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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã desta segunda-feira (2) que o país vai retomar as tarifas aplicadas ao aço exportado pelo Brasil e pela Argentina. Ele atribuiu a decisão à desvalorização do real e do peso argentino em relação ao dólar.

"Brasil e Argentina estão promovendo desvalorização em massa de suas moedas, algo ruim para os nossos fazendeiros. Portanto, tendo efeito imediato, vou restaurar as tarifas sobre aço e alumínio que são importados aos Estados Unidos desses países", escreveu o mandatário americano no Twitter.

Trump também cobrou que o Banco Central dos Estados Unidos adote medidas para evitar que países "tirem vantagens de nosso dólar forte". "Isso torna as coisas muito difíceis para nossos fabricantes e fazendeiros exportarem seus bens", afirmou.

Questionado por jornalistas sobre a retaliação americana, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse que primeiro vai conversar sobre o assunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, antes de se pronunciar sobre a decisão de Trump.

"Se for o caso, ligo para o Trump. Eu tenho um canal aberto com ele", disse o líder brasileiro.

Atualmente, as taxas são de 0,9%, para o aço e 2% para o alumínio.

Trump escreveu que a medida teria "efeito imediato", mas não está claro se a sobretaxa dos produtos brasileiros adotada temporariamente no ano passado (25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio) nem quando ela de fato passará a valer.

Dólar x real e peso

Setores exportadores do Brasil e da Argentina têm se beneficiado do câmbio favorável e da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, ocupando espaços de produtos antes exportados por fazendeiros e empresários americanos.

Por outro lado, os EUA são os maiores compradores do aço produzido no Brasil, em um mercado que movimenta US$ 2,6 bilhões (ou R$ 8,6 bilhões).

Em rota ascedente, o dólar chegou a bater na semana passada em R$ 4,27, o maior valor nominal da história sobre o real.

Nas projeções do último boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com a projeção de economistas para os principais indicadores, a moeda americana fechará o ano de 2019 cotada a R$ 4,10 — a projeção era de R$ 4 na semana anterior.

Segundo analistas, a alta do dólar sobre o real e o peso argentino (afetado pela derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições) reflete a preocupação de investidores e gestores de recursos com as turbulências na América Latina, como os protestos no Chile e a incerteza política na Bolívia.

Impacto no Brasil

Em março do ano passado, a possibilidade de uma eventual sobretaxa para o aço e o alumínio exportados pelo Brasil gerou pânico entre produtores brasileiros.

À época, em meio à guerra comercial com a China, o presidente americano anunciou alíquotas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio comprados pelos EUA de outros países, mas deixou de lado Brasil, Argentina, Austrália, União Europeia e Coreia do Sul.

A tarifa, que agora será restaurada, chegou a valer por um tempo sobre o aço e o alumínio brasileiros, mas depois o governo americano concedeu um alívio com cotas aos produtos do Brasil.

Em 2018, o presidente americano buscava meios de reduzir o déficit de sua balança comercial e deu início à discussão, quando afirmou que a indústria do aço dos EUA teria sido "sitiada" durante décadas por concorrentes estrangeiros "que ganharam a vida tirando proveito" de leis de comércio desfavoráveis aos americanos.

Segundo Trump, a concorrência gerou demissões em massa e inundou os EUA com "aço barato".

No caso da China, por exemplo, o líder americano afirmou que o desenvolvimento da indústria exportadora se daria à custa de empregos que poderiam ser criados nos EUA, por empresas americanas.

Como resultado dessa ofensiva, Trump escreveu nesta segunda-feira que a sobretaxa adotada no ano passado, que mirava principalmente Rússia, Turquia e Japão, levou a uma alta de 21% das Bolsas americanas.

Por outro lado, para se diferenciar dos chineses, os brasileiros argumentam que a indústria brasileira compra produtos americanos produzidos a partir do aço exportado pelo Brasil, como carros, maquinário pesado e locomotivas, fazendo o dinheiro circular.

Atualmente, os principais produtos da pauta de exportações brasileira para o país são semimanufaturados de ferro e aço, petróleo, celulose e café. Juntos, esses produtos responderam por quase 30% dos embarques para os EUA em 2018, de acordo com os dados do Ministério da Economia referentes ao ano passado.

 Balança comercial Brasil-EUA

 

Do total das exportações, 6,8% foram aviões, refletindo a atuação — e a importância — da Embraer.

Entre os produtos que brasileiros importam dos americanos, pouco mais de 26% são combustíveis - óleo diesel e fuel-oil (18%), gás propano liquefeito (3,2%), gasolina (2,9%) e etanol (2,6%), levando em consideração os dados fechados de 2018.

 

FONTE: BBC