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Carteira aprovada pelo Fundo da Marinha Mercante reúne projetos de infraestrutura portuária, construção naval e navegação interior que prometem ampliar a capacidade de transporte
A aprovação de uma nova carteira de projetos pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) sinaliza um novo ciclo de investimentos na infraestrutura aquaviária brasileira. Ao todo, o Conselho Diretor do fundo autorizou 15 empreendimentos voltados à construção naval e à expansão da infraestrutura portuária, com potencial para ampliar a capacidade logística do país, reduzir custos de transporte e fortalecer modais considerados estratégicos para as exportações brasileiras.
Embora o anúncio tenha como foco o financiamento ao setor naval, os efeitos esperados vão muito além dos estaleiros. Os projetos abrangem portos, embarcações para navegação interior, navios destinados ao transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP), rebocadores, balsas e terminais privados, formando uma carteira que busca ampliar a eficiência da logística nacional em diferentes frentes.
Os empreendimentos estão distribuídos por dez estados e deverão beneficiar corredores de exportação do agronegócio, da mineração e da indústria, além de estimular a cabotagem e o transporte hidroviário, modais que ainda respondem por uma parcela pequena da matriz brasileira quando comparados ao potencial do país.
Entre os principais projetos está o Terminal de Uso Privado (TUP) Porto Sul, em Ilhéus (BA), empreendimento da Bahia Mineração (Bamin). O terminal é considerado uma peça-chave para a consolidação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), criando um novo corredor para o escoamento de minério de ferro e, futuramente, de cargas agrícolas produzidas no Centro-Oeste e no oeste da Bahia.
Na prática, a combinação entre ferrovia e porto pode reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias, ampliar a competitividade das exportações e diminuir a concentração das cargas em portos já pressionados, como Santos e Paranaguá.
Outro projeto de grande porte contempla a construção de cinco navios gaseiros para a Petrobras. As embarcações serão utilizadas no transporte de GLP e deverão ampliar a capacidade da frota nacional, reduzindo a dependência de afretamentos internacionais e aumentando a segurança logística para o abastecimento do mercado brasileiro.
A carteira também contempla embarcações destinadas à navegação interior, incluindo 12 barcaças graneleiras que deverão operar no Arco Norte. O investimento acompanha o crescimento da produção agrícola brasileira e busca aumentar a capacidade de transporte pelas hidrovias amazônicas, reduzindo custos logísticos para produtores e tradings.
O investimento acompanha a expansão da produção agrícola brasileira e reforça a estratégia de ampliar a participação das hidrovias na matriz logística. O modal permite transportar grandes volumes com menor custo e menor intensidade de emissões em comparação ao transporte por caminhões.
Além das novas embarcações, a carteira contempla projetos de modernização e reparo naval. Embora menos visíveis, esses investimentos contribuem para reduzir o tempo de parada das embarcações, aumentar a disponibilidade operacional da frota nacional e fortalecer a cadeia produtiva da indústria naval.
Infraestrutura para uma logística mais integrada
Os investimentos aprovados refletem uma estratégia de integração entre diferentes modais de transporte. A expansão de terminais portuários, aliada à construção de novas embarcações e ao fortalecimento da navegação interior, pode ampliar a capacidade de movimentação de cargas justamente em um momento de crescimento da corrente de comércio brasileira.
Nos últimos anos, o país registrou recordes sucessivos nas exportações do agronegócio e da mineração, aumentando a pressão sobre rodovias e portos. Nesse cenário, ampliar a participação da cabotagem e das hidrovias tornou-se uma prioridade para reduzir gargalos operacionais, aumentar a previsibilidade das cadeias logísticas e diminuir o custo do transporte.
A expectativa do setor é que os novos projetos também contribuam para impulsionar a indústria naval brasileira, que voltou a registrar crescimento nos últimos anos com a retomada das encomendas de embarcações e a ampliação das linhas de financiamento do Fundo da Marinha Mercante.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), os projetos aprovados somam investimentos em infraestrutura portuária, construção naval e reparo de embarcações distribuídos em diferentes regiões do país. A aprovação da carteira permite que os empreendimentos avancem para a fase de contratação dos financiamentos junto aos agentes financeiros credenciados pelo FMM.
Embora os resultados não sejam imediatos, a expectativa do MPor é que, à medida que as obras avancem e as embarcações entrem em operação, o país passe a contar com uma infraestrutura aquaviária mais robusta, ampliando a competitividade logística e criando alternativas ao transporte rodoviário em corredores estratégicos para a economia brasileira.
Os projetos com maior impacto para a logística
Porto Sul (BA)
- Novo corredor de exportação integrado à Fiol.
- Redução da concentração de cargas em portos tradicionais.
Cinco navios gaseiros para a Petrobras
- Ampliação da frota nacional para transporte de GLP.
- Maior segurança no abastecimento de combustíveis.
Barcaças para o Arco Norte
- Expansão da capacidade hidroviária para o agronegócio.
- Menor custo logístico no escoamento da safra.
Expansão de terminais portuários
- Aumento da capacidade operacional.
- Redução de filas e maior eficiência nas operações.
Projetos de reparo naval
- Maior disponibilidade da frota brasileira.
- Fortalecimento da indústria naval e da cadeia de fornecedores.
Os principais efeitos esperados
- Diversificação dos corredores de exportação.
- Fortalecimento da cabotagem.
- Expansão da navegação interior.
- Maior integração entre ferrovia, porto e hidrovias.
- Redução dos custos logísticos no médio prazo.
- Aumento da competitividade das exportações brasileiras
FONTE: AGÊNCIA TRANSPORTE MODERNO
