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O resultado da Petrobras no 3º trimestre de 2019 foi publicado no último dia 24/10, registrando um lucro de R$ 8,8 bilhões . Entretanto neste mesmo trimestre o resultado foi impactado positivamente em R$ 9,4 bilhões pelo lucro obtido na venda das ações da BR Distribuidora. Portanto sem este efeito extraordinário e não operacional, a companhia registraria um prejuízo de R$ 0,6 bilhões

O   resultado da Petrobras no 3º trimestre de 2019 foi publicado no último dia 24/10, registrando um lucro de R$ 8,8 bilhões . Entretanto neste mesmo trimestre o resultado foi impactado positivamente em R$ 9,4 bilhões pelo lucro obtido na venda das ações da BR Distribuidora. Portanto sem este efeito extraordinário e não operacional, a companhia registraria um prejuízo de R$ 0,6 bilhões .

No acumulado dos 9 primeiros meses de 2019 o lucro informado alcançou R$ 32 bilhões, do quais R$ 30 bilhões obtidos pela venda da TAG (R$ 21 bilhões no segundo trimestre) e agora com a venda da BR Distribuidora (R$ 9 bilhões). Portanto operacionalmente o lucro obtido até o momento é de somente R$ 2 bilhões.   

Ocorre que neste mesmo período a Petrobras já distribuiu aos acionistas R$ 3,9 bilhões sob o título de “juros sobre o capital próprio”. Portanto, deste valor (R$ 3,9 bilhões), R$ 1,9 bilhões foi coberto pela venda de ativos.  Assim, mais uma vez, o discurso de que a venda de ativos é para reduzir a dívida, cai por terra.

É bom lembrar que a atual estrutura do capital total da Petrobras,  tem a União com 28%, o BNDES com 15 %, os brasileiros  na Bovespa com 21% e os estrangeiros na Bovespa e na NYSE com 36%. Como a União e o BNDES não atuam no dia a dia das bolsas, esta atividade está  entregue aos brasileiros 21%  e estrangeiros 36%. Portanto , nas bolsas, a participação estrangeira representa 63%  das ações da companhia, com estranhas atuações de grandes fundos como  o Black Rock, conforme registramos no artigo  “Petrobras : fatos relevantes e preocupantes”. 

O efeito negativo das vendas de ativos nos resultados da empresa já estão sendo  sentidos. Para quem não sabe é bom salientar que, como sempre mostra a revista Exame “Maiores e Melhores”, a BRDistribuidora é a segunda maior empresa brasileira, superada  apenas pela própria Petrobras. A terceira maior empresa é a Ipiranga e a quarta é a Raizen (Cosan/Shell). A Vale é apenas a quinta maior empresa brasileira.  

A venda do controle da  BR Distribuidora representou um lucro de R$ 9,4 bilhões para a Petrobras, mas vai levar à perda de mais  de  10%  da receita da companhia daqui para frente ( em torno de R$ 40 bilhões ano), como mostra a nota explicativa copiada a seguir : 

Outros sinais começam a surgir. 

LIQUIDEZ CORRENTE  

A Liquidez Corrente é calculada pela divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. Mostra a capacidade da empresa cumprir com seus compromissos de curto prazo (um ano). Há mais de 10 anos a Liquidez Corrente tem se mantido sempre acima de 1,5. Significa que para cada R$ 1 que a empresa tinha a  pagar ela sempre dispunha de R$ 1,50 ou mais.  Situação confortável que por si só mostra que a companhia nunca teve problemas financeiros .

No entanto as coisas vem mudando rapidamente.  Em dezembro de  2018 a empresa registrou  Liquidez Corrente  de 1,48. Em junho de 2019 caiu para 1.31 e em setembro de 2019 foi de 1,1  

É clara a deterioração da tranquilidade financeira.

GERAÇÃO OPERACIONAL DE CAIXA  (1)

A Geração Operacional de  Caixa é o recurso que sobra depois de cobertos todos os custos e despesas  da empresa. É o recurso que pode ser destinnado para atender o serviço da dívida, fazer  investimentos e distribuir dividendos.

Há mais de 10 anos a Geração  Operacional de Caixa anual da Petrobras tem se mantido acima de US$ 25 billhões. Em 2018 foi de US$ 26,4 bilhões.  

Ainda não temos os resultados  do 3º tri de 2019 em dólares,  mas sabemos que até junho/2019 a Geração Operacional de Caixa somava US$ 9,6 bilhões indicando que pela  primeira vez, há mais de 10 anos, em 2019  será inferior a US$ 20 bilhões.  

CONCLUSÃO 

Com a venda injustificada de  importantes ativos feita para atender  interesses contrários  ao desenvolvimento da Petrobras e do Brasil  a empresa caminha no sentido inverso daquele que motivou  sua criação : a autonomia e independência energética do país. 

O resultado de 2019 tem sido mascarado pelo  efeito da venda de ativos. Este processo  deve continuar no 4º trimestre com  o recebimento do “bônus” (R$ 33  bilhões) do leilão do excedente da cessão onerosa, e  no início de 2020 com a venda das refinarias    

Hoje ela  passa por um turbulência financeira em termos operacionais que será amenizada com a adequação de  sua estrutura à de uma empresa com atividade limitada à exportação de óleo crú , o que será alcançado com  muita demissão e desmonte. 

Com a entrada em operação de  novas unidades de produção, cuja existência  é  devida unicamente  aos investimentos feitos  no período 2009/2014, certamente ela voltará a  apresentar bons resultados  operacionais , forte Geração Operacional de Caixa e muita distribuição de dividendos.

Com isto os atuais administradores dirão ao povo brasileiro : RECUPERAMOS A EMPRESA. 

Isto não  é só  lamentável, é um crime sendo cometido de maneira sórdida contra  o futuro do país. Futuro de nossos filhos, netos e bisnetos. A  história  nos cobrará.

E assim segue o cortejo, sem choro nem vela, pois o povo nem informado foi.  Por cima só uma fita verde e amarela “Aqui jaz Petrobras”   

Cláudio da Costa Oliveira

Economista da Petrobras aposentado    

  1. A administração da  Petrobras insiste em estabelecer métricas utilizando EBITDA que  é um indicador não  padronizado o que prejudica a comparação com outras  empresas . A própria  companhia reconhece isto nos  Glossários  apresentados  nos  Releases de Resultados. Julgamos que  a Geração Operacional de Caixa é  o indicador mais adequado pois alem de ser padronizado  é mais preciso pois considera (diferente do EBITDA) a variação do capital de giro. Nenhuma  grande  petroleira internacional publica EBITDA em  relatórios oficiais.    

FONTE: BRASIL247