IMAGEM: BLOOMBERG SCHOOL

NR-1 entra em vigor nesta terça e estudo mostra que apoio à saúde mental eleva produtividade em até 25%

Nova regra da NR-1 entra em vigor nesta terça (26/5) e exige que empresas identifiquem riscos como assédio, sobrecarga e metas abusivas

A partir desta terça-feira (26/5), a saúde mental passa oficialmente a integrar a lista de obrigações legais das empresas brasileiras com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho. Na prática, a mudança obriga empregadores a identificar, mapear e prevenir riscos psicossociais no ambiente corporativo — como assédio moral, metas abusivas, excesso de demandas e ambientes emocionalmente hostis. A fiscalização começa agora e empresas que ignorarem as novas exigências poderão sofrer multas, ações trabalhistas e até interdição de atividades.

Testes digitais, treinamento de lideranças e programas de apoio psicológico entram na pauta das empresas diante do avanço dos transtornos ocupacionais

Os afastamentos por transtornos mentais cresceram 80% entre 2023 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). No mesmo período, o Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos por doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos, conforme levantamento do Ministério da Previdência Social. Os números transformaram a saúde mental em uma das discussões mais concretas do ambiente corporativo, e a partir desta terça-feira 26 ela passa a ser também uma obrigação legal.

A entrada em vigor da atualização da NR-1 exige que empresas identifiquem e controlem riscos psicossociais com o mesmo rigor aplicado aos riscos físicos. Estresse crônico, burnout e assédio moral passam a integrar o inventário de riscos obrigatórios de qualquer organização.

Diagnóstico precoce reduz afastamentos e custos

A identificação antecipada de transtornos é o ponto de partida para qualquer política de saúde mental no trabalho. Testes psicológicos digitais entram nesse processo como ferramentas de apoio à gestão, permitindo mapear riscos antes que se convertam em afastamentos.

Um mapeamento da Yale School of Medicine identificou aumento de até 25% na produtividade de trabalhadores que participaram de programas de apoio à saúde mental, dado que reforça o argumento econômico por trás das iniciativas 

Saúde mental sai da pauta de RH e entra na agenda jurídica
Com a NR-1 em vigor, o tema deixa de ser uma escolha de gestão e passa a compor a estrutura de conformidade das organizações. Empresas que não adequarem seus processos de gerenciamento de riscos à nova norma ficam sujeitas a autuações e penalidades.

A mudança regulatória chega em um momento em que a saúde mental já acumula peso econômico e social suficiente para justificar ação independente de qualquer obrigação legal.

FONTES: CARTA CAPITAL/CORREIO BRAZILIENSE