IMAGEM: ONU
A 70ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação da Mulher (CSW70) reuniu governos, sindicatos e a sociedade civil em Nova Iorque, de 9 a 19 de março de 2026, num momento crítico para os direitos das mulheres.
O tema prioritário deste ano – garantir o acesso à justiça para todas as mulheres e meninas – surge em meio a crescentes ataques globais à igualdade, juntamente com rápidas mudanças no mundo do trabalho impulsionadas pela crise climática, novas tecnologias e instabilidade econômica. Para as mulheres trabalhadoras do setor de transportes, essas pressões estão aprofundando as desigualdades.
Mais uma vez, as sindicalistas fizeram parte da delegação da Global Unions, coordenada pela Confederação Sindical Internacional (CSI). A delegação da ITF incluiu Meryem Halouani, presidente do Comitê de Mulheres Trabalhadoras do Transporte da ITF; Jessica Isbister, representante das mulheres da Seção de Estivadores; Céline Ruffie, membro do Conselho Executivo da ITF; e Claire Clarke, do Departamento de Mulheres da ITF.
Justiça no trabalho é fundamental. A declaração conjunta das Uniões Globais à CSW70, "Acesso à justiça para as mulheres no mundo do trabalho", deixa claro como o acesso à justiça para as mulheres sustenta a paz e a democracia, é um meio direto de implementar os direitos trabalhistas das mulheres e que a justiça econômica para as mulheres começa com trabalho decente.
As Conclusões Acordadas adotadas na CSW70 incluem diversos compromissos alinhados com as prioridades dos sindicatos – por exemplo, compromissos sobre direitos trabalhistas, a economia do cuidado e sistemas de justiça sensíveis à perspectiva de gênero, além do reconhecimento dos sindicatos como atores-chave na promoção do acesso à justiça. O texto também reconhece as múltiplas e interseccionais formas de discriminação, bem como as barreiras estruturais e sistêmicas, como grandes obstáculos à igualdade de gênero.
Contudo, as negociações revelaram resistências persistentes. Diversas disposições foram enfraquecidas por referências à implementação estar “sujeita à legislação nacional”, particularmente no que diz respeito aos direitos das meninas. O acesso à justiça relacionado à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos permaneceu altamente controverso. As Conclusões foram adotadas por votação pela primeira vez, com os Estados Unidos se opondo e apresentando uma resolução separada, que não foi aprovada, questionando o próprio conceito de “igualdade de gênero”.
Vozes da ITF na CSW70
Os representantes da ITF desempenharam um papel ativo ao longo de toda a sessão. Participaram de um encontro aberto à sociedade civil com o Secretário-Geral da ONU, o Conselho Executivo da ITF e o Comitê de Mulheres.
A deputada Céline Ruffie pediu compromissos mais firmes para incluir mulheres jovens em cargos de liderança na tomada de decisões.
Em um evento paralelo da Global Unions sobre “Reimaginando a Justiça: Trabalho Decente para as Mulheres”, Jessica Isbister destacou o trabalho da ITF nas cadeias de suprimentos: “Quando as trabalhadoras se organizam, quando os sindicatos denunciam abusos e quando as cadeias de suprimentos globais são responsabilizadas por seus trabalhadores, podemos nos aproximar de um mundo onde o trabalho decente e a justiça estejam verdadeiramente disponíveis para todas as mulheres.”
Meryem Halouani, presidente do Comitê de Mulheres Trabalhadoras do Transporte da ITF, disse:
Para as mulheres trabalhadoras do setor de transportes, o acesso à justiça significa segurança no trabalho, serem ouvidas e terem o poder de reivindicar seus direitos. Através de nossos sindicatos, estamos nos organizando para derrubar as barreiras que ainda negam às mulheres igualdade e dignidade.”
Promovendo a mudança através da solidariedade
Apesar das tensões políticas, a CSW70 reafirmou o papel essencial dos sindicatos na promoção dos direitos das mulheres. Para a ITF e suas afiliadas, o foco agora é claro: transformar compromissos em ações por meio da organização, da solidariedade e da pressão contínua por mudanças.
FONTE: ITF
