IMAGEM: Foto: arquivo de setembro de 2024/WWF/Silas Ismael

Seca derruba nível do rio Paraguai em MT e ameaça navegação e transporte de cargas no Pantanal

Em Cáceres, rio registrou apenas 77 centímetros, contra média histórica de 1,42 metro; cenário preocupa setor produtivo e transporte fluvial

A estiagem que atinge importantes bacias hidrográficas do Brasil colocou em alerta o sistema de transporte fluvial da Amazônia e do Pantanal, com reflexos diretos sobre Mato Grosso. No rio Paraguai, um dos principais corredores hidroviários da região Centro-Oeste, os níveis de água permanecem abaixo dos padrões históricos, aumentando a preocupação com a navegabilidade e o escoamento de cargas.

Informações divulgadas neste domingo, 18 de outubro de 2026, com base em relatório do Ministério de Portos e Aeroportos, mostram que o cenário de seca extrema persiste na bacia do Paraguai, enquanto outras hidrovias utilizadas pela produção agrícola mato-grossense também enfrentam dificuldades.

O levantamento federal retrata principalmente a situação registrada em 30 de setembro, com informações consultadas até 5 de outubro. Portanto, os números não representam medições realizadas neste domingo.

Em Cáceres, no oeste de Mato Grosso, o rio Paraguai registrou nível de apenas 77 centímetros em 30 de setembro. Para o mesmo período, a mediana histórica é de aproximadamente 1,42 metro.

A diferença representa 65 centímetros abaixo da referência histórica e evidencia a redução do volume de água disponível em um dos trechos mais importantes da hidrovia.

A situação também preocupa em Mato Grosso do Sul.

Em Ladário, o nível observado foi de 1,18 metro, diante de uma mediana histórica de 2,55 metros. Já em Porto Murtinho, a medição chegou a 2,38 metros, enquanto a referência histórica é de 4,48 metros.

O cenário exige atenção porque a redução da profundidade pode limitar o carregamento de embarcações, dificultar a passagem por determinados trechos e provocar alterações nas operações de transporte.

A hidrovia do Paraguai integra uma importante rede de transporte de mercadorias que conecta o Pantanal aos sistemas portuários de países como Argentina e Uruguai.

A navegação possui relevância para operações comerciais envolvendo produtos agrícolas, minerais e outros tipos de cargas.

Quando os rios apresentam níveis insuficientes para a circulação regular de embarcações, empresas podem ser obrigadas a reduzir o peso transportado, reorganizar viagens ou buscar alternativas logísticas.

Essas mudanças podem elevar os custos operacionais e comprometer a competitividade dos produtos transportados.

Na seca de 2024, a movimentação de cargas na hidrovia do Paraguai caiu para aproximadamente 3,3 milhões de toneladas, redução de cerca de 58% em comparação ao ano anterior.

O dado demonstra a dimensão econômica que períodos prolongados de estiagem podem alcançar.

Embora o levantamento mais recente indique situação preocupante, o alerta não significa que a navegação tenha sido integralmente suspensa ou que exista declaração formal de emergência em toda a hidrovia.

Outro ponto de atenção para o agronegócio mato-grossense está na hidrovia do Tapajós, utilizada para transportar parte da produção de soja e milho destinada à exportação.

Uma parcela significativa dos grãos sai de Mato Grosso por rodovia, principalmente pela BR-163, até terminais de transbordo na região de Miritituba, no Pará.

FONTE: JB NEWS