e acopla estrutura da pasta ao novo Ministério da Economia, sob comando de Paulo Guedes

2020

  • Ministra Maria Cristina Peduzzi toma posse como presidente do TST e primeira mulher à frente da Justiça do Trabalho
  • Com a pandemia da Covid-19, Justiça do Trabalho adota audiências telepresenciais e trabalho remoto
  • É promovido primeiro curso na Enamat (escola nacional da magistratura do trabalho) sobre provas digitais

2021

  • Enamat realiza curso de formação de formadores (instrutores) para juízes replicarem nas escolas regionais o conhecimento em provas digitais

Fonte: TST (Tribunal Superior do Trabalho)

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Frascos rotulados como de vacina contra Covid-19 em frente ao logo da Johnson and Johnson em foto de ilustração 09/02/2021 REUTERS/Dado Ruvic

 IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

 

Países europeus se preparavam nesta quarta-feira para começar a usar a vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson e acelerar suas campanhas de vacinação depois que o regulador europeu de medicamentos aprovou o imunizante e as entregas começaram a acontecer após pausa de uma semana.

O ministério da Saúde da Alemanha disse que iniciará as entregas aos Estados federais para uso em centros de vacinação em breve, e que os médicos de família devem receber a vacina a partir da próxima semana.

A Holanda planejava começar a usá-la na próxima semana.

Pouco mais de 320.000 doses chegaram a dez países dos 30 membros do Espaço Econômico Europeu (EEE) nesta quarta-feira, de acordo com dados do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

A Polônia e a Holanda responderam pela maior parte da carga, com 117,6 mil e 79,2 mil doses, respectivamente.

Isso é apenas uma pequena parte dos 134 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 entregues desde que a vacinação começou quase quatro meses atrás e em comparação com as remessas maiores da Pfizer/BioNTech durante esse tempo.

Mas a chegada da quarta vacina autorizada para uso na Europa oferece esperança, enquanto os governos lutam para obter imunizantes após um início lento atormentado por problemas de produção e preocupações de segurança. A região também está lutando contra um aumento nas infecções que obrigou alguns países a retomar medidas de lockdown.

A J&J deve entregar 55 milhões de doses de sua vacina à UE até o final de junho.

As novidades ocorrem depois que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) disse na terça-feira que encontrou uma possível ligação entre a vacina da J&J e problemas raros de coagulação do sangue em adultos que receberam doses nos Estados Unidos, mas disse que os benefícios do imunizante de dose única superam seus riscos.

O ministério da saúde da Itália recomendou que a vacina J&J fosse usada em pessoas com mais de 60 anos

Na Alemanha, não ficou claro se os reguladores limitariam o uso da vacina da J&J a uma determinada faixa etária, como fizeram com a vacina da AstraZeneca, que seu comitê de vacinas também recomenda para 60 anos ou mais. O comitê, conhecido como STIKO, deve se reunir na quinta-feira.

A autoridade sanitária dinamarquesa espera anunciar sua decisão na próxima semana sobre como proceder, aguardando mais investigações sobre a possível ligação da vacina com coágulos sanguíneos raros.

Os reguladores dos EUA vão decidir no final desta semana se reiniciam o uso da vacina. Quase 8 milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam a o imunizante da J&J.

A J&J disse que está trabalhando em estreita colaboração com os reguladores e observou que nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre os casos de coagulação e sua vacina.

FONTES: REUTERS/ISTOÉDINHEIRO